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    ZARAFA

    Animação francesa não foge de assuntos polêmicos
    Por Daniel Reininger
    23/07/2013

    Zarafa é uma colorida e inteligente aventura sobre a chegada da primeira girafa à França, presente do vice-rei egipcio ao Rei Carlos X. O longa não foge de momentos sombrios da história francesa e ainda funciona muito bem como diversão para crianças e adultos.

    A trama começa no século 19 e acompanha o menino africano Maki, escravizado após ter sua vila queimada. Ele consegue fugir e se junta a uma manada de girafas. Assim, surge uma bela amizade entre Zarafa e o menino. As coisas se complicam quando o líder escravagista quer ele de volta e um beduíno precisa capturar uma girafa para ser usada como moeda de troca para salvar seu país. A partir daí, começa a história mágica sobre amizade em uma viagem cheia de provações.

    Com beleza e personagens interessantes, seria muito fácil o longa focar apenas em seus animais fofos e paisagens, criadas em animação tradicional, e não ousar em nenhum aspecto. Entretanto, os diretores  Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie preferiram apostar em algo mais intenso e, em alguns momentos, a narrativa ganha tom pesado e traços realistas ao tratar de temas como morte e honra.

    Interessante também é o fato de todos os franceses, com excessão do aventureiro Malaterre, serem vilões. Mesmo as pequenas reações de personagens secundários reforçam essa ideia, como a forma mesquinha e ignorante do Rei francês receber a girafa em sua primeira visita ao zoológico.

    Com ampla paleta de cores, as quais alternam tons mais quentes do deserto do Saara para os mais frios do velho continente, o cineasta usa técnicas de animação que lembram clássicos da Disney, porém mais cru, semelhante ao que faz o longa brasileiro Uma História de Amor e Fúria.

    Apesar da beleza e qualidade narrativa, a história proporciona poucas surpresas. Além disso, as eventuais piadas de humor escatológico não funcionam e ficam perdidas em meio à cuidadosa história criada até então. Existem ainda momentos sem sentido, como piratas extremamento bonzinhos, mas são erros perdoáveis.

    Zarafa tem gostinho nostálgico e deve encantar crianças de todas as idades, sem deixar os pais entediados – muito pelo contrário. Essa animação prova que premissas simples podem se tornar grandes histórias, com carisma e respeito ao espectador, lição que precisa ser reaprendida por estúdios ao redor do mundo. Pode não parecer a primeira opção em meio a temporada de blockbusters, mas essa produção francesa merece ser vista.