X-Men: Apocalipse

X-MEN: APOCALIPSE

(X-Men: Apocalypse)

2016 , 144 MIN.

12 anos

Gênero: Ação

Estréia: 19/05/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bryan Singer

    Equipe técnica

    Roteiro: Bryan Singer, Dan Harris, Michael Dougherty, Simon Kinberg

    Produção: Lauren Shuler-Donner, Simon Kinberg

    Fotografia: Newton Thomas Sigel

    Trilha Sonora: John Ottman

    Estúdio: Dune Entertainment, Marvel Entertainment, Twentieth Century Fox Film Corporation

    Montador: John Ottman

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Alexandra Shipp, Ben Hardy, Evan Peters, Hugh Jackman, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Joanne Boland, Josh Helman, Kodi Smit-McPhee, Lana Condor, Lucas Till, Michael Fassbender, Nicholas Hoult, Olivia Munn, Oscar Isaac, Sophie Turner, Stan Lee, Tómas Lemarquis, Tye Sheridan

  • Crítica

    16/05/2016 17h00

    Por Daniel Reininger

    "O terceiro filme é sempre o pior, todo mundo sabe", é a frase dita por Jean Grey (Sophie Turner) enquanto ela sai do cinema após ver Star Wars - O Retorno De Jedi e fica difícil acreditar que essa fala está em X-Men: Apocalipse por acaso. Afinal, o novo longa dos amados mutantes da Fox pode até ser divertido e ter alguns bons personagens, mas é de longe o mais fraco da nova trilogia iniciada por Primeira Classe.

    Depois do ótimo X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido e do incrível Deadpool, era impossível não manter as expectativas altas para Apocalipse, até por trazer um dos inimigos mais interessantes dos mutantes para as telonas.

    Só que o filme decepciona pela falta de profundidade, o vilão desaponta por ser monótono e a trama parece mais preocupada em preparar terreno para os filmes futuros dos heróis do que em criar uma história coerente e completa em si mesma.

    O fato de focar no retorno de Jean, Ciclope e Noturno à franquia não chega a ser um problema, até porque os atores que os interpretam seguram bem a onda, embora os personagens não fujam do que já conhecemos deles. É justo um filme de um universo compartilhado introduzir algo para ser usado nas produções futuras, o problema é que o longa não vai além disso, ignora o passado e não impressiona, mesmo diante do mutante mais poderoso e absurdo já mostrado no cinema.

    Por sinal, Apocalipse é muito mal aproveitado. Ele faz pouco além de se teletransportar de um lado para outro do mundo a fim de recrutar seguidores, declarar um novo futuro e arrumar o figurino de seus capangas. Oscar Isaac não consegue capturar a essência do personagem e sua atuação é caricata, incapaz de transparecer a ameaça representada por esse antagonista, conhecido como o arauto do fim dos tempos.

    E na hora da porrada, ele proporciona a luta mais sem inspiração dos últimos anos dos filmes baseados em quadrinhos: confusa visualmente, sem grandes momentos, tediosa e com exagero de CGI, responsável por tirar o foco do mais importante: os personagens. Só não é pior do que a luta final do novo Quarteto Fantástico, isso porque o longa de 2015 é uma completa bagunça e mal dá para levá-lo a sério.

    Além do fraco vilão, o longa perde muito ao não mostrar os conflitos entre humanos e mutantes, os quais parecem viver magicamente em paz e harmonia após os eventos de Dias De Um Futuro Esquecido, e deixa de lado a questão mais importante da franquia: a intolerância.

    Para piorar, Magneto e Xavier praticamente não interagem e toda a tensão e profundidade que nasce de suas discussões sobre o futuro de humanos e mutantes é simplesmente ignorada, mais uma vez deixando a obra rasa e sem o peso devido da franquia X-Men.

    Sem falar que transformar Magneto, um dos personagens mais interessantes, complexos e psicologicamente destruídos da franquia em um simples capanga é um erro incrível de conceito. O personagem poderia oferecer tanto mais se sua situação no longa fosse diferente. Mesmo assim, Michael Fassbender tem ótimas cenas no início da produção, capazes de mostrar sua qualidade como ator, pena que seu talento é desperdiçado a partir do ponto que conhece Apocalipse.

    E se Magneto não faz muito, imagine a novata Psylocke. Olivia Munn praticamente não abre a boca e sua participação só não passa despercebida por causa da chamativa roupa, tirada diretamente dos quadrinhos – algo raro para a franquia cinematográfica X-Men. E sim, o mesmo vale para Tempestade e Anjo, que mal falam e não impressionam quando entram em ação.

    Novamente, quem garante o melhor momento do longa é Mercúrio (Evan Peters), com sua super velocidade filmada de jeito criativo por Bryan Singer. Embora pareça uma versão maior e mais exagerada da cena vista em X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido, ainda é sensacional vê-lo em ação. E falando em exagero, embora a colorida fotografia faça sentido e o 3D seja razoável, o exagero constante de CGI não ajuda em nada. A trilha sonora épica também é outro elemento que poderia ter sido usado com parcimônia.

    X-Men: Apocalipse poderia ser o melhor da franquia, eu mesmo apostava nisso toda vez que falava sobre a necessidade da Fox trazer esse vilão para o cinema, mas o longa consegue ser um dos piores, só não perde para X-Men: O Confronto Final (2006). O roteiro está cheio de furos e coincidências inexplicáveis, as piadas acontecem fora de hora, os novos personagens ganham mais espaço do que os antigos, as motivações são fracas e a narrativa não flui, algo difícil de entender depois da complexa trama de Dias de um Futuro Esquecido funcionar nas telonas.

    Ainda assim, o longa é capaz de divertir os fãs da franquia cinematográfica, embora esteja cada vez mais difícil para os leitores dos quadrinhos aceitarem esses filmes como adaptações de X-Men. Entretanto, quando achamos que tudo mais parecia perdido, Bryan Singer cria uma cena praticamente perfeita com um dos personagens mais amados do cinema (revelar quem é, seria spoiler), recuperando a esperança de que esse longa foi apenas um deslize de uma franquia com potencial para encantar milhões de pessoas ao redor do mundo novamente no futuro.

    Pena que o vilão que eu mais queria ver no cinema já foi usado. E mal utilizado. Resta torcer para o futuro guardar boas surpresas para os mutantes.



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