Operação Big Hero: Diretor e Produtor falam da relação com Marvel e surpresas do filme

Roy Conli e Don Hall falam da primeira animação da Disney adaptada de um quadrinho Marvel

16/12/2014 14h04

Por Daniel Reininger

Operação Big Hero é a primeira animação da Disney a adaptar ao cinema um grupo de heróis da Marvel Comics. Embora não tenha nada a ver com o universo cinematográfico dos Vingadores, o filme possui muitos elementos comuns à Casa das Ideias, afinal tem a qualidade de uma animação Disney, "com o DNA da Marvel". Para saber mais sobre esse grande lançamento, conversamos com o produtor, Roy Conli, e o diretor, Don Hall, em sua visita a São Paulo.

Roy e Don garantem que podemos esperar algo nunca visto antes. "Operação Big Hero tem ação comparável aos filmes da Marvel e todo o humor que esperamos da Disney", revela o cineasta. O longa acompanha Hiro Hamada, jovem prodígio da robótica e seu companheiro Baymax. Quando eles descobrem uma conspiração criminosa para roubar uma tecnologia inovadora, eles reúnem uma equipe de gênios para salvar San Fransokyo.

Com ótimo equilíbrio entre comédia, ação e momentos dramáticos, Operação Big Hero cumpre a promessa do diretor. "Sabíamos da importância de encontrar o tom certo, queríamos que fosse engraçado e tivesse muita ação para os fãs da Marvel, afinal eu mesmo sou um fã da Marvel. Entretanto, também queríamos que a trama tivesse profundidade, pois essa é uma história sobre perda. Fazer tudo isso funcionar foi muito difícil. Tudo está no equilíbrio", diz Don.

Operação Big Hero

"É interessante. É um filme animado da Disney com DNA da Marvel. Visualmente é algo novo, tivemos que reestruturar nossas ferramentas de iluminação para fazer a luz passar por Baymax, ou criar o por do sol mais espetacular que você já viu, e isso, aliado a uma grande história, ajuda a criar bons filmes, ainda mais quando temos cineastas maduros como Don e Chris Williams (codiretor do longa)", completa o produtor.

Marvel + Disney

A dupla é fã de quadrinhos e isso ajudou na adaptação. "Ainda lemos hoje em dia, meu personagem favorito é o Thor", afirma Roy. "Cresci lendo HQs nos anos 70 e nunca parei, é o que amo, é o que me fez trabalhar com desenhos e animação. Li muito Quarteto Fantástico, principalmente quando John Byrne assumiu, também adoro Capitão América. Por isso, trabalhar com Operação Big Hero foi a realização de um sonho", conta Don.

Esse amor foi recompensado com a participação especial de um ícone das HQs na cena pós- créditos – cuidado spoilers adiante. "Sempre gostamos da ideia de Stan Lee ser pai de Fred (um dos heróis) e durante o filme podemos vê-lo em um quadro. Mas quando eu e Chris assistimos Guardiões Da Galáxia, percebemos que as pessoas ficam até o final para ver a cena pós-creditos dos filmes da Marvel. Foi aí que decidimos que queríamos proporcionar essa mesma experiência. Isso foi em agosto e o filme sairia em novembro nos Estados Unidos - muito tarde para criar uma cena totalmente nova em animações. Chris fez o storyboard, rimos com a ideia, e decidimos dar um jeito. Conseguimos que Stan Lee dublasse e, para mim, como fã, foi demais trabalhar com ele", revela Don. Fim dos spoilers.

Operação Big Hero

Embora o filme tenha personagens e elementos clássicos da Casa das Ideias, a empresa nunca exigiu nada. "Joe Quesada e Jeff Lowell (Executivos da Marvel) estavam presentes a cada exibição preliminar e, em seguida, tínhamos discussões sobre como melhorar a narrativa. Essas conversas foram importantes, afinal eles conhecem esses personagens como ninguém, mas também sempre entenderam que esse seria um filme Disney. Eles nunca pediram nada especial, apenas que fizéssemos algo bom. A filosofia das empresas é parecida. Nunca ninguém diz a um diretor como algo precisa ser feito", explica Roy. "Eles se tornaram nossos amigos e nos ajudaram a colocar alguns Easter Eggs aqui e ali, mas nunca fizeram exigências", completa Don.

San Fransokyo

Quem for ao cinema a partir do dia 25 de dezembro, vai reparar que a cidade onde a aventura é ambientada mistura São Francisco e Tóquio, tudo para manter o clima da obra original, criada para o mercado japonês, e ser facilmente reconhecível por crianças do mundo todo. "Decidimos criar nosso próprio mundo, apesar de não fazer parte da MCU, Nova York já é o playground dos filmes da Marvel, então escolhemos São Francisco por seus famosos monumentos. Além disso, queríamos algo com clima da capital japonesa, então juntamos as duas cidades para criar algo novo e divertido", diz Don.

Sequência

Os dois ainda não pensam na continuação e só querem férias. "Todos estavam apaixonados por esse filme e o fizemos em três anos e meio, normalmente uma animação demora de quatro a seis anos para ficar pronta. No final da produção, trabalhávamos por longas horas e não tínhamos tempo para pensar no futuro. Quando voltarmos, pensaremos melhor nisso. Quem sabe, de repente até Stan Lee pode ser um dos protagonistas dessa vez. Quem sabe o que virá por aí", finaliza Roy.

Veja o trailer:


OPERAÇÃO BIG HERO por cineclick