Capitão América - Guerra Civil: "Steve não sabe de fato a resposta", diz Chris Evans

Personagem trava uma batalha contra os colegas de Vingadores

26/04/2016 17h57

Por Rebeca Tosta

Chris Evans vive o protagonista de Capitão América: Guerra Civil. Mas, em boa parte da trama, ele divide a cena com os seus companheiros de Vingadores. Para o ator, essa é uma ótima experiência e é sempre muito bom unir os personagens do universo da Marvel num filme só. Em entrevista exclusiva para o Cineclick, o ator classifica o conflito entre amigos como a batalha mais trágica de todas já travadas pelos heróis. 

Na trama da estreia desta quinta-feira, governos de vários países tentam responsabilizar os heróis pelos erros cometidos no passado e pretende supervisionar as ações dos Vingadores. No entanto, Capitão não concorda com o Tratado de Sokovia, que regulamenta as ações futuras dos heróis, e isso gera uma divisão entre os colegas de equipe.

Veja a entrevista completa:

Como você queria que o seu personagem evoluísse nesse filme? Onde você gostaria que ele estivesse?

Chris Evans: O que acho legal em relação à postura dele é que, pela primeira vez, Steve não sabe de fato a resposta. No primeiro Capitão América está bem claro que os nazistas são os inimigos. Podemos todos concordar com isso. Em Capitão América: O Soldado Invernal, a S.H.I.E.L.D é controlada pela H.I.D.R.A. Não existe conflito aí. Nos filmes dos Vingadores, os alienígenas não são bons, nós queremos lutar contra eles.

Pra ele costuma ser simples saber qual lado da moeda escolher, mas dessa vez é complicado por que esse conflito é um pouco mais parecido com as batalhas diárias que todos nós enfrentamos. Não há definições precisas entre o que é certo e o que é errado. Existe somente um ponto de vista, e acho que é difícil para ele entender o que é a coisa certa a fazer e qual o seu papel dessa vez.

Capitão América: Guerra civil

Nesse filme, Steve assume um lado diferente do que imaginaríamos. Como você analisa isso?

Chris Evans: É uma boa troca de papéis comparado ao que se imagina que seria o seu instinto natural. O Capitão sempre foi um homem da corporação. Ele segue as ordens, é um cara do exército, portanto, se o governo acredita que algo é a melhor decisão, quem é o Steve para questionar isso? Tony Stark, seguindo a mesma lógica, é alguém que dança conforme sua própria música e faz o que quer e como quer. Então, você não esperaria que ele fosse querer assinar nenhum tipo de tratado ou documento.

Mas nessa história Steve sente uma falta de confiança nas outras pessoas. Ele viu o governo falhar em múltiplas ocasiões. Portanto, acredito que ele sente que é a pessoa mais confiável neste momento. Ao mesmo tempo, Tony carrega certa culpa em sua consciência. Ele sente uma necessidade de demonstrar algum grau de lealdade a alguém além dele mesmo.


É difícil para Steve estar nesse conflito com o Tony, sendo que já foram parceiros no passado?

Chris Evans: Sim. E acho que isso faz com que essa história seja tão boa. Não é o inimigo contra o herói ou o vilão contra o herói. São amigos contra amigos. Às vezes, esse é o conflito mais dramático. Quando as pessoas de fato têm uma história umas com as outras, se importam umas com as outras ao ponto de se considerarem irmãs, torna-se muito mais difícil buscar orientação nesse conflito.


Foi divertido trazer todos esses personagens para o filme?

Chris Evans: Foi ótimo. O que a Marvel faz muito bem é costurar essa colcha gigante. Assim, sempre que você é a ponte entre mundos diferentes, é empolgante. Quando vi Homem-formiga, curti e disse pra mim mesmo: "Precisamos ter esse cara". Você pode misturar esses universos e isso é muito bom.


Onde se encontra Steve nesse conflito?

Chris Evans: Basicamente, certos governos do mundo esperam que os Vingadores assumam a responsabilidade por suas ações do passado. Nós salvamos o mundo algumas vezes, mas deixamos um rastro de destruição pelo caminho. Agora, os países não estão mais exatamente à vontade com a gente operando como uma unidade independente. Então, eles criam o Tratado de Sokovia, que permitirá que a ONU nos diga quando e para onde ir. Steve acredita que isso seria errado e Tony acha que é certo. Essa divisão inicia o conflito.

Capitão América: Guerra civil

Como se forma o time de Capitão América?

Chris Evans: Há um enredo no filme que lida com a reaparição do Soldado Invernal e isso coloca a maioria dos Vingadores atrás dele. Mas o Capitão tenta evitar isso, enquanto todo esse conflito do Tratado de Sokovia acontece. Então, inicialmente, a divisão se faz entre quem concorda com ele em relação ao Soldado Invernal e, em última instância, se ramifica para o Tratado de Sokovia. O Capitão obviamente começa com o Falcão, já que ele tem sido seu braço direito há algum tempo. Falcão traz com ele o Homem-Formiga, afinal eles têm uma pequena história. E Steve também inclui a Feiticeira Escarlate e o Gavião Arqueiro.


É difícil para o Capitão não ter Viúva Negra no time?

Chris Evans: Isso é o que torna Guerra Civil tão trágica, todos eles eram próximos. A Viúva Negra e o Capitão tiveram alguns momentos lindos. Em Capitão América: O Soldado Invernal, eles realmente se uniram. Mas a amizade mais desoladora de se ver desfeita é a de Steve e Tony. Eles são muito diferentes, mas isso é o que os torna uma dupla tão singular.

Capitão América: Guerra civil

E parece sempre haver algo que o Capitão não consegue se libertar em relação ao Bucky.

Chris Evans: Bucky é o melhor amigo de Steve, é seu amigo mais antigo no mundo. Além disso, ele sempre apoiou o Capitão. Então, tenho certeza de que há um certo sentimento de culpa com base no que aconteceu ao Bucky, mas todas as suas tragédias os deixaram ainda mais próximos.


O que você mais gosta em relação a interpretar esse personagem? 

Chris Evans: Ele é um homem bom. Sempre que você vai pro set e entra na mente de um personagem durante certo tempo, processar as cenas com a perspectiva de alguém que vê a vida de uma forma específica, não tem como não levar parte disso com você pra casa. E por que não levar para casa um pouquinho do Steve Rogers?

E os momentos mais humanos estão em todos os filmes. Eu nunca vou interpretar Capitão pensando: "Vou fazer isso como uma história em quadrinhos". Sempre entro tentando fazer a versão bem fundamentada e mais real.

Você verá como Capitão enfrenta essa provação em Capitão América – Guerra Civil, que chega aos cinemas em 28 de abril. Veja a nossa crítica.