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    ZOOM

    Metalinguagem é a grande sacada da coprodução entre Brasil e Canadá
    Por Iara Vasconcelos
    31/03/2016

    Como interligar três histórias diferentes sem deixar o resultado óbvio para os espectadores? O novato diretor Pedro Morelli conseguiu resolver essa questão com muita criatividade em Zoom, coprodução entre Brasil e Canadá, que mistura live-action e animação, assumidamente inspirada em Walking Life, de Richard Linklater.

    Emma (Alison Pill) é uma artista que trabalha em uma fábrica de bonecas sensuais. A exposição ao ideal de perfeição de suas criações faz com que ela queria colocar implantes de silicone, iguais aos que vê todos os dias. Ela despeja todas as frustrações em uma série de quadrinhos, que narram a história de Edward (Gael García Bernal), diretor de cinema que passa por uma crise criativa depois de problemas sexuais.


    Edward, por sua vez, produz um longa sobre a modelo brasileira Michelle (Mariana Ximenes), que cansou de ser vista apenas como um rostinho bonito e pretende investir na carreira de escritora, mas é desacreditada pelo marido, o empresário Dale (Jason Priestley).

    A trama também faz uma reflexão sobre o padrão inalcançável de beleza, imposto pela mídia e pela sociedade em geral. Os três protagonistas sofrem com as cobranças por um corpo perfeito e uma performance sexual impecável.
    Por um momento, os jogos exagerados de câmera podem irritar, mas o uso deles é explicado próximo a conclusão do filme. A transição de live-action para animação, e vice-versa, é feita de forma natural e cada trama usa um tipo de estética diferente para deixar bem claro que as histórias, apesar de se relacionarem, pertencem a universos distintos.

    Apesar de simplista, a execução de Zoom é acertada. Pela experiência relativamente curta do diretor e o desafio de lidar com um multiplot e estéticas diferentes, é de se esperar um grau de pretensão, mas isso não acontece. O longa cumpre o que se propõe e não cai nas armadilhas de reviravoltas mirabolantes, isso pode ser um ponto positivo, mas também pode desagradar pela falta do fator surpresa.

    Claro que o formato de Zoom não é inteiramente original, mas não deixa de ser um respiro de ar fresco para o cinema nacional. Na verdade, a grande característica do filme é justamente ser um recorte de referências visuais e narrativas de outros filmes e isso é abraçado de forma espontânea.