Guerra Civil: "Momento de Stark influencia sua decisão", diz Downey Jr. em entrevista exclusiva

Guerra Civil estreia em 28 de abril

21/04/2016 17h33

Por Daniel Reininger

Mesmo sem planos para outro filme solo, Robert Downey Jr. faz a alegria dos fãs ao voltar como Homem de Ferro em Capitão América: Guerra Civil. O ator explicou ao Cineclick um pouco da situação que leva os Vingadores à disputa, falou sobre os bastidores da produção e fez algumas revelações interessantes.

Mas antes, não custa lembrar que o filme acompanha Steve Rogers e seus novos Vingadores, mas, após outro incidente envolvendo os heróis resultar em danos colaterais, a equipe sofre pressão política para aceitar um sistema de responsabilização, comandado por uma agência do governo para supervisionar e dirigir a equipe, sob as regras do tratado de Sokovia.

Isso racha os Vingadores. Um lado é liderado por Steve Rogers e seu desejo de manter o grupo livre para defender a humanidade. Outro segue a decisão de Tony Stark de apoiar a supervisão governamental. Isso coloca o Time Capitão América e o Time Homem de Ferro frente a frente em uma batalha épica.

Confira a entrevista:

Como está a vida pessoal de Tony Stark quando a história de Guerra Civil começa?

Robert Downey Jr.: Existem todos esses círculos concêntricos de eventos que estão ocorrendo e a pergunta recorrente é: "por que ninguém se incomoda com esses Vingadores quando eles destroem cidades na tentativa de salvar o mundo?" E Tony acredita que já estava na hora disso acontecer. Mas isso cria esse novo problemas: a necessidade do registro e dos Vingadores não serem mais capazes de agir com a mesma autonomia.

O que torna a história divertida é que os Vingadores nunca fazem nada de forma perfeita, mas são pessoas corretas, de princípios, que se preocupam genuinamente uns com os outros. Então, o que acontece se você tem personalidades diferentes que acabam se dividindo devido a argumentos baseados em princípios?

Gosto do fato de que, no início, Tony está finalmente percebendo que precisa fazer alguma coisa com todo esse dinheiro que herdou, sem falar de todo o dinheiro que ganhou. Ele está um pouco sentimental em relação aos seus pais, muito mais do que em Homem De Ferro 2. Desta vez, ele é um adulto que procura retribuir [Com uma generosa doação] à instituição (M.I.T.) que provavelmente impediu que ele se perdesse após a trágica morte de seus pais.

Além disso, Tony e Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) estão passando por alguns problemas. Seu relacionamento faz parte do equilíbrio, assim como os Vingadores. 

Outra coisa está clara: Steve e Tony têm uma história e o passado deles atravessa diversas gerações, o que também tem um peso importante na trama.


O Tratado de Sokovia procura colocar as ações dos Vingadores sob supervisão. Como Tony vê essa questão e como isso o leva a escolher seu lado na disputa?

Robert Downey Jr.: No filme, Tony é abordado por uma pessoa que o confronta em relação aos danos colaterais dos Vingadores e isso o afeta. Tony olha para trás, analisa sua postura e escolhe um ponto de vista conservador, algo bem diferente para ele. E isso não acontece à toa, afinal, ele viu Jarvis se transformar em um cara enorme, roxo, uma Inteligência Artificial consciente que flutua por aí (Visão), que, apesar de tudo, parece ser integra, afinal, consegue até empunhar o martelo de Thor. No entanto, isso tudo é uma viagem. Com certeza ele não é mais o Jarvis. Tony nunca quis que isso acontecesse. E agora ele está refletindo sobre os eventos recentes e acredita estar do lado certo ao estar a favor do Tratado de Sokovia.

Ultron


Então a consciência pesada de Tony Stark, pelos erros do passado, como a criação de Ultron, contribui para sua decisão na Guerra Civil?

Robert Downey Jr.: Há muitas coisas diferentes rolando. Não queria que fosse algo tão explícito e direto, como "É claro que Tony vai fazer isso", queria que parecesse que suas ações resultam do momento complicado que ele está vivendo. Porém, quando ele está com a equipe, ele se mostra completamente decidido, não deixando esse outro lado transparecer.


Você está feliz com o Time Homem de Ferro?

Robert Downey Jr.: Fiquei muito satisfeito de ficar ao lado da Viúva Negra. Desde Homem De Ferro 2, Natasha nunca passou uma hora com Tony sem que um deles tentasse enganar o outro. Particularmente depois de Capitão América: O Soldado Invernal, e considerando como ela e o Capitão se tornaram próximos, jamais esperaria que as coisas tomassem esse rumo. É perfeito. Além disso, não queremos estar em um universo em que Rhodes (Máquina de Combate) e Tony Stark não são próximos como irmãos. Eles passaram por tantas coisas juntos que haveria rupturas demais se cada um seguisse o seu caminho. Sem falar no recrutamento de um jovem talento. (Se referindo ao Homem-Aranha).

Robert Downey em guerra civil


E como Tony se sente em relação a Steve Rogers?

Robert Downey Jr.: Palavras duras foram trocadas, mas acredito que o que está implícito para Tony é que a memória que seu pai tem de Steve não condiz com a realidade e, para ele, está claro que é seu amigo que está criando todo o problema. Tony acredita também que o Capitão não está agindo da maneira correta. Ele tem segredos, faz suas próprias escolhas e ainda tem essa questão antiga com esse cara extremamente problemático e muito perigoso (o Soldado Invernal). Então, para mim, como pai de meia idade que tem filhos de diversas idades, Tony acha que Steve está sendo um adulto irresponsável.


É a situação com o Soldado Invernal que piora as coisa então.

Robert Downey Jr.: Sim. Tony acredita que ele é um problema e se incomoda com o fato do Capitão América não ter pressa de resolver essa situação. Mas Tony também compreende a camaradagem e a aliança que o Capitão tem com alguém que é tão próximo dele, mas isso não justifica seus atos.

Soldado Invernal briga com Homem de Ferro


Como foi no set? Era estranho lutar contra pessoas que costumavam estar do seu lado?

Robert Downey Jr.: Para mim é o retorno a um sentimento de liberdade e colaboração, motivo pelo qual me juntei a esse grupo. Agora [A Marvel] é essa indústria massiva, mas, no final das contas, quando sou apenas eu como Tony Stark, ainda estou me divertindo.

E minha lógica ao interpretar Tony Stark dessa vez é que ele acredita estar fazendo as coisas pelos motivos certos. Se ele não está, vai descobrir depois.


E sua armadura, terá alguma novidade em Guerra Civil?

Robert Downey Jr.: Em Homem De Ferro 3 nós despimos Tony e o deixamos como um MacGyver sem dinheiro, mas tem algumas coisinhas que acontecem nesse filme que me deixaram eufórico. Algumas novas tecnologias o ajudam na luta contra o Soldado Invernal. Basicamente, se você pegar um personagem qualquer, tanto do lado de Tony quanto do outro lado, ele teve alguma ajuda das indústrias Stark. Joss Whedon começou isso no primeiro filme dos Vingadores e isso cresceu em Era De Ultron. Agora, está bem claro: Se alguém precisar de algo, Tony irá ajudar.


Os irmãos Russos vão dirigir Vingadores: Guerra Infinita. Em Guerra Civil você teve uma prévia de como é trabalhar com eles. Conte como foi essa experiência.

Robert Downey Jr.: Não tem nada que eu não goste em relação a eles como diretores. Estão sempre abertos à forma como gosto de tentar influenciar as coisas, mas também confio e sigo a liderança deles. É a dança criativa que você quer que exista.

Além disso, Anthony não está simplesmente no comando dos atores e o Joe cuida da parte técnica. Existe muita espontaneidade e individualmente os dois são realmente muito versáteis. São muito abertos, mas eles têm a narrativa bem definida; entretanto, são muito flexíveis em relação a como chegar lá.

Capitão América: O Soldado Invernal é obviamente muito bom e foi muito bem recebido. As pessoas gostaram bastante do filme, mas foi também uma espécie de despedida e uma tentativa de deixar a sua própria marca. Em vez de tentar simplesmente continuar empurrando a sua versão da marca, os Russos a reinventaram com muito sucesso.

William Hurt em Guerra Civil



William Hurt está de volta a um filme da Marvel, como foi tê-lo no set?

Robert Downey Jr.: Pessoas que já estiveram no Universo Cinematográfico da Marvel frequentemente retornam de forma mais significativa. Então, se você tem o William Hurt, faz sentido utilizá-lo e acredito que ele realmente cria um personagem bacana como Secretário Ross. É engraçado porque Tony muda bastante em relação a ele, mas eu adoro o cara. Eu poderia simplesmente ficar sentado e assistir ele trabalhar ou falar sobre meditação e história. A melhor versão que consigo imaginar de mim mesmo é parecida com ele, afinal sempre queremos aprender. Dá pra perceber que ele é da velha guarda, mas também está muito ligado ao momento atual e isso foi muito inspirador para o restante do elenco.


E como você vê Chris Evans como Capitão América depois de tantos anos?

Robert Downey Jr.: Ele é como o [ator] Spencer Tracy da Marvel. Ele fica parado lá, fala a verdade e depois bota pra quebrar de uma forma muito credível. O seu físico é excelente. Capitão América foi o personagem mais difícil deste universo e Chris Evans mandou bem da primeira vez, da segunda vez, nos dois filmes dos Vingadores, e agora de novo. Acho que ele não ficou sobrecarregado, mas muito surpreso e, de certa forma, perplexo ao ver como as pessoas gostam dele. Vejo 20 camisetas do Capitão América em qualquer lugar em que eu vá. Deixou de ser algo só em relação a ele e como ele interpreta bem. Isso se tornou parte de nossa cultura como um símbolo. Gosto muito do Chris; trabalhamos de formas diferentes, mas o respeito profundamente. Aprendo trabalhando com ele.


O que você acha que vai agradar mais ao público em Guerra Civil?

Robert Downey Jr.: Acho que o público terá uma grata surpresa e ficará intrigado com a jornada e escolhas que o Capitão faz. É familiar e é fácil seguir o lado heroico e insólito de Tony. Ele sempre vai criar diversas confusões, porém, sabemos que faz as coisas de coração, acreditando estarem corretas, mas aqui você se pergunta onde está o coração do Capitão nesse momento? Ele sofre perdas bem no início do filme e isso é parte daquilo que o está levando a querer se reconectar com seus relacionamentos de muito longa data.

Capitão América: Guerra Civil estreia no dia 28 de abril. Já assistimos ao filme e a crítica sai no dia 25. Enquanto isso, fique com o trailer: