Tenet: "Nolan usa o lado positivo e negativo de nossas obsessões com o tempo", diz Kenneth Branagh

Renomado ator vive Andrei Sator, o vilão da trama

27/10/2020 14h30

Por Daniel Reininger

Tenet é o novo filme de Christopher Nolan (Dunkirk). O longa foca no conceito de manipulação temporal e mistura elementos de espionagem com ficção científica. Tivemos a oportunidade de saber mais sobre a produção com Kenneth Branagh (Assassinato No Expresso Oriente), que vive o antagonista da obra.

Branagh é Andrei Sator, o vilão da trama. Ele é um oligarca russo, traficante de armas e única pessoa em contato com o futuro. Ele chegou à riqueza após desenterrar material nuclear das ruínas da União Soviética e, aos poucos, se tornou uma das pessoas mais importantes do mundo, mas sempre agindo das sombras.

O filme mostra a corrida contra o tempo de um grupo de agentes para salvar o mundo contra um cataclisma temporal.

Confira nosso bate-papo com o ator:

Você pode descrever seu personagem e seu lugar na história?

KENNETH BRANAGH: "Andrei Sator é um personagem que Chris (Nolan) insistiu, desde o início, que deveria ser alguém sombrio, irredimível, implacável, avarento e ambicioso com um calcanhar de Aquiles, que não vou revelar, mas que é apenas um pequeno vislumbre de humanidade em alguém que permitiu que a escuridão do mundo o envolvesse desde suas origens. Ele é cruel, agressivo e perspicaz. Realmente um adversário formidável. É o mais perigoso dos amigos e um inimigo absolutamente terrível para as pessoas ao seu redor e, como vemos na história, para o mundo."

Este é o seu segundo filme com Christopher Nolan, depois de Dunkirk. Como acontece naquele filme, Tenet também traz uma linha de tempo não linear. Por que você acha que o tempo desempenha um papel tão importante nos filmes do cineasta?

KENNETH BRANAGH: "Bem, eu acho que brincar com o tempo brinca com medos e sonhos que podemos ter sobre a morte. A morte pode ser conquistada? Se o tempo pode ser conquistado, isso significa que as pessoas podem viver para sempre? Chris usa o lado positivo e negativo de nossas obsessões com o tempo e, por isso, tem sido uma constante absoluta em seu trabalho. E você sente seu fascínio, então ele sempre o torna lúdico e intrigante - desde as repetições em Amnésia, no início de sua carreira, até os saltos da estrutura narrativa em Dunkirk. E seguindo os passos de A Origem, Tenet é provavelmente o exemplo mais deslumbrante e ambicioso das glórias e pesadelos de se entender o tempo de uma maneira totalmente diferente."

Você já trabalhou duas vezes com Christopher Nolan e Emma Thomas. O que eles proporcionam como equipe de produção?

KENNETH BRANAGH: "Como uma equipe de produção, eles trazem confiança e tranquilidade, experiência e atenção aos detalhes. Os dois estavam em minhas provas de figurino para Tenet, sem interferir, mas com uma presença que me permitiu sentir que as decisões tomadas fariam parte do quadro completo que eles estavam tentando criar para o filme. É um contato muito direto e pessoal. Em ambos os filmes, a primeira vez que recebi o roteiro, Chris me entregou em mãos. É uma coisa muito personalizada."

"Eles passam uma ideia de produção caseira de forma positiva e flexível, mesmo no centro de algo obviamente global e massivo. E eles alcançam um senso de diversão e perspectiva dentro de algo tão ambicioso como Tenet. Filmar em sete países pode facilmente deixar qualquer um preocupado com logística e escala, muitas coisas podem dar errado, mas eles mantêm a calma e concentração no set e quaisquer preocupações sobre o que está acontecendo antes ou depois não são transmitidas às pessoas com quem estão trabalhando. Eles não são afetados pelo caos - acho que prosperam nele - e mantém as coisas pessoais o tempo todo."

Você pode falar sobre o caráter internacional dessa produção?

KENNETH BRANAGH: "O senso de escala que isso dá a um produto de entretenimento é imenso. Christopher Nolan sempre trará um novo olhar até mesmo para lugares familiares e o levará a outros que você nunca viu antes. E ele faz isso em uma escala massiva para dar a ideia de que as apostas na história são altas. A natureza mundial das narrativas enfatiza isso, principalmente com o olhar original e curioso de Chris. Ele viaja o mundo porque a história precisa, e cada peça, como cada elemento de um quebra-cabeça em um filme de Christopher Nolan, se encaixa necessariamente, então você tem que fazer essa jornada."

Chris faz o máximo possível com a câmera, com o mínimo de efeitos o possível. Isso ajuda na sua atuação?

KENNETH BRANAGH: "Há uma vibração indiscutível no set e uma empolgação que acho que o público percebe. Foi imensamente poderoso estar em cenas com acrobacias em ação e fazer parte disso. Quando a coisa real está lá, faz diferença. Então, para mim, houve uma tremenda intensidade por causa da maneira como Chris filma as coisas e estou muito grato por esse estilo de fazer as coisas de forma real e com a câmera."

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