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    WALACHAI

    A obra é um tapa na cara dos descontentes urbanos
    Por Roberto Guerra
    24/05/2013

    Poderia gastar alguns parágrafos aqui falando sobre os predicados técnicos deste documentário. Bem dirigido, bem montando, bem fotografado, etc. No entanto, vou por outra senda, mais relevante, mais considerável. O que chama a atenção em Walachai não é o que está claramente exposto na tela, mas o que o público pode colher nas entrelinhas, principalmente se o espectador for habitante de uma metrópole.

    O filme retrata o dia a dia de Walachai, pequeno vilarejo de descendentes de alemães no interior do Rio Grande do Sul. A palavra que dá nome à localidade significa "lugar longínquo, distante de tudo". Na verdade, Walachai  não está tão afastada assim. Fica a menos de 100 quilômetros de Porto Alegre. Distância física curta que se revela extensa quando se observa o estilo de vida e idiossincrasia de seus moradores.

    Pessoas que parecem viver em outra época, como se tivessem parado no tempo. Foi neste lugar campestre que nasceu a diretora, a gaúcha Rejane Zilles. Ela partiu para cidade grande ainda menina ao lado dos pais. Voltou para fazer um retrato delicado que ambienta, aos poucos, o espectador a esta realidade tão díspar e, ao mesmo tempo, tão próxima.

    Mostrando este Brasil que poucos brasileiros conhecem, como são os muitos Brasis que existem do Caburaí ao Chuí, Rejane equilibra muito bem dados históricos - como o decreto de do Presidente Getúlio Vargas proibindo imigrantes dos países do Eixo de falar sua língua natal em público – com o tempo presente dessas pessoas.

    Cada declaração, cada depoimento, todos muito bem selecionados, servem para abrir caminho na mente do público para o subjacente, as entrelinhas supracitadas. Pessoas simples que se alternam na tela revelando orgulho, realização pessoal, prazer em seu cotidiano por realizarem atividades simples, como fazer o melhor arado, plantar, colher ou dedicar-se anos a escrever um livro sobre a história do local sem pretensões editoriais.

    Todos esses cativantes personagens captados pelas lentes de Rejane, mesmo que inconscientemente, enxergam a felicidade como subproduto natural de suas ações cotidianas. Antítese da visão hedonista dos moradores de grandes centros urbanos que veem o bem-estar como objetivo final - invariavelmente atrelado ao dinheiro e bens de consumo.

    Como não questionar os próprios conceitos de realização pessoal ao ver uma velhinha orgulhosa e realizada por, há várias décadas, tocar um sino no mesmo horário anunciando o nascer do dia em Walachai.

    Ela abre e fecha o filme e é a síntese de tudo o que é mostrado na tela. Sua satisfação é um tapa na cara dos descontentes urbanos e suas queixosas vidas expostas nas redes sociais da moda.