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    ZODÍACO

    Por Angélica Bito
    01/06/2007

    A figura dos assassinos em série é explorada com freqüência pelo cinema. O mesmo David Fincher que dirigiu um dos melhores suspenses do gênero - Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995) - volta a explorar o tema em Zodíaco, que conta a história real de uma série de crimes acontecidos em São Francisco entre nas décadas de 60 e 70. No entanto, o foco não está nos assassinatos, como no filme de Fincher de 1995, mas sim na relação desenvolvida entre o criminoso e a imprensa local, além da obsessão dos protagonistas na investigação de sua identidade.

    Baseado no livro homônimo best seller escrito por Robert Graysmith, Zodíaco acompanha as investigações acerca da identidade de um assassino que atua em São Francisco e algumas cidades vizinhas. A trama começa no feriado de 4 de julho de 1969, quando um casal de jovens é assassinado a sangue frio dentro de um carro nas proximidades da cidade norte-americana. Um mês depois, uma carta é enviada a quatro jornais de São Francisco; o remetente alega ser o autor desse crime e exige que uma mensagem codificada enviada em anexo seja publicada na primeira página da edição do dia seguinte. É quando começa a relação travada entre ele e a mídia. A partir disso, o assassino, que se apresenta como o Zodíaco que dá nome ao filme, passa a mandar cartas aos jornais sempre que comete - ou pensa em - um assassinato.

    O caso desperta o interesse não somente do repórter Paul Avery (Robert Downey Jr.), que cobre a editoria policial no San Francisco Chronicle, mas também do cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), que, fascinado por códigos, passa a acompanhar com exagerado interesse o desenrolar da história. Paralelamente, o inspetor David Toschi (Mark Ruffalo) e seu parceiro, William Armstrong (Anthony Edwards), são os destacados da polícia para solucionar o caso.

    Diferentemente de Seven - Os Sete Crimes Capitais e tantos outros filmes de serial killers, Zodíaco pouco mostra dos assassinatos; são poucas as cenas violentas no longa-metragem. A trama se preocupa em mostrar como a imprensa cobriu o caso e a polícia agiu para desvendar o mistério que, no fim, se mostra mais óbvio do que as conduções da investigação em si. Para o filme, não interessa muito quem é o assassino, mas sim como os personagens conseguem lidar, cada um do seu modo, com a atmosfera de obsessão que é formada em torno desse caso. Tanto que Zodíaco, o criminoso, chamava a atenção não pelos crimes ou seus padrões como a maior parte dos casos envolvendo assassinos em série - na vida real e também no cinema -, mas pela relação surgida entre ele, a polícia e a imprensa. Estão em pauta tanto o sensacionalismo com o qual se trata o caso nos veículos de comunicação quanto a burocracia e os meios nada práticos utilizados pela polícia nas investigações. Ambos têm reflexo direto no rumo da história.

    Por isso, Zodíaco acaba agradando mais aos espectadores que preferem enigmas, como o cartunista que protagoniza o filme. Fincher consegue criar um clima tenso de expectativa durante as investigações de forma a envolver o espectador, que se vê mais preso às histórias dos protagonistas do que à do próprio assassino. Não espere algo parecido com Seven - Os Sete Crimes Capitais; Zodíaco é mais maduro do que isso, mostrando ser mais profundo do que um "filme de serial killer", como é a produção citada. Não que um seja melhor que o outro; ambos são bons à sua maneira, mas o espectador que espera uma nova versão do longa dirigido por Fincher em 1995 pode se decepcionar.

    Além de levantar questões bastante pertinentes, especialmente no estudo do impacto da imprensa na sociedade, mais ou menos como fez Todos os Homens do Presidente em 1976, Zodíaco traz uma história envolvente, que exige muito a atenção do público. No entanto, o sucesso do filme entre o grande público é restrito. Trata-se de um longa complexo, difícil, mas maduro o suficiente para conquistar muitos admiradores. Não é à toa que Fincher conquistou seu espaço em Hollywood e neste filme ele apresenta maturidade na direção.