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    WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS

    Duelo entre Disney e autora de Mary Poppins diverte
    Por Roberto Guerra
    06/03/2014

    Reza a lenda que as filhas de Walt Disney eram fãs do livro Mary Poppins, obra da escritora e atriz australiana P.L. Travers publicada em Londres em 1934. Disney então teria feito uma promessa aparentemente fácil de cumprir às meninas: levar às telas a história da babá com poderes mágicos que voa auxiliada por um guarda-chuva. Para o empresário endinheirado que havia criado um império a partir de um ratinho, a compromisso parecia fácil.

    Não foi. P.L. Travers, vivida por Emma Thompson, alimentava um desprezo por Disney (Tom Hanks) e sua fábrica de sonhos. Era apaixonada por sua obra e temia que esta fosse deturpada pelo criador do Mickey. Essa reticência teria a ver com a infância da autora e sua relação com o pai, interpretado por Collin Farrell em flashbacks que correm paralelos ao presente do longa. Resultado do embate: Disney teria levado quase duas décadas para convencer Travers a ceder os direitos de adaptação.

    Não é possível dizer o quanto de verdade o filme carrega. Mas é possível notar que tanto Disney quanto Travers são retratados na tela de forma simplista. Ele é um empresário gente boa, simpático e camarada com seus funcionários, que gosta de passear em seu parque distribuindo autógrafos. Um pai amoroso que luta contra a resistência de Travers somente para poder cumprir a promessa que fez às filhas.

    Ela, por sua vez, é uma espécie de megera rabugenta, uma artista que parece querer manter a integridade de sua criação a todo custo. Só aceita ir para os Estados Unidos para ver o projeto de Disney para seu livro por estar com problemas financeiros. Lá, não hesita em destratar quem encontra pela frente: do motorista que vai pegá-la no aeroporto (Paul Giamatti) aos roteiristas e compositores do filme. Nem mesmo o afável Disney escapa de seu mau humor.

    Mesmo retratados sem maior profundidade, fato é que para as necessidades dramáticas do filme os personagens funcionam. O roteiristas Kelly Marcel e Sue Smith souberam dosar a antipatia Travers para não torná-la alguém desprezível para o público. Há sempre certa dose de humor pautando seus arroubos de intolerância. Emma Thompson (que merecia ter sido indicada ao Oscar) consegue expressar inquietude constante e um coração batendo por trás da mulher aparentemente fria.

    O resultado do duelo todos sabem: o filme homônimo, estrelado por Julie Andrews e Dick Van Dyke, foi lançado em 1964 e tornou-se grande sucesso. Mas o drama recheado de bom humor que foi o duelo de participação colaborativa entre o todo-poderoso Disney e sua equipe e a autora durona diverte e encanta. Ao subir dos créditos, não deixe a sala de imediato. As gravações originais de áudio de Travers se confrontando com os realizadores do filme são mostradas. Vale mais alguns minutos de riso.