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    X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

    Longa é o mais ambicioso já feito dos mutantes
    Por Daniel Reininger
    19/05/2014 - Atualizado há 8 meses

    Livremente adaptado a partir de uma das melhores histórias já publicadas pela Marvel Comics, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido chega aos cinemas para unir a equipe da trilogia original e de Primeira Classe. Sem vergonha de utilizar viagem no tempo para corrigir inúmeras discrepâncias na cronologia da franquia, Bryan Singer consegue criar uma obra envolvente, repleta de boas cenas de ação que não precisam destruir uma cidade para impressionar.

    O cineasta nunca escondeu a intenção de apagar problemas da franquia com Dias de um Futuro Esquecido. Tanto é verdade que diversas cenas foram criadas apenas para estabelecer novas verdades para a série e amarrar pontas soltas. Como consequência, certos diálogos e passagens soam forçados e se tornam dispensáveis. Sorte a história original, criada por Chris Claremont e John Byrne em 1981, ser tão boa que, não só inspirou James Cameron a realizar O Exterminador Do Futuro, como ajuda a manter este longa nos trilhos.

    Num futuro dominado pelas Sentinelas, máquinas criadas para caçar mutantes, a raça humana está à beira da extinção. Quem sobrou vive em campos de prisioneiros, como fugitivo ou colaborador de robôs. Sem esperança de vitória, Charles Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian Mckellen) criam um plano para transferir a consciência de um deles para sua versão do passado a fim de impedir um assassinato que selou o destino da humanidade. Entretanto, apenas Wolverine (Hugh Jackman) é capaz de suportar o estresse físico da viagem e, assim, Logan se voluntaria para voltar aos anos 70.

    A chegada do personagem ao passado é ótima, com direito a Hugh Jackman nu, muito humor e uma luta com capangas mafiosos que combinam perfeitamente com o estilo do mutante canadense. A partir daí, boa parte da narrativa se passa em meio à turbulenta década de 70 e seus eventos políticos são usados de pano de fundo, como as repercussões do assassinato de Kennedy, no final dos anos 60, e a Guerra do Vietnã.

    O longa também está repleto de elementos de viagem do tempo incomuns no cinema devido à complexidade para serem bem trabalhados. Isso não intimida Bryan Singer, capaz de lidar com diversos aspectos simultâneos sem deixar o público confuso. Existem alguns furos de roteiro e momentos de exposição dos acontecimentos que ficam cansativos, especialmente quando somos lembrados diversas vezes da necessidade de mudar a história para salvar o futuro. Porém, no quadro geral, as situações se amarram de forma coesa.

    A maior surpresa do filme é Mercúrio, motivo de desconfiança infundada de fãs e mídia especializada desde o anúncio de sua presença. O personagem é hilário, possui poderes que ficam ótimos na tela e tem grande atuação de Evan Peters, capaz de roubar cada cena em que aparece. Aaron Taylor-Johnson terá problemas para superá-lo ao viver o mesmo papel em Os Vingadores 2: A Era De Ultron.

    Visualmente, o longa não deixa nada a desejar em relação a outros do gênero super-herói, com ótimas cenas em CGI e lutas bem coreografadas. Blink (Bingbing Fan) acrescenta novo elemento ao usar portais nas batalhas, arremessando aliados e vilões de um lado para outro com total sincronia. Além disso, a fotografia funciona como importante ferramenta narrativa para separar o futuro, sombrio e escuro, e o passado, bem iluminado e com ar realista.

    Sem dúvida, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é o filme mais ambicioso dos mutantes até aqui. Sem vilões claros, a própria jornada dos personagens se torna o problema a ser resolvido, como acontece em De Volta Para O Futuro. Isso não impede Peter Dinklage de agradar no papel do antagonista Bolívar Trask. Mas o fato dele não ser "o inimigo a ser vencido da vez" é um dos aspectos mais interessante da produção.

    Para o gênero, este longa é a lembrança de que boas histórias e personagens sólidos dispensam destruição em megaescala ou inimigos cada vez mais megalomaníacos. Entretanto, não fica claro se a própria franquia aprendeu a lição, afinal, a (ótima) cena pós-créditos revela o personagem que é sinônimo exatamente desses mesmos elementos exagerados e deve aterrorizar o mundo na nova continuação, agendada para 2016. Por enquanto, a saga dos mutantes deu um bom recado.