Pôster Transtorno Explosivo

TRANSTORNO EXPLOSIVO

(Systemsprenger)

2019 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/10/2020

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nora Fingscheidt

    Equipe técnica

    Roteiro: Nora Fingscheidt

    Produção: Frauke Kolbmüller, Jakob Weydemann, Jonas Weydemann, Peter Hartwig

    Fotografia: Yunus Roy Imer

    Trilha Sonora: John Gürtler

    Estúdio: Kineo Filmproduktion, Oma Inge Film, Weydemann Bros., ZDF/Das kleine Fernsehspiel

    Montador: Julia Kovalenko, Stephan Bechinger

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Albrecht Schuch, Amelle Schwerk, Asad Schwarz, Barbara Philipp, Fine Belger, Gabriela Maria Schmeide, Gisa Flake, Helena Zengel, Imke Büchel, Jana Julia Roth, Lisa Hagmeister, Louis von Klipstein, Maryam Zaree, Matthias Brenner, Melanie Straub, Roland Bonjour, Sashiko Hara, Tedros Teclebrhan, Victoria Trauttmansdorff

  • Crítica

    24/09/2020 17h56

    Por Thamires Viana

    Transtorno Explosivo é um daqueles filmes que trazem uma temática forte e poderosa embalada em um ritmo acelerado para contar sua história. Com direção de Nora Fingscheidt, o longa acompanha Benni (Helena Zengel), uma menina de nove anos com comportamento agressivo e imprevisível que está sob os cuidados do serviço social.

    Com o roteiro escrito pela própria Nora, o filme mergulha na mente revoltada da criança para tentar - em vão - compreender os motivos que desencadeiam seus traumas. Deixada pela mãe em uma instituição, Benni não pode ser contrariada por ninguém, ou então explode em uma fúria envolvendo palavrões e agressões físicas. Devido ao abandono, a jovem criou uma espécie de carência fora do limite, e isso é potencializado a cada mudança de ambiente enfrentada por ela.

    Ao longo de 120 minutos, a diretora intercala momentos de brutalidade com a inocência comum de uma garota da idade de Benni, equilibrando sua abordagem entre o descaso da sociedade em relação aos transtornos mentais e as consequências causadas pela desestruturação familiar. Dessa forma, Transtorno Explosivo se divide em dois caminhos diferentes, levando o público a buscar uma forma pessoal de interpretar essa história. Seria a garota realmente doente ou o desamparo familiar a deixou revoltada em um nível irreversível? 

    No decorrer da trama, a carência da criança é ilustrada com a presença de Michael Heller (Albrecht Schuch), um especialista em controle de raiva que trabalha na instituição, a quem ela se apega imediatamente e cria um laço delicado de convivência. Enquanto cada passo de Benni gera apreensão em Michael, o público é conduzido a se sentir da mesma forma, temendo que a garota exploda em fúria a qualquer sinal de descontentamento com alguma situação.

    É também dessa relação ilusória de pai e filha que vemos os momentos mais delicados do longa, com Benni correndo livremente por um campo enquanto se sente segura com o tutor provisório. Nas cenas, fica claro o objetivo da diretora em trazer à tela a doçura presente dentro de Benni, nos fazendo lembrar que apesar de todas situações descontroladas e impulsivas, ela é apenas uma criança que precisa de amor e atenção.

    Sem deixar claro os demais traumas que levaram Benni ao extremo, Transtorno Explosivo se distancia do julgamento: não há punição para as atitudes da criança e nem para a mãe que a abandona, da mesma forma em que não há verdade absoluta sobre o que de fato acontece na vida de ambas. É um misto de diagnósticos incertos e ruptura familiar que transforma a criança em um grande perigo para todos ao redor, explodindo em busca de liberdade e compreensão. 

    De todas as formas, Transtorno Explosivo traz ao público uma reflexão sobre como o desamparo e falta de afeto podem gerar desastrosas situações na vida de uma pessoa, além de tentar inserir delicadas críticas à falta de entendimento com transtornos psicológicos que vêm se tornando cada vez mais comum na nossa sociedade.



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