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    W. E. - O ROMANCE DO SÉCULO

    Filme de Madonna perde-se no atalho temporal que pretende estabelecer entre suas duas persoangens<br />
    Por Roberto Guerra
    07/03/2012

    Em seu segundo longa, Madonna flerta com o melodrama sentimental numa trama de enredo simplista que explora duas histórias de amor supostamente comoventes e edificantes. A principal delas é o retrato forçosamente simpático de Wallis Simpson (vivida por Andrea Riseborough), mulher que fez o Rei Edward VIII (James D'Arcy) abdicar do trono inglês em 1936. O escandaloso romance do herdeiro do trono com uma mulher casada reflete-se na vivência atual de Wally Winthrop (Abbie Cornish), mulher da alta sociedade nova-iorquina presa a um casamento infeliz.

    A eterna material girl usa uma série de objetos para estabelecer relação temporal entre as duas personagens: luvas de noite, coqueteleiras, pingentes da Cartier e chapéus de época expostos numa mostra sobre o duque e a duquesa de Windsor. Esquece, no entanto, de aprofundar estes personagens e as relações sociais da época, tornando-os rasos, quase caricaturais. Muita preocupação com o que usavam, pouca com que pensavam.

    W.E. – O Romance do Século (o título é formado com as iniciais dos nomes do casal Wallis Simpson e Edward VIII) propõe uma análise do relacionamento do monarca com a plebeia norte-americana pelo ponto de vista dela. Madonna se esforça para mostrar como a sra. Simpson tentou convencer o amante a ficar no trono, mas ele declara que não poder viver senão ao lado de sua paixão. O Edward de Madonna é tão somente um ingênuo romântico que passa tediosos dias encantado com sua amada sacudindo uma coqueteleira.

    A Wally dos dias atuais é uma sonhadora apaixonada pela história de sua xará do século passado. Sua vida reproduz muito do que aconteceu com a sra. Simpson. Ela vive dificuldades em seu relacionamento, está mergulhada numa profunda depressão e se abre para um novo amor: o segurança russo da galeria onde acontece a exposição sobre o casal real.

    Tentando uma abordagem original, que inclui o enquadramento de detalhes em portas e corredores sem razão aparente, o filme perde-se no atalho temporal que pretende estabelecer entre as duas mulheres, fazendo uso de links pouco eficientes entre as personagens. Mas não se pode negar que Madonna tem apreço especial com a plástica. W.E. é belo de se ver, tem excelente direção de arte, só que é preenchido com elegantes cenas vazias emocionalmente.

    Charmoso, mas imaturo, o filme é exageradamente carregado de adereços e maneirismos desnecessários, além de uma trilha sonora gritante e mal aplicada. Sentimentos inerentes ao amor conflituoso, como medo, resignação e solidão são exibidos em sua forma mais ingênua, o que denota a fraqueza do roteiro e a pouca habilidade da diretora em alcançar seus propósitos. Um passo maior que a perna para Madonna.