Exclusivo: Diretor fala de Bingo - O Rei das Manhãs

Conversamos com Daniel Rezende sobre o filme do Bozo

16/04/2017 12h20 (Atualizado em 21/08/2017 11h56)

Por Daniel Reininger

Bingo - O Rei Das Manhãs é o primeiro longa de Daniel Rezende, famoso pela edição de Robocop e Cidade De Deus. O filme sobre um famoso palhaço com problemas pessoais, inspirado na vida de Arlindo Barreto, estreia na próxima quinta e tivemos a oportunidade de conversar com o diretor, confira tudo a seguir:

 

No bate-papo, Daniel contou como entrou para o projeto. "Dan Klabin, um dos produtores do filme, me apresentou uma matéria numa revista sobre a vida de Arlindo Barreto [o ator por trás do palhaço Bozo], dizendo que era uma história incrível e que poderia dar um excelente filme. Ao ler a matéria, liguei para ele e perguntei: 'Já temos os direitos?'", conta.

 

O cineasta falou ainda sobre a sua transição de montador para diretor e comentou as dificuldades enfrentadas. "O montador tem que ter uma visão artística, sensorial e muita precisa sobre como colocar as cenas juntas pra criar um filme. É um cocriador do filme, mas precisa da visão e o caminho apontado pelo diretor", explica.

 

"Seguramente, minha experiência como montador me ajudou muito nessa transição. Ter uma boa noção de quais partes do material filmado poderei usar na montagem vale como ouro no set de filmagem. Por outro lado, o foco do montador em conseguir aquilo que é preciso no set pode tirar a atenção das melhores coisas que estão acontecendo, que não estavam programadas. O cinema é uma arte orgânica que está em constante mutação e o diretor tem que estar ligado, o tempo inteiro, em tudo o que está acontecendo ao seu redor. Às vezes, aquilo que não é o que o diretor está buscando, é muito melhor do que o que foi ensaiado e planejado. Por isso, o foco do montador, às vezes, pode atrapalhar. O ouro, muitas vezes, tira a atenção dos diamantes. Meu caminho como diretor tem sido encontrar o balanço entre essas duas coisas" conta Daniel.

 

Ainda comentou a troca de Wagner Moura por Vladimir Brichta no papel de Bingo. "Quando Wagner Moura teve que sair do projeto, por conflitos de datas, o Vladimir foi a primeira indicação dele para o papel. Eles são melhores amigos e atores espetaculares. Eu era fã do trabalho do Vladimir, mas não o conhecia pessoalmente. Mandamos o roteiro para ele e nos encontramos. A conexão foi imediata; dele com o filme, minha com ele, dele com o personagem. Fizemos uma longa preparação para o personagem e para o palhaço. Inclusive o colocamos no picadeiro de um circo, sem que ninguém soubesse que era ele. E a plateia delirou de rir!", revela.

 

Daniel ainda comentou como foi levar para a telona a história de um apresentador infantil marcada por sexo, drogas e polêmicas. "O filme, além de contar uma história de vida extraordinária, também fala da nossa cultura pop dos anos 80. O que mais me intrigou nesse filme foi a história humana desse artista que luta para encontrar seu lugar sob os holofotes. Mas situar isso nos bastidores de televisão dos anos 80, com um ícone da infância de toda a minha geração, e brincar com camadas tão paradoxais da vida humana, fez com que esse projeto se tornasse irresistível", finaliza. 

 

Na trama, Augusto (Vladimir Brichta) é um artista que finalmente tem sua grande chance ao se tornar Bingo, um palhaço apresentador de um programa infantil de televisão. Logo ele se torna um sucesso absoluto.

 

Só que uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da máscara e Augusto passa a enfrentar uma enorme frustração.

 

A estreia de Bingo está prevista para 24 de agosto.