Se Eu Ficar: Confira entrevista exclusiva com o diretor R. J. Cutler

Diretor disse que pensou o filme como uma montanha russa de sentimentos e elogiou dedicação de Chloë Grace Moretz

05/09/2014 10h59

Por Gustavo Assumpção

R. J. Cutler não tem uma grande carreira no cinema. Seus trabalhos de maior sucesso aconteceram na TV. Agora, com a adaptação Se Eu Ficar, o diretor enfrenta um grande desafio: agradar uma legião de fãs do livro e contar uma história emocionante.

O longa acompanha história de Mia Hall (Chlöe Grace Moretz), adolescente apaixonada por seu violoncelo que se envolve com Adam (Jamie Blackley) até o acidente de carro que levou à sua morte, aos 17 anos de idade. Em coma, ela terá que decidir se volta ou não para o mundo dos vivos.

"Espero oferecer a mesma emoçãode uma montanha russa", disse na entrevista exclusiva abaixo:

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Quando você chamado para adaptar Se Eu Ficar, o que mais chamou a sua atenção sobre o livro?

Eu tive uma experiência incomum. É claro que amei os personagens, adorei Mia. Amei seu relacionamento com a família, a forma com que ela e Adam se entendiam e se relacionavam. Durante as apresentações que tivemos até o momento, as pessoas tem sentido algo semelhante a mim. Acho que tem a ver com o fato de que o filme toca em algo muito profundo e mítico, algo comum a todos nós, e isso é feito através do amor. É muito poderosa a experiência emocional de ler o livro e eu pensei que seria muito divertido repetir isso no filme. Houve uma grande oportunidade para encaixar a música no longa e bons papéis para os atores, estou muito animado com isso.

"(...) o filme toca em algo muito profundo e mítico, algo comum a todos nós, e isso é feito através do amor"

Conte-me sobre Mia e quais são as qualidades que Chloë Grace Moretz trouxe para este personagem?

Eu conheci Chloë um ano antes para falarmos sobre outro projeto. Desde a primeira vez que a vi, nos demos muito bem. Ela tinha lido o livro todo e realmente teve uma resposta sobre ele. Logo no primeiro encontro uma das coisas que falamos foi sobre como amamos o livro. Também falamos sobre como a música era importante – para ela, para mim e para a história. Mas o mais legal é perceber como ela tem muito a ver com a personagem. As duas são crianças prodígio, tiveram que trabalhar duro para desenvolver o seu talento e isso é parte da essência do que elas são.

Chloë falou sobre um "violoncelo fantasma" que a acompanhou por toda a Europa enquanto ela estava filmando outros filmes. Como foi isso?

Chloë é uma atriz muito ocupada, acho que ela fez seis filmes no ano passado e não tem muito tempo livre, por isso passou dois meses estudando violoncelo todos os dias enquanto gravava outros projetos. Foi muito importante que ela se sentisse o mais confortável possível com o violoncelo. Quando esteve na Europa, estava com seu violoncelo. Quanto esteve me Boston também usou um violoncelo. E, certamente, quando ela estava em casa em Los Angeles, houve um violoncelo em sua companhia. Ela inclusive tinha lições por Skype com sua professora.

Se Eu Ficar

Você pode falar sobre a escolha de Jamie Blackley para interpretar Adam e a química que parece evidente desde a primeira cena?

Este filme não funcionaria se não houvesse uma ligação profunda entre Adam e Mia, porque essa ligação evidencia as diferenças entre eles. Ele é mais velho e experiente, ele é um astro do rock, todos o conhecem. Ele parece destinado a algo grande. Ela é introvertida, uma musicista clássica. Ela tem poucos amigos e passa desapercebida pelos corredores da escola. Você espera que essa ligação entre os dois seja palpável. Como todos sabemos, levando em consideração nossos relacionamentos, você tem isso isso com algumas pessoas e você não tem com outras. Chloë e Jamie têm. Foi imediato.

E, claro, Jamie, tem tantos outros aspectos, era um Adam perfeito. Ele tem essa persona da estrela do rock, mas também tem uma sensibilidade real. Você poderia acreditar muito facilmente que os dois se apaixonam de uma maneira verdadeira.

Como é trazer a experiência que você e tantos leitores tinham com o livro para o cinema?

Eu queria ter certeza de que os momentos que eu localizei nas relações entre Mia e Adam fossem transportadas para fora do livro. Minha formação é em teatro e em documentário e eu gostaria de citar um dramaturgo, o David Mamet, que certa vez disse: "Diga sempre a verdade. É a coisa mais fácil de lembrar". Quando estava na sala de edição eu só conseguia pensar: "O que realmente aconteceu?".
No caso de Se Eu Ficar isso significava pensar o que estava no livro, essa era a grande realidade. Assim, o livro foi a fundação de todo o projeto: produção, figurino, música, a dinâmica entre os personagens, tudo.

Quais as emoções que você espera passar para os espectadores em Se Eu Ficar?

Eu descrevo este filme como uma montanha-russa, é uma viagem muito rica. Então eu quero que os espectadores possam ter todas as experiências que se tem em uma montanha-russa, as emoções, calafrios, voltas e reviravoltas, surpresas e emoções, alegria, e, em certos momentos, terror. Eu quero que eles tenham um grande momento no cinema.