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    ZUMBILÂNDIA

    Pode não fazer um grande sucesso, mas entrega o que promete: complexa e bem-resolvida homenagem aos filmes de zumbis<br />
    Por Angélica Bito
    29/01/2010

    Filmes de zumbis podem ser considerados um subgênero cinematográfico, dentro do balaio “terror”. Mas, além de sustos, produções deste subgênero também são capazes de provocar o riso, mesmo sem ter a intenção. Está aí o grande lance dos filmes de zumbis e essa combinação “terror + comédia” faz com que essas produções tenham um público tão fiel e apaixonado. Mas, se os longas dirigidos pelo mestre George A. Romero e seus seguidores levam a questão dos mortos-vivos relativamente a sério, produções como Todo Mundo Quase Morto (2004) e Zumbilândia (declaradamente influenciado pela comédia inglesa lançada há mais de cinco anos) resolvem percorrer o caminho do riso para conquistar o espectador, abrindo ainda mais o leque de possibilidades em se tratando de zumbis.

    Estreia de Ruben Fleischer na direção de um longa-metragem após larga experiência em curtas e videoclipes (o que fica evidente no desenvolvimento visual do filme), Zumbilândia é claramente o fruto de uma mente desenvolvida a partir da admiração a produções protagonizadas por morto-vivos. Esta comédia traz a já tradicional crítica da sociedade norte-americana, tão comum aos longas do subgênero: o protagonista chama o país de “Estados Unidos da Zumbilândia”, uma referência bastante cínica que já aparece nos primeiros minutos de fita; nem a líder de torcida e a “miss qualquer coisa”, símbolos fortes dessa sociedade, escapam da sina de virar zumbis. É um filme tão americano que até os personagens foram batizados a partir de cidades do país. Quem escapa da epidemia de mortos vivos, na realidade, é o garoto fracote, zoado na escola que morre de medo de palhaços, mas sabe que tem de ter preparação física para fugir dos zumbis que mais se parecem com as ágeis e selvagens criaturas de Extermínio do que os trepidantes zumbis de Romero.

    Jesse Eisenberg (Férias Frustradas de Verão) é Columbus, rapaz solitário e tímido, cuja vida se resume a regras que o levam a sobreviver aos ataques zumbis. Ele vive sozinho e resolve atravessar o país, numa tentativa não somente de sobreviver ao caos ao redor, mas também encontrar alguma companhia. Como Tallahassee (Woody Harrelson), um cara machão, cuja especialidade é eliminar violentamente os não menos violentos mortos-vivos. Esta dupla improvável acaba unindo-se num momento em que o individualismo pode significar a sobrevivência de uma pessoa. A caminho de Los Angeles a fim de encontrar um abrigo seguro, eles encontram Wichita (Emma Stonep) e Little Rock (Abigail Breslin), formando um grupo tão improvável quanto engraçado.

    No meio de um elenco formado por novos atores, Harrelson torna-se o veterano, levando às alturas a qualidade das piadas e o nível cômico de Zumbilândia, sem jamais ofuscar os atores menos conhecidos desta comédia. O roteiro, escrito por Rhett Reese e Paul Wernick, é reflexo de mentes que cresceram conhecendo muito bem os clichês de filmes de zumbis, capaz de calcar o humor em todos os elementos – tanto cômicos quanto de suspense – de longas do gênero. Além do roteiro inteligente e boas atuações, Zumbilândia ainda traz diversas piadas específicas para adultos que viveram sua adolescência nos anos 80. Impossível não rolar de rir com a participação de Bill Murray ao som do tema de Os Caça-Fantasmas, um dos primeiros sucessos do ator em Hollywood.

    Zumbilândia pode não prometer ser o maior sucesso do cinema em 2010. Sua tia não vai querer assistir a este filme. No entanto, não há como negar que a produção cumpre seu papel ao desenvolver uma complexa e bem-resolvida homenagem aos filmes de zumbis. Os amantes do subgênero agradecem e se divertem.