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    XUXA E O TESOURO DA CIDADE PERDIDA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Existem alguns filmes que, mesmo antes de vê-los, você já espera algo ruim. Não é preconceito, mas há coisas que você aprende durante a vida, como não levar filmes da Xuxa a sério. Assistir a Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, para pessoas com mais de 15 anos, é uma verdadeira aventura. Agora, para as crianças a tarefa é menos árdua, pois o filme usa a velha fórmula que atrai a garotada aos cinemas: aventura, um romance de leve, crianças, fantasia, um animal carismático e um vilão feioso. E, neste caso, o maior trunfo de todos: Xuxa.

    A apresentadora - que se nega a dizer que é atriz - é Babi, uma bióloga tímida e monossilábica. Ela mora em uma pequena cidade no Amazonas com seus passarinhos (com os quais costuma conversar) e a cachorra Esmeralda, mas também recebe visitas constantes das crianças Thor (Sergio Malheiros), Manhã (Bruna Marquezine) e Riacho (Peter Brandão), filhos adotivos do casal de hippies Bunzão (Leandro Hassum) e Flauta Morena (Márcia Cabrita), que mantém um circo de passagem na cidade. Thor tem sérios problemas para se adaptar à vida nômade de sua família e quer fugir para o Rio de Janeiro para morar com seus avós. Quando os pais do radialista Márcio (Rocco Pitanga), Hélio (Milton Gonçalves) e Aurora (Zezé Motta), somem na mata que rodeiam a cidade de Beirada D'Oeste, ele parte para o meio da floresta, a bordo de um balão (?!), depois de Babi avisá-lo sobre o sumiço (caso que ela ficou sabendo por meio de um passarinho), ao lado do amigo Igor (Marcos Pasquim), ex-marido de Babi que saiu da cidade para tentar a sorte como ator no exterior.

    Hélio e Aurora estavam na floresta investigando a existência de uma cidade perdida de vikings, Igdrasil, que guarda um grande tesouro. Também estão de olho na riqueza do povo que fala em sueco (?!) Bóris (Kiko Mascarenhas) e Dóris (Alexandra Richter), par de patinadores no gelo estrangeiros. Não bastando tudo isso, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida ainda mostra uma série de encontros e desencontros amorosos entre Jéssica (Juliana Knust), filha do prefeito da cidade, e Lisandro (Paulo Vilhena). Ela gosta dele, ele também gosta dela, mas o prefeito quer que Jéssica se case com o playboy Demétrio (Sergio Hondjakoff), mas quem realmente gosta dele é Helena (Natália Lage). Ah, sim, o vilão é o Curupira (Luiz Carlos Tourinho), aquele personagem típico do folclore brasileiro que tem os pés virados, sabe? E todos os personagens, mesmo os que não tinham nada a ver com a floresta, acabam se encontrando lá.

    Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida mostra uma série de histórias paralelas mal explicadas e personagens muito mal construídos. O mais desenvolvido de todos - talvez o único - é o Curupira, um Gollum (O Senhor dos Anéis) tupiniquim. O roteiro é uma colagem do já citado O Senhor dos Anéis com peças de Shakespeare e, principalmente, Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. Para dar liga, o roteirista Flávio de Souza colocou algumas mensagens ecológicas, algum romance e muita aventura. Para você que, como eu, se irrita com participações especiais de cantores e apresentadoras de programas femininos em longas infanto-juvenis, a boa notícia é que desta vez isso não acontece. Parece que estão aprendendo. Mas essa decisão está longe de salvar Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida: tantas referências e citações só fazem com que o filme se perca mais ainda. E essa nem uma deusa viking pode salvar.