A importância de heroínas para inspiração e empoderamento feminino

A chance para as meninas dessa geração se sentirem representadas nas telas

15/05/2020 15h45 (Atualizado em 27/11/2020 14h22)

Por Thamires Viana

Nos últimos anos, as discussões sobre empoderamento feminino garantiram espaço na sociedade devido ao avanço do feminismo, movimento que busca a equidade de gêneros em todas as atividades sociais e econômicas. Essa autonomia feminina visa o fortalecimento e o crescimento do papel das mulheres na sociedade atual, defendendo a garantia de direitos e normalizando a presença delas em atividades que, historicamente, eram comuns apenas para os homens.

A representatividade é outro ponto que traz à tona a importância das mulheres ocuparem espaços e profissões cada vez mais diversificados, criando um novo retrato feminino que inspira a nova geração de meninas e mulheres.

Televisão

Um exemplo recente de representatividade mostrado na TV foi da campeã do BBB 20 Thelma Regina. A Thelminha, popularmente conhecida durante o reality, foi citada em milhares de matérias e redes sociais como uma mulher que serviu de inspiração para outras. Negra e de origem humilde, a médica anestesiologista levantou a bandeira contra o racismo e falou diversas vezes no programa sobre as dificuldades da mulher na sociedade, além de pontuar a quebra de esteriótipos sendo a única negra em sua turma de medicina.

Ao sair vitoriosa do reality, Thelma falou sobre ter se tornado um exemplo de perseverança e inspiração para outras mulheres: "Quero ser o incentivo que mulheres pretas precisam para superar e vencer", disse ela em entrevista ao GShow.

Cinema

No mundo do cinema, mais especificamente o universo dos super-heróis, o assunto também vem sendo abordado com mais frequência, com estúdios entendendo a importância de se trazer mais representatividade feminina nas telonas. 

Tudo bem que mulheres protagonistas no cinema não é mais uma novidade, mas foi só em 2019 que uma heroína passou a fazer parte do Universo Cinematográfico da Marvel, por exemplo. Capitã Marvel foi um grande avanço para o estúdio que trazia produções majoritariamente masculinas desde a estreia de Homem De Ferro, em 2008. 

E por que precisamos de mais super-heroínas?

Em 1980, há 40 anos, a atriz Whoopi Goldberg falou em uma entrevista sobre a importância de ter visto a tenente Nyota Uhura (Nichelle Nichols) na série Star Trek e lembrou a emoção de correr pela casa e chamar a mãe para ver que tinha uma mulher negra na televisão que não estava intepretando uma empregada. Logo, a jovem garota entendeu que poderia ser o que quisesse.

A história dela nos faz pensar em como a representatividade feminina nos filmes de herói ainda é baixa se compararmos com o número de homens que assumem esse papel nos cinemas. Até pouco tempo atrás elas não estavam protagonizando os títulos lançados no universo dos super-heróis, apesar de todo o poder exercido por elas como coadjuvantes nas produções.

Cada vez mais as mulheres têm enchido salas de cinema para conferir os novos lançamentos do gênero e o fato de trazer para os cinemas heroínas cheias de poderes destaca a preocupação do estúdio em fazer as fãs se sentirem representadas. Isso faz toda a diferença, já que há anos as mulheres vêm saindo desse padrão machista de "dona de casa, mãe e esposa" para assumir cada vez mais o controle de suas próprias vidas no âmbito pessoal e profissional.

Felizmente, Mulher-maravilhaCapitã MarvelSupergirl e, mais recentemente Arlequina, assumiram o protagonismo nesse universo e deram às meninas dessa geração a chance de se sentirem representadas por super-heroínas nas telonas. E se tratando de Marvel, a chegada de Capitã Marvel e de Viúva Negra ao MCU quebra o jejum do estúdio que costumava trazer apenas homens no foco de suas produções.

Vale citar também que uma das melhores cenas de Vingadores - Ultimato é a reunião de mulheres na luta final contra o vilão Thanos. Aos poucos estamos sendo recompensadas pela ausência do poder delas em todas as outras produções do gênero. 

Vai além da representatividade

O machismo dentro e fora das telas é outro tema que precisamos abordar quando falamos de mulheres estrelando filmes de super-heróis. As produções costumam ser duramente criticadas pelo público antes mesmo de seus lançamentos. Na época da escolha de Brie Larson para o papel de Capitã Marvel, alguns diziam que não era necessário trazer a heroína para as telas, enquanto outros desdenhavam da escolha da atriz para interpretar o papel. No ano da estreia, as críticas se basearam em dizer que o filme se sustentava no "lacre" da estúdio em querer que todos sejam representados. 

Aves De Rapina - Arlequina E Sua Emancipação Fantabulosa também recebeu críticas antes e depois de chegar às telas. Na época do anúncio, alguns comentários afirmavam que a personagem não seguraria a "bronca" sem estar o lado de Coringa, e após o lançamento, houveram críticas sobre a abordagem da anti-heroína e de sua equipe de mulheres.

No entanto, o longa marcou outra grande mudança dentro desse cenário: a quebra da fetichização. Com o filme surgiu também um visual diferente para Arlequina, que passou a não ser mais vista como um objeto de desejo. Margot Robbie, atriz que vive a personagem, havia discutido o quão desconfortáveis eram suas roupas para o Esquadrão Suicida e assumiu a escolha dos trajes para Aves de Rapina.

"É o que acontece quando você tem uma produtora, diretora e escritora por trás do projeto", disse Erin Benach, figurinista do filme lançado em 2019. 

Ainda é uma dura batalha para que passem a acreditar mais no potencial de um filme com elas no comando, mas os números de bilheteria vêm provando que as mulheres podem dominar as telas, sim, e todos os outros lugares que quiserem. E como a própria Larson mencionou em seu painel na Comic Con Experience 2018: "Isso é só o começo!"

Veja também: Opinião: Por que o salário das mulheres ainda é menor em Hollywood?


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