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    WOLVERINE - IMORTAL

    Ainda não é o filme que os fãs queriam, mas chega perto
    Por Daniel Reininger
    24/07/2013

    Depois de X-Men Origins, pouca gente esperava algo decente de Wolverine - Imortal. Mesmo assim, James Mangold (Garota Interrompida) encarou o desafio e se baseou em filmes de ação orientais para criar uma das melhores produções da franquia X-Men. Embora ainda não seja a versão cinematográfica que sempre quisemos ver do herói, chega perto.

    Ao contrário de O Homem de Aço e Homem de Ferro 3, Wolverine não tem cenas de ação grandiosas e não tenta desesperadamente expandir o universo dos X-Men no cinema. Aliás, o longa conta com apenas dois mutantes: o protagonista e a vilã Víbora - são três se contarmos os leves poderes demonstrados por Yukio. A narrativa procura desenvolver os personagens, principalmente Logan, interpretado pela sexta vez por Hugh Jackman. O protagonista vive tempos difíceis, assombrado por ter matado Jean Grey (Famke Janssen), o amor de sua vida, em X-Men 3.

    O trio de roteiristas fez bem ao evitar a confusão de mutantes e exageros do primeiro filme solo de Wolverine. A decisão de criar uma aventura separada, que ao mesmo tempo segue a trama de X-Men: O Confroto Final, funciona bem. Com isso, o longa consegue entreter e envolver.

    Livremente baseado na HQ Eu, Wolverine de Frank Miller e Chris Claremont, de 1982, o longa funciona melhor se não for comparado aos quadrinhos, afinal os personagens e motivações são bem diferentes. O protagonista, por exemplo, não está em busca de acalmar sua fera interior e sim procurar uma solução para a imortalidade – aspecto exagerado no cinema.

    Na história, a garota Yukio encontra Logan vagando pelo Canadá e o leva ao Japão para visitar um homem salvo pelo herói durante a Segunda Guerra Mundial. Lá, ele se depara com uma terrível conspiração pelo controle da maior companhia da Ásia e encontra o amor nos braços da herdeira da fortuna, Mariko. A simplicidade proporciona charme à trama, a qual funciona quase como um James Bond, com visita a lugares exóticos e capangas bons de briga.

    O problema são os vilões maquiavélicos. Embora os membros da Yakuza e ninjas garantam ótimas lutas, é no terceiro ato, quando os inimigos por trás da conspiração aparecem, que o filme cai de qualidade. Víbora, apesar de sexy, não tem bons diálogos e o figurino a deixa deslocada. Pior ainda é O Samurai de Prata. O adorado personagem só aparece no final, não tem nada a ver com os quadrinhos e é clichê. Nada relacionado a ele funciona.

    Para compensar, o filme apresenta belas imagens sem uso exagerado de efeitos por computação gráfica, graças às paisagens do Japão clássico, embora a produção pudesse ter explorado melhor o lado decadente do país. Mangold procura inspiração oriental também para as batalhas e, perto do final, cria uma linda cena inspirada em Trono Manchado de Sangue, de Akira Kurosawa, na qual Logan cai alvejado por uma chuva de flechas - pena a falta de sangue.

    Para fechar, o longa contém um detalhe bem interessante: Wolverine se torna lenda, personagem de histórias de ninar contadas para Mariko durante sua infância - isso faz com que ela o admire antes mesmo de conhecê-lo. Esse é um conceito legal, que se encaixa perfeitamente na mitologia do herói. É o tipo de coisa que funciona com os fãs e causa tanto impacto quanto dezenas de Easter Eggs e participações especiais. Outra surpresa é a cena pós-créditos, que traz velhos conhecidos e prepara terreno para X-Men: Days of Future Past.