Ressurreição: "Sinto que minha fé está mais fundamentada", diz Joseph Fiennes

Filme está em cartaz nos cinemas

18/03/2016 15h24

Por Rebeca Tosta

Como acreditar que um homem considerado um falso profeta seria capaz de voltar à vida? Como compreender que seu corpo sumiu sem explicação? Em Ressurreição, Joseph Fiennes vive um romano que é enviado para investigar o desaparecimento do corpo de Jesus. Para isso, somos levados a imaginar o que aconteceu com os apóstolos depois que Cristo foi sepultado.

Apesar dessa nova ótica, o filme se mantém fiel às escrituras bíblicas. No entanto, o ator deixa claro que é preciso estarmos atentos a respeito de onde a religiosidade nos leva. Em entrevista ao Cineclick, Finnes e María Botto (Maria Madalena) conversaram a respeito de seus personagens e do que significou participar da produção.

Reconhecendo sua fé

No longa, Joseph Fiennes vive Clavius, um militar romano que é designado por Pôncio Pilatos a provar que Cristo está realmente morto, diferente do que dizem seus seguidores. No entanto, no meio de sua investigação, ele se depara com Yeshua, nome hebreu de Jesus, junto aos seus apóstolos. É neste momento que o ceticismo do personagem é colocado à prova.

No longa, Clavius viu não só a crucificação de Jesus como também se certificou que ele foi colocado em sua sepultura. Por isso, é um verdadeiro choque se deparar com o mesmo homem vivo. Quando questionado sobre como foi viver um personagem que passa por esse momento de conversão e o que isso significou para sua fé em especial, o ator lembrou-se do caminho trilhado na questão da espiritualidade.

"Participar do filme, conversando com membros da igreja e tendo um feedback, todas as experiências de gravar e atuar me ajudaram a afinar meu diálogo em torno de minha ", recorda-se. Quando jovem, Fiennes se declarava agnóstico. No entanto, hoje ele vê suas crenças de uma maneira mais madura. Sinto que, nesse período da minha vida, minha fé está mais fundamentada", justifica.

Longe de uma fé cega

Apesar de parecer tão consciente sobre suas questões de fé, Fiennes participa de um longa que trata a ressurreição através da versão já apresentada na Bíblia e não chega a questionar dogmas. Afinal, seu personagem, por mais cético que fosse, também passa acreditar no milagre de Jesus e se torna uma espécie de testemunha ocular de tudo. Isso poderia parecer contraditório, mas para o ator saber se questionar é o mais importante.

Clavius é um provocador no filme e vive uma espécie de provação para ter fundamentada a sua fé em Cristo. Para o ator, o mesmo nós devemos fazer a respeito de nossa religiosidade e crenças. Temos que observar atentamente se esmos sendo condicionados a crer em algo ou se temos embasamentos para isso.

Além disso, também há um outro lado que pode não concordar com a forma que os acontecimentos foram narrados. Para estas pessoas, Fiennes prefere salientar que qualquer filme é uma adaptação que precisa se preocupar não só com a história, mas com luzes, câmeras e ângulos, por exemplo.

Ressurreição

Uma mulher forte

Na pele de Maria Madalena, a argentina María Botto conta que sempre teve uma admiração pela personagem. "Sempre a vi como uma mulher forte", conta. A luta que ela precisou travar para expressar a sua fé é muito lembrada pela a atriz. No entanto, ela não acha que temos a total noção de como foi essa mulher que esteve ao lado de Jesus.

Botto não chegou a citar que imaginar que a personagem tenha tido uma relação com o judeu, quanto a isso, ela deixa claro que o roteiro segue uma linha de raciocínio que ela acredita. Mas que, apesar de todos os indícios que temos na Bíblia, a atriz imagina que ela não tenha sido exatamente uma prostituta. "Penso que ela era uma mulher mais culta", explica.

Cena marcante

Fazer parte de um épico pode realmente marca a vida de um ator. E, para os dois, a cena que fizeram juntos foi bastante intensa. A atriz explica que estar ao lado de Fiennes foi muito importante. "Ele é tão generoso, é um ator incrível", destaca.

O filme está em cartaz em todo o Brasil. Leia a nossa crítica.