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    A Mulher que Amou o Vento: Experimentalismo não passa de sopro débil

    Filme exibido na Mostra Tiradentes é pretensão jogada ao vento
    Por Roberto Guerra, enviado especial a Tiradentes
    30/01/2014
    A Mulher que Amou o Vento

    A Mostra Tiradentes de Cinema sempre se caracterizou por ser um espaço aberto ao experimentalismo cinematográfico. Lugar onde cineastas podem expressar sua inquietação formal e exibir produções que desafiam o status quo cinematográfico por assim dizer. Isso é bom, bem-vindo e de vez em quando surge um nome com algo a dizer por meios atípicos. Mas isso é raro.

    O evento mineiro exibiu na noite desta quarta-feira (29) o longa A Mulher que Amou o Vento, de Ana Moravi, dentro da Mostra Aurora, espaço dedicado a cineastas iniciantes com propostas inéditas e ousadas. Mas não há nada de original ou audaz neste filme. A despeito das belas imagens captadas, o longa é tão impalpável e fugaz como um de seus protagonistas, o vento.

    A personagem central é uma jovem moradora da zona rural que tem relação visceral com o vento. Ela não diz palavra ao longo do filme; uma voz em off vai narrando de forma poética suas impressões em relação a seu misterioso objeto de desejo. A bela moça vaga pelos campos que cercam o pequeno casebre onde mora levando consigo uma biruta vermelha. É através dela que sabe onde ele (o vento) está e para onde vai.

    Para se aproximar desse companheiro invisível e sempre presente ela faz uso não só da biruta, mas de cata-ventos, fitas e guizos que amarra à vegetação. É assim que tenta aproximar-se  dele, que materializa seu alvo amoroso. Em dado momento do filme, não precisará mais dos recursos. Uma dança, quase um intercurso sexual, marca a aproximação definitiva entre os dois.

    A Mulher que Amou o Vento é estético e vibrante em sua imagens, mas seu sopro criativo não passa disso: um sopro. Mesmo com 67 minutos de duração, torna-se longo por ser repetitivo. O filme se alterna redundantemente entre sequências com os pontos de vistas da jovem e do vento que a segue. Quando a câmera subjetiva exibe o olhar do vento, as imagens são negativas.

    A moça do interior apaixonada pelo ar em movimento, que um dia bateu em sua janela quando era menina, não tem nada de interiorana. Mora sozinha numa pequena casa nas montanhas, lava roupa numa bacia ou no rio, mas veste-se como uma espécie de hipster das montanhas – só faltou os óculos de armação colorida.

    Vestidinho impecável e botas (!). Sempre maquiada, batom, contorno de lábios e sombra. Mas parece uma personagem do contexto social subcultural da classe média urbana passando uns dias no mato. Fora de tom e frágil em sua verdade.

    Em dado momento o vento é personificado no filme. Ô ventinho sem sex appeal! Éolo, o deus grego das ventanias, soltaria um suspiro entediado se o visse. Todo o mistério, graça e encanto atribuídos a ele se anulam com sua representação física. Ao subir dos créditos, resta sair da sala, tomar uma brisa no rosto e esquecer.

    A 17ª Mostra Tiradentes de Cinema segue até 1ª de fevereiro. Informações sobre a programação no site: www.mostratiradentes.com.br