Jogador Nº1: "Ser geek é gostar de algo e não ter vergonha disso", diz Simon Pegg em entrevista exclusiva

Ator é um grande entusiasta da cultura pop

28/03/2018 12h30

Por Daniel Reininger

Jogador Nº1 é um filme que presta uma grande homenagem à cultura pop e a presença de Simon Pegg, um dos geeks mais famosos do mundo do entretenimento, era quase obrigatória. O ator, famoso por Todo Mundo Quase Morto, Star Wars: O Despertar Da Força, Star Trek, entre outros, falou com o Cineclick, durante sua visita ao Brasil, sobre seu personagem na trama de Steven Spielberg, a tecnologia para criar o Oásis e sobre o que é ser geek. Confira:


Simon, fale um pouco sobre seu personagem.

Simon Pegg: Não vi o filme ainda (risos), mas interpreto Ogden Morrow, o cocriador do Oásis, videogame central do filme. Ele é mais como Steve Jobs, enquanto Halliday, o gênio por trás desse mundo virtual, é mais Steve Wozniak. Ogden é um cara bom e está nisso pelas razões certas. O livro o descreve como Papai Noel, mas no filme ele aparece tanto no passado quanto no presente de formas diferentes. Ele também está no Oásis, mas não posso revelar muito sobre isso.

+ Confira as referências presentes em Jogador Nº1


E como foi voltar a trabalhar com Spielberg?

Simon Pegg: Como admirador, é um privilégio trabalhar com ele. Ele é extraordinário e seu processo de criação é fascinante. É um grande diretor e isso fica claro não só pelo jeito que move a câmera, mas também pela forma como fala com os atores e consegue tirar o melhor deles em termos de atuação. É preciso ter essas duas habilidades para ser realmente grande. Foi fascinante ver como ele comandou dois universos diferentes, o virtual e o real.

Spielberg sabe muito bem como usar a tecnologia do melhor jeito possível. Em uma das cenas que mostram o passado dos personagens, Spielberg teve a ideia, no fim de semana por sinal, de usar oito câmeras para dar uma sensação de algo documentado, que poderia ser visto de diversos ângulos. Ele é incrível. Spielberg moldou a indústria, assim como J.J. Abrams está moldando agora.


Todo mundo sabe que você é geek, como foi trabalhar nesse filme que é uma homenagem à cultura pop?

Simon Pegg: Adorei viver Ogden porque sou fã do livro e foi divertido ver esses personagens ganharem vida. Estava em minha zona de conforto com essas referências pop. O roteiro é muito bom, um dos melhores de adaptações que já li, afinal, pega tudo que faz o livro tão bom e transforma em um filme que funciona. Muitas pessoas simplesmente tentam transpor o livro para o cinema, esse não é o caso aqui, Spielberg cria algo que funciona na telona.

Simon Pegg como Ogden Morrow



Qual sua referência preferida presente em Jogador Nº1?

Simon Pegg: Muitas das referências do filme tiveram que ser diferentes do livro por questões de direito. Liberar esse conteúdo é muito difícil e caro. Se fossemos tentar ter os direitos de tudo que o livro mostra, iria custar 1 bilhão de dólares (risos). Pudemos usar várias coisas da Warner Bros., por ser um filme deles e a pedido deles. E existem muitos momentos incríveis que amo, parte da diversão é achar cada uma das referências. E quando vi o DeLorean, de De Volta para o Futuro, no trailer, mesmo sabendo que o carro estava no filme, fiquei tipo "oh, isso é incrível". Você precisará ir ao cinema com uma lista e ir marcando cada easter egg conforme assiste ao filme (risos). Esse é o mundo de Halliday e é um jeito de ser nostálgico de forma inteligente.

+ Jogador Nº1 é um dos melhores filmes de Spielberg

 

No início de sua carreira, você imaginaria fazer parte das suas franquias preferidas?

Simon Pegg: Nunca imaginei estar em Star Wars, Star Trek e Jogador Nº1. Quando fizemos Todo Mundo Quase Morto, com um orçamento bem baixo, esperávamos que vissem apenas no Reino Unido e não imaginávamos a recepção que tivemos ao redor do mundo. Foi incrível ser obter uma boa recepção em tantos lugares. J.J. Abrams viu, adorou e me chamou para Missão Impossível 3 e nos tornamos amigos, assim fui parar em Star Trek e Star Wars. Tive muita sorte, participei de franquias que amo. Mundos que adoro como espectador e de repente me vi parte deles. Em Star Trek até escrevi roteiro, é incrível. Nunca poderia imaginar como as coisas seguiriam, a menos que fosse muito arrogante (risos).


A Realidade Virtual e realidade aumentada estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, como é tratar de um filme sobre isso neste momento?

Simon Pegg: Esse filme foi feito num momento muito pontual. A ideia de viver num mundo virtual mais apelativo que o nosso é algo cada vez mais plausível. Por sinal, nosso mundo real tem se tornado cada vez pior, algo que vimos acontecer nos últimos meses, então acho que é um filme para o futuro, até porque não é tão difícil o mundo de 2045 estar parecido com o que vimos nesse longa. Espero que as pessoas falem disso e vão falar com certeza.


O que acha do espaço que Hollywood têm dado para as protagonistas femininas? Antes tarde do que nunca?

Simon Pegg: Finalmente as pessoas têm entendido que as mulheres também gostam de fantasia e ficção científica, além do fato de que os homens gostam de ver mulheres fortes como protagonistas. Eu, particularmente, acho muito inspirador ver personagens femininos fortes. Não só para as mulheres se relacionarem com elas, mas também para os homens lembrarem que mulheres são fortes. Jogador Nº1 tem reviravoltas interessantes nesse sentido, porque no Oásis você pode projetar sua imagem como quiser e ser bem diferente no mundo real, embora o personagem seja você, simbolize quem você é. Na minha infância entre os meus heróis estavam Barbarela e Princesa Leia.

Simon Pegg em Star Wars


O que é ser um geek na sua visão?

Simon Pegg: Ser um geek é ser um entusiasta e não se envergonhar de gostar de algo que pode ser visto como infantil, por ser fantástico ou escapista. Ser geek é amar o que ama de forma aberta e dividir esse amor com outras pessoas que se sentem da mesma forma em relação a algo. É possível ser geek sobre qualquer coisa: esportes, carros, cultura pop. Não é só sobre heróis e naves espaciais, pode ser aplicado a qualquer coisa. É amar o que amamos e não sentir vergonha disso.


Para quem quer conhecer melhor ficção-científica, quais filmes você indicaria?

Simon Pegg: Acho que os filmes do gênero que você precisa conhecer são: Star Wars, Blade Runner e eu poderia falar por horas sobre isso, mas acho que Star Trek, tanto filmes como séries, 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Tudo desde Duna a Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Adoro A Chegada, que é mais recente e mais moderno. Adoro Minority Report, a última ficção científica do Spielberg, de 11 anos atrás. Essas coisas estão começando a acontecer de certa forma, ele é muito bom em prever esses futuros próximos. Filmes como esses são ótimos para entender o gênero, mas vou parar por aqui, porque precisaria rever minha lista com cuidado. São muitos! (risos).

Veja o trailer do filme: