Warcraft

WARCRAFT - O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS

(Warcraft)

2016 , 123 MIN.

10 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 02/06/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Duncan Jones

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles Leavitt, Duncan Jones

    Produção: Alex Gartner, Charles Roven, Jon Jashni, Thomas Tull

    Fotografia: Simon Duggan

    Trilha Sonora: Ramin Djawadi

    Estúdio: Universal Pictures

    Montador: Paul Hirsch

    Distribuidora: Universal Pictures Brasil

    Elenco

    Andre Tricoteux, Anna Van Hooft, Ben Foster, Ben Schnetzer, Burkely Duffield, Callum Keith Rennie, Clancy Brown, Dan Payne, Daniel Cudmore, Daniel Wu, Dean Redman, Dominic Cooper, Donnie MacNeil, Dylan Schombing, Jill Morrison, Kyle Rideout, Michael Patric, Paula Patton, Raj Lal, Robert Kazinsky, Ruth Negga, Ryan Robbins, Terry Notary, Toby Kebbell, Travis Fimmel, Valérie Wiseman

  • Crítica

    01/06/2016 00h01

    Por Daniel Reininger

    Warcraft - O Primeiro Encontro De Dois Mundos poderia ser o filme capaz de mudar o triste paradigma das adaptações de videogames, sempre consideradas problemáticas, para dizer o mínimo. O longa tinha um universo rico e bem desenvolvido para explorar, visual inspirado e personagens marcantes. Mesmo assim, a obra de Duncan Jones (Lunar) não consegue atingir seu potencial e parece uma produção B que recebeu verba demais e exagerou no CGI.

    O bizarro é que até mesmo cenários práticos, ou seja, construídos de fato no set de filmagens, parecem estar carregados de CGI. Embora o visual dos Orcs seja bem feito, a pós-produção exagerou ao tentar criar um ar fantástico e colorido demais, com abuso de luzes e brilhos e retoques por computador, mesmo quando estes não eram necessários. E, pior, esse nem é o maior problema do filme.

    A trama, baseada na invasão Orc em busca de um novo mundo, no caso Azeroth, e sua luta para trazer sua raça inteira para o novo lar, era uma boa premissa, até pelas tensões internas da Horda e da Aliança diante da nova realidade de ambos os lados. Só que a narrativa está repleta de clichês, as motivações dos personagens não fazem sentido, os diálogos beiram o ridículo e até os combates são mal coreografados.

    Outro aspecto irritante é o vai e vem de personagens. O longa não sabe como usar o recurso das magias de teletransporte, as quais poderiam agilizar a trama, mas apenas a deixam mais arrastada. O Guardião (Ben Foster) é o personagem que mais viaja dessa forma, sempre por motivos supérfluos, fazendo o personagem ir para sua torre e para o campo de batalha constantemente sem motivo real.

    As atuações também não ajudam. Travis Fimmel faz o mesmo personagem da série Vikings, mas sem a mesma seriedade, o que o deixa caricato demais como Anduin Lothar. Paula Patton como Garona está mais interessada em ser sexy com sua maquiagem verde do que em justificar as repentinas mudanças de atitude de sua personagem. Ben Foster não convence como Guardião e Dominic Cooper é tão bonzinho como Rei Llane Wrynn que fica difícil de engolir que ele é mesmo o líder de alguma coisa.

    O pior personagem, porém, é Ben Schnetzer como Khadgar, mago que decide investigar a magia negra conhecida como Vilania e acaba sendo o escolhido por uma entidade esquisita para salvar o mundo. O ator é fraco e seu arco não faz o menor sentido, sua existência parece apenas uma justificativa fraca para mostrar mais poderes mágicos nas lutas e explorar superficialmente lugares famosos da franquia, os quais não teriam espaço de outra forma, como a cidade da facção dos magos Kirin Tor. Desnecessário fan service, algo que se repete o tempo todo na obra.

    Curiosamente, os Orcs se safam também das críticas de interpretação, apesar de os atores estarem escondidos pelo CGI. O arco de Durotan (Toby Kebbell) é mais interessante do que de todos os personagens da Aliança juntos, embora a trama paralela dos invasores também sofra com momentos aleatórios e atitudes inexplicáveis. Esse é mais um dos problemas de roteiro presentes ao longo de toda a obra.

    Warcraft sofre com a necessidade autoimposta de agradar aos fãs do MMORPG, fenômeno mundial até hoje, mas faz tudo isso de um jeito simplório, sem, de fato, ser capaz de capturar a atenção desses jogadores, modificando demais alguns elementos e incluindo outros desnecessários. Parece que, em um determinado momento, algum produtor resolveu que era preciso incluir todas as referências possíveis na tentativa de agradar.

    A necessidade de atrair novos públicos e de encher o longa de elementos reconhecíveis pelos fãs são os principais problemas de praticamente todos os filmes baseados em videogames. Sim, games são mídias complexas, com diversos pontos a serem explorados e capazes de atrair pessoas por motivos diferentes, mas tentar enfiar tudo isso num longa de duas horas é um erro imenso, capaz apenas de criar obras desconexas e confusas, como temos visto acontecer faz tempo.

    Warcraft possui um universo incrível, assim como Marvel e DC nos quadrinhos, e o melhor jeito de explorá-lo era começar de forma discreta e ir crescendo a cada novo filme. Pena que a pressa de apresentar tudo ao mesmo tempo faz desse filme algo totalmente dispensável, incapaz de agradar de verdade fãs ou leigos.



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