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    No TOP 5 do mundo, '7 Prisioneiros' denuncia mais do que entretém

    Novo filme estrelado por Rodrigo Santoro está no topo das produções mais assistidas da Netflix
    Por Flávio Pinto
    16/11/2021 - Atualizado há 15 dias

    Há uma cena de 7 Prisioneiros, novo filme da Netflix, em que Christian Malheiros se vê em uma sinuca de bico em relação ao seu ofício clandestino e seus colegas de trabalho. 

    Após uma radical transformação, ele tenta rapidamente se reintegrar com os outros funcionários do ferro-velho em São Paulo, no qual trabalhava, mas é tarde demais. 

    Essa mesma impressão de "tarde demais" também é comum durante o meio do filme, quando a trama já se embaraçou o suficiente a ponto de desprender totalmente o público da tela. 

    Embora com um tema universal e importante, 7 Prisioneiros, de Alexandre Moratto (Sócrates), quer denunciar até demais — partindo para um caminho extremamente dramático (mas sem o escopo para tal), perdendo um pouco da "realidade" que quer tanto retratar. 

    Enredo de 7 Prisioneiros

    Em busca de uma vida melhor, Mateus (Christian Malheiros), um rapaz humilde de uma cidade pequena, e outros jovens aceitam trabalhar em um ferro-velho na cidade de São Paulo com a promessa de mudar de vida e conseguir prover para suas respectivas famílias. 

    Porém, todos logo percebem que foram enganados e caíram em uma rede de trabalho escravo. Após sofrer muitos abusos e humilhações, e olhar friamente para esse cenário, Mateus decide se unir ao seu captor (Rodrigo Santoro) e se tornar seu braço direito, mesmo sofrendo com grandes conflitos morais. 

    Opinião

    Mesmo com uma temática universal e envolvente até certo ponto, o filme (infelizmente) cai logo na caricatura. É muito fácil abordar a questão do trabalho escravo partindo para filmagens e sequências rasas sobre os limites da crueldade humana. 

    Contudo, em momento algum a produção faz um favor de tentar aprofundar ou mostrar quem aquelas pessoas são — especialmente dos prisioneiros do título, em especial do jovem Mateus. O que poderia ser um personagem muito desenvolvido, tentando lidar com conflitos humanos e reais, o personagem apenas serve como um contraponto não muito satisfatório para a narrativa. 

    Embora conte com boas atuações, especialmente a de Santoro, o filme cai nas mesmas armadilhas que Sócrates, outro filme de Moratto — e também estrelado por Malheiros.  

    Oscar?

    Mesmo com esses problemas estruturais, 7 Prisioneiros era apontado como o favorito na disputa pela vaga como o filme brasileiro a representar o nosso país do Oscar.

    Essa aposta foi feita em base somente da distribuição da Netflix e a presença de Rodrigo Santoro, indiscutivelmente o ator brasileiro com maior destaque nos Estados Unidos, no elenco. 

    Concorrendo contra filmes como Desperto Particular, de Aly Muritiba, Medida Provisória, de Lázaro Ramos, e Carro Rei, de Renata Pinheiro.

    Deixando a qualidade do título de lado, talvez o Brasil tivesse mais chance com o próprio 7 Prisioneiros do que com Deserto Particular.

    Veja, a disputa do Oscar é mais ancorada por lobby do que por qualidade. Embora com defeitos gritantes, 7 Prisioneiros tem uma trama chamativa demais para passar batida, considerando que a temática de trabalho escravo é importante e um filme-denúncia poderia ser bem acolhido. Isso sem nem mencionar o trabalho de divulgação que a Netflix tem feito por todos os seus filmes nos últimos anos — e a produção nacional poderia muito bem cair nesse balaio.

    De qualquer forma, vamos continuar a torcida por Deserto Particular — e que o cinema nacional rapidamente consiga elucidar uma trama tão importante quanto esta com uma produção menos equivocada.

    Como assistir à 7 Prisioneiros?

    7 Prisioneiros, estrelado por Rodrigo Santoro e Christian Malheiros, com direção de Alexandre Moratto, está disponível pela Netflix.

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