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    WAKING LIFE

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Muita gente ainda acredita que desenhos animados são feitos apenas para crianças. Grande engano. Prova mais recente disso é a animação adulta Waking Life, um trabalho experimental escrito e dirigido por Richard Linklater. Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Berlim por Antes do Amanhecer (com Ethan Hawke e Julie Delpy), Linklater dirigiu também o cult sombrio Suburbia, em 1996, e passou pelo circuito comercial com o western romântico Newton Boys – Irmãos Fora-da-Lei. Waking Life é um de seus trabalhos mais difíceis.

    As primeiras cenas enchem os olhos. Utilizando uma técnica mista, o diretor primeiro filmou a ação ao vivo, como em qualquer outro filme convencional, e depois submeteu o material a softwares especiais que deram aos personagens aparência de desenho animado. Outro cineasta – Ralph Bakhsi – já havia utilizado processo semelhante em seus longas produzidos nos anos 70 e 80 (casos de O Senhor dos Anéis e American Pop, por exemplo), mas, na época, obviamente sem o auxílio de computadores. Com cores vibrantes e movimentação atraente, as imagens de Waking Life conquistam a atenção do público, mas não resistem por muito tempo: o texto, chatíssimo e pretensioso, provoca impaciência no mais atento espectador.

    A trama fala de um rapaz que “flutua” pelas ruas da cidade e, pelo caminho, encontra os mais diferentes personagens. Cada um deles terá um longo texto a recitar. São páginas intermináveis de monólogos que abordam da reencarnação ao livre arbítrio, como numa interminável aula de filosofia que pretende decifrar o sentido da vida. Os quase 100 minutos do filme parecem uma eternidade.

    Consciente das dificuldades comerciais de seu produto, a Fox optou por lançá-lo apenas em quatro salas de cinema no País (duas em São Paulo e duas no Rio), preferindo até manter o seu título original – Waking Life – que poderia ser traduzido como “vivendo acordado” ou “vida acordada”.

    Uma curiosidade: Ethan Hawke e Julie Delpy, aqui em formato de desenho animado, repetem os mesmos papéis que fizeram em 1995 no romance Antes do Amanhecer, do mesmo diretor.

    10 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br