Jogador Nº1: "Tenho uma relação íntima com a nostalgia", revela Spielberg em entrevista exclusiva

Diretor fala Jogador Nº1

29/03/2018 12h00

Por Daniel Reininger

Steven Spielberg (E.t. - O Extraterrestre) retorna às aventuras com Jogador Nº1, filme baseado no livro de Ernest Cline. Com uma trilha sonora variada e incrível, muitos efeitos e nostalgia, o longa se destaca como um dos melhores já feitos pelo diretor. E batemos um papo com o mestre do cinema sobre seu novo longa. Confira:

Há uma mistura espetacular de músicas no filme. Como definiram a trilha? E chegaram a usar músicas também no set?

STEVEN SPIELBERG: Toquei muito Bee Gees no set no primeiro dia [risos].

Tenho uma história interessante com a trilha. Tye estava extremamente nervoso no primeiro dia e mandei todo mundo embora para filmar só com ele. Perguntei se ele havia trabalhado na caminhada de Perzival, e expliquei que era "como John Travolta no começo de Embalos de Sábado à Noite. Você sabe, com um certo orgulho". Peguei o telefone, coloquei 'Staying Alive' dos Bee Gees e gravamos. E você pode ver essa caminhada, porque ela está no filme.

Mas tenho que admitir que a maioria das músicas vieram de Zak Penn e Ernie Cline, da playlist deles.


Steven, há muitas referências neste filme; como você conseguiu os direitos para tudo isso?

STEVEN SPIELBERG: Kristie Macosko, que junto com Donald De Line e Dan Farah produziu o filme, provavelmente pode responder a essa pergunta melhor, porque Kristie passou três anos com a equipe legal da Warner Bros. conseguindo os direitos. E não conseguimos todos eles. Eles não liberaram os direitos de Star Wars como gostaríamos.

+ Cofira as referências presentes no longa


Os efeitos especiais mudaram muito nos últimos 30 anos. Você já pensou em voltar e refazer digitalmente algumas cenas de E.T. o Extraterrestre, como George Lucas fez com Star Wars?

STEVEN SPIELBERG: Bem, eu realmente me meti em problemas por fazer isso. Quando E.T. foi relançado, digitalizei cinco cenas em que E.T. passou de um fantoche para um boneco digital. Também substituí as armas do F.B.I. em uma tomada por walkie-talkies. Então, há uma versão muito ruim do E.T. na qual segui a ideia de Star Wars e fiz alguns retoques no filme. E naqueles dias, as mídias sociais não eram tão fortes como hoje, mesmo assim as redes explodiram com reações negativas sobre arruinar o filme favorito das crianças, entre outras coisas [risos]. Então, aprendi uma grande lição e decidi não mexer mais com o passado. O que está feito, está feito, e eu nunca vou voltar para outro filme que fiz para tentar melhorá-lo ou mudá-lo.


Você se considera uma pessoa nostálgica?

STEVEN SPIELBERG: Essa é uma ótima pergunta porque tenho uma relação íntima com a nostalgia. Quando eu tinha 11 ou 12 anos, comecei a fazer filmes 8 mm da minha família em viagens de acampamento no Arizona. Quando a fita de vídeo chegou, comecei a gravar vídeos. E usava minha câmera 8mm para fazer filmes e gravar momentos com [Francis Ford] Coppola, [George] Lucas, [Martin] Scorsese e [Brian] De Palma, quando éramos jovens nos anos 70. Tenho algo como 60 horas de filmagens de todos nós crescendo e fazendo filmes juntos, o que um dia pode virar um documentário interessante - se eu puder obter os direitos desses caras - provavelmente 80% das filmagens, eles não iriam querer liberar para o público [risos]!

Hoje, faço todos os vídeos da minha família crescendo. Tenho um ótimo editor, Andy, em nosso escritório, e ele monta o vídeo anual da minha família com todos os meus filhos, neto. Todos os anos temos pequenas exibições desses filmes. É a tradição anual da família. Então, eu basicamente vivo de nostalgia e essa pode ser a principal razão pela qual reagi positivamente ao livro de Ernie e ao roteiro de Zak. Porque tenho vivido assim pela maior parte da minha vida [risos].

Veja o trailer do filme: