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    ZUZU ANGEL

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Dirigido por Sérgio Rezende, o longa-metragem Zuzu Angel é mais uma homenagem à memória da estilista que, após conquistar as passarelas do mundo todo no começo da década de 70, mergulhou no drama de ter seu filho desaparecido nas celas dos militares durante a ditadura. Envolvido com a guerrilha que combatia o sistema, Stuart Angel foi preso em 14 de maio de 1971 pelos agentes do Centro de Informação da Aeronáutica. Enquanto o nome de Zuzu Angel tornava-se sinônimo de moda brasileira, pelo menos aos olhos "gringos", seu filho - vivido por Daniel de Oliveira (Cazuza - O Tempo Não Pára) - envolve-se cada vez mais nos movimentos estudantis contra a ditadura. Os cartazes empunhados em passeatas logo foram substituídos por armas e, assim como a esposa Sônia (Leandra Leal), não conseguiu escapar das cruéis mãos do governo militar e totalitário da época.

    Patrícia Pillar encarna a personagem-título deste longa-metragem, sendo o grande destaque. O filme, cuja carga dramática é conduzida de forma a lembrar em muitos momentos a linguagem televisiva, é um retrato de uma época ainda obscura, mas que rende bastante ao cinema brasileiro. Apesar de ser cinematograficamente pobre, Zuzu Angel conta com momentos dignos, principalmente os relacionados à atuação de Patrícia Pillar como a estilista. A atriz consegue passar ao espectador de forma clara e emocionante o drama vivido pela personagem que, no início do filme, começa a ter reconhecimento profissional - coisa rara para uma mulher naquela época - não somente no Brasil, mas internacionalmente também. Essa passagem, de mulher bem-sucedida à mãe desesperada, acontece de forma sutil e emocionante ao longo da produção graças à performance de Patrícia, aliada à parte estética construída para trabalhar a favor da trama. Os figurinos são baseados nas criações da própria Zuzu Angel, que sempre imprimiu em seu trabalho os momentos de angústia vividos após o desaparecimento do filho, cuja morte, ou mesmo a presença nas instalações militares, nunca foi oficialmente comunicada. Essa angústia da protagonista, que deseja apenas enterrar o corpo do próprio filho, é o que há de mais dramático na vida de uma mãe e é sobre essa premissa que o drama de Zuzu Angel se apóia.

    Mais do que ser um retrato de época, Zuzu Angel é o retrato de uma brasileira que, como tantos cidadãos, batalhou pelo que achava ser certo. E morreu tentando. Em 14 de abril de 1976, seu corpo foi encontrado na saída do Túnel Dois Irmãos na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. A causa de sua morte foi dada como "acidental", sendo reconhecida como assassinato somente nos anos 90.