Adaptações no cinema: livros, videogames, quadrinhos e animações

Livros, videogames, quadrinhos e animações

25/09/2020 09h00

Desde seu início, as adaptações sempre estiveram presentes no Cinema. A adaptação de uma obra artística implica em adequá-la para uma nova mídia e para publicação e divulgação junto a um público diferente da original.

A primeira adaptação de que se tem registro na história do cinema é "Arrosage public", uma HQ muda, de humor simples, ilustrada por Uzès (pseudônimo de Achille Lemot), e publicada na revista Le Chat Noir #182, em 4 de julho de 1885.

Essa HQ tem um enredo simples, que se baseia num humor visual tipo pastelão: um sujeito está usando uma mangueira para limpar a rua e um garoto bloqueia a mangueira. Quando o sujeito corre atrás do menino, a mangueira ganha pressão e molha um vendedor numa loja.

Pode parecer estranho para os leitores de hoje, mas essa ideia foi copiada por uma dúzia de cartunistas e ilustradores na França e na Alemanha e foi adaptada para o cinema em três curta-metragens: "L'Arroseur", de Georges Meliès (1896); "L'Arroseur arrosé", de Alice Guy (1897); e "The Biter Bit", de James Bamforth (1900).

E, já então, os desafios do gênero eram evidentes - como a necessidade de redefinir seu formato, acrescentar ou remover informações e, efetivamente, adaptar a ideia para uma linguagem nova.

E algumas das principais fontes de adaptação do Cinema nos mostram justamente isso.

Intertextualidade: as adaptações literárias e o desafio da linguagem cinematográfica

Há uma infinidade de abordagens possíveis - por meio de novas mídias, gêneros e suportes - de obras canônicas da literatura.

As adaptações literárias, porém, dividem seus espectadores. De um lado, temos aqueles que acreditam que o Cinema "corrompe" as obras originais e que "o livro é sempre melhor que o filme". Do outro, aqueles que defendem as apropriações tomadas pelo cinema sobre as artes que lhe precedem.

Por outro lado, há aqueles que as consideram dignas e percebem de forma positiva o exercício criativo empenhado pelo cinema ao trazer suas próprias adaptações de outros gêneros, com as possibilidades de criação e abordagem estética que lhe são próprias, capazes de trazer uma nova roupagem às obras adaptadas.

Nesse sentido, não se preocupam tanto com a "fidelidade" da adaptação, mas com a ideia que será apresentada no novo formato.

Exemplos clássicos desses tipos de adaptações são:

Moby Dick (1956), de John Huston. Baseado no clássico da literatura universal de Herman Melville, publicado originalmente em 1851, o filme é centrado no capitão Ahab, que foi ferido por uma baleia branca. Com uma profunda sede de vingança, ele viaja pelos sete mares à procura do animal.

Alice no País das Maravilhas, escrito por Lewis Carroll e publicado em 1865, a história tem milhares de fãs em todo o mundo e conquista pelos mistérios e enigmas da narrativa. Não à toa, é considerada uma das obras mais consagradas do gênero literário nonsense. O livro conta a história de uma menina chamada Alice, que persegue um coelho apressado e cai em um buraco que a transporta para um lugar místico cheio de criaturas peculiares que misturam características humanas e fantásticas, como o Gato, o Chapeleiro e a Rainha de Copas. A famosa história já foi adaptada várias vezes para o cinema. A primeira delas foi 1903, em um curta-metragem para o cinema mudo. A mais recente, Alice No País Das Maravilhas (2010), produzida pela Disney, tem os com os atores Mia Wasikowska e Johnny Depp.

O clássico dos clássicos. Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick, é um dos títulos mais marcantes e citados da história do cinema, e é uma adaptação do livro de mesmo nome, do autor Anthony Burgess, lançado em 1962. Em 1971, foi adaptado para as telonas e conquistou uma legião de fãs.

O enredo se passa em uma Inglaterra futurista marcada pela violência e autoritarismo e conta a história de Alex, o protagonista, e sua gangue, que espalham o caos através de violência gratuita. Depois de ser preso e julgado por seus atos, Alex aceita fazer parte de um tratamento psiquiátrico que reduziria o tempo da sua pena. O longa questiona conceitos de moralidade, ética e outros assuntos sociais, políticos e econômicos. Com certeza, um filme que não perde a validade.

Imagem e expressão: a era dos quadrinhos nas adaptações

Um movimento um pouco mais à frente, o dos quadrinhos, mudou a forma como interpretar um texto e uma história - principalmente com o conceito de ilustração e das expressões exageradas dos personagens.

O material base agora é menos abstrato: temos o registro visual da história contada. E o cinema usa esse recurso a seu favor na hora de adaptar mais uma forma de expressão.

Assim, não demorou muito para que personagens como Flash Gordon, Buck Rogers, Mandrake e Fantasma chegassem às telonas.

Depois, surgiu um subgênero, o dos super-heróis, que trouxe Batman, Superman, Capitão América e outros ícones que formariam um movimento maior ainda: o da cultura pop.

Aliás, o filme Superman - O Filme, de 1978, foi o padrão de excelência contra o qual outros filmes tinham que competir durante algumas décadas.

Inspirados pelo sucesso de Superman, dezenas de adaptações de HQs pipocaram nos cinemas, como: Flash Gordon (1980), "Monstro do Pântano" (1982), Supergirl (1984), Conan, O Bárbaro (1982) e Conan, O Destruidor (1984); Howard: O Super-herói (1986), Justiceiro (1989), "As Tartarugas Ninja" (1990), Rocketeer (1991), O Corvo - 1994, O Sombra (1994), O Máskara (1994), "Juiz Dredd" (1995), "Barb Wire" (1996), O Fantasma (1996), Spawn, O Soldado Do Inferno (1997) e "Aço" (1997).

Esses filmes eram, em sua maioria, produções de baixo orçamento. Dessa leva, vale destacar os quatro filmes de Batman e Batman - O Retorno, dois de Tim Burton (1989 e 1992) e dois muito coloridos, Batman Eternamente e Batman & Robin, de Joel Schumacher (1995 e 1997), que são lembrados até hoje como exemplos dos excessos do gênero.

Quanto à evolução do gênero, muitos críticos consideram que a era moderna dessas adaptações começa com o filme Blade - Caçador De Vampiros, de 1998. Depois disso, o gênero se consolidou, com vários sucessos de público e crítica. Esse tipo de filme virou a "bola da vez" em Hollywood, com a era de ouro da Marvel nos cinemas.

O primeiro grande fenômeno veio em 2002, com Homem-aranha, depois de uma década de brigas judiciais da Sony para levar o herói à tela grande. O filme foi um estouro e rendeu mais duas sequências.

Em 2008, lançou o divisor de águas Homem De Ferro - e acertou na mosca: Robert Downey Jr. seria o protagonista. Poucas vezes, intérprete e personagem casaram de forma tão perfeita. "Homem de Ferro" foi um sucesso, fortaleceu a marca e foi a deixa para a Marvel começar seu universo compartilhado, conhecido como MCU (Marvel Cinematic Universe). A ideia é que os heróis habitam o mesmo mundo e, eventualmente, cruzam os caminhos.

Surgiram então filmes como O Incrível Hulk (2008); Homem De Ferro 2 (2010); Thor (2011) e Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), que desaguaram no antológico Os Vingadores - The Avengers (2012).

O sucesso de "Vingadores", junto à Disney, nova proprietária, abriu caminhos nunca antes trilhados para a Casa das Ideias. Veio Homem De Ferro 3 (2013), Thor: O Mundo Sombrio (2013) e Capitão América: O Soldado Invernal (2014) - todos foram além das bilheterias de seus antecessores.

Os US$ 780 milhões faturados pelos desconhecidos Guardiões Da Galáxia (2014) e o inesperado Homem-formiga (2015) provaram a força da marca. A essa altura, a Marvel já havia estabelecido uma rede intrincada de filmes e personagens, que funcionavam de maneira independente, mas complementar entre si.

A partir daí, veio só porrada: Vingadores: Era De Ultron (2015); Capitão América: Guerra Civil (2016); Doutor Estranho (2016); Guardiões Da Galáxia Vol. 2 (2017); Homem-aranha: De Volta Ao Lar (2017); Thor: Ragnarok (2017); Pantera Negra (2018); Vingadores: Guerra Infinita (2018); Homem-formiga E A Vespa (2018); Capitã Marvel (2019); Vingadores - Ultimato (2019); e Homem-aranha: Longe De Casa (2019).

A DC também resolveu investir em seu próprio universo de filmes de super-heróis, mas a competição já estava desnivelada: lançou "Homem de Aço" (2013); Batman Vs Superman: A Origem Da Justiça (2016); Esquadrão Suicida (2016); Mulher-maravilha (2017); Liga Da Justiça (2017); Aquaman (2018): Shazam! (2019); e Aves De Rapina - Arlequina E Sua Emancipação Fantabulosa (2020).

Todos eles eram adaptações de quadrinhos, repaginados para serem acessados por um novo público.

Quer conhecer mais sobre a história dos super-heróis nas telonas? Não deixe de conferir nosso artigo sobre a evolução do gênero.

E, embora a tecnologia e os valores de produção (elenco, efeitos, edição, cenografia) para esse tipo de projeto tenham alcançado padrões muito altos na última década, o que importa mesmo é o elemento humano.

Não basta saber fazer cinema; é preciso entender o mundo da adaptação e vice-versa para se produzir filmes que continuem a surpreender o público e a crítica.

Novas manifestações: repaginação das animações da Disney e a interatividade dos videogames

A "era de ouro das animações" da Disney começou ali no final dos anos 1980, quando A Pequena Sereia (1989) foi lançada e rapidamente virou um fenômeno global. Depois, vieram A Bela E A Fera (1991) e Aladdin (1992).

O Rei Leão, em 1994, por fim, viria para canonizar o gênero. Essas animações fizeram a Disney se reencontrar e se modernizar após um longo período de produções que não faziam sucesso.

30 anos depois, a bola da vez é uma metalinguagem dessas produções. Uma repaginação dos clássicos, com ares modernos e que apelam para a nostalgia de quem cresceu acompanhando essas animações - tudo com muita tecnologia.

Nesse contexto, muito se fala sobre um movimento de "live actions", mas nem todas as adaptações se encaixam nessa terminologia.

Na verdade, live action é a definição usada para filmes nos quais os personagens são vividos por atores reais. Eles podem ser filmados em conjunto com animações 2D ou por produções computadorizadas, usando a tecnologia CGI, mas mesmo os filmes que não usam esses recursos são chamados live action.

Logo, no caso da Disney, algumas adaptações - como Aladdin (2019) e Mulan (2020) - se encaixam nessa definição. Outras, como O Rei Leão (2019) são apenas animações mais realistas.

De todo modo, a adaptação de animações para live action é um formato que já foi muito explorado pelo cinema - mas sempre controverso. Os games, por exemplo, viram muitas adaptações polêmicas ganharem as telonas.

Super Mario Bros (1993) é oficialmente a primeira adaptação de um videogame para o cinema, e a escolha foi merecida, já que o jogo sobre o encanador italiano que faz de tudo é um dos videogames mais queridos e famosos de todos os tempos.

O personagem Mario surgiu, na verdade, no jogo "Donkey Kong", mas ganhou seu game solo em 1983. Dez anos depois, chegava aos cinemas a versão em live action, e o estúdio apostou forte no filme, lançando a produção no meio do competitivo verão norte-americano.

O problema é que o filme pouco tinha do jogo, optando por uma atmosfera sombria, deprimente e apocalíptica, ao contrário do colorido e bem-humorado game.

Nem mesmo a performance alucinada de Dennis Hopper como o vilão conseguiu salvar o filme.

Depois disso, apareceram filmes dos mais diversos, como: Street Fighter - A Última Batalha (1994); Double Dragon (1994); Mortal Kombat e Mortal Kombat- O Desafio (1995 e 1997); Wing Commander - A Batalha Final (1999); Lara Croft: Tomb Raider e Lara Croft Tomb Raider: A Origem Da Vida (2001 e 2003); Resident Evil - O Hóspede Maldito (2002, 2004, 2007, 2008, 2010, 2012, 2017); Doom - A Porta Do Inferno (2005); "Silent Hill" (2006); Hitman - Assassino 47 (2007); Max Payne (2008); Tekken (2009); Need For Speed (2014); Warcraft - O Primeiro Encontro De Dois Mundos (2016); Assassin's Creed (2016); Pokémon: Detetive Pikachu (2019); e Sonic - O Filme (2020).

Alguns foram altamente criticados, outros foram prestigiados por público e crítica. Todos, porém, representam um passo ousado pela expansão desse segmento.

Como você pode ver, a história das adaptações é riquíssima e merece um capítulo separado para cada uma delas.

Por isso, organizamos uma viagem pelas adaptações mais buscadas pelo público e montamos este guia definitivo das adaptações para o cinema! Confira:

Livros nacionais e internacionais que viraram filmes de sucesso

Quando o cinema surgiu, os primeiros passos foram dados seguindo um modelo convencional de começo, meio e fim, da literatura romântica (isto é, do Romantismo) do século anterior.

Assim como nestes livros, seu objetivo, a princípio, era ser três coisas ao mesmo tempo: ficção (ou seja, uma reconstrução da realidade), narrativa (a contação de uma história) e representação (refletir elementos da vida real e se aproximar da realidade tanto quanto possível).

Adaptar livros para filmes foi um passo natural, portanto.

Mas o Cinema tinha uma vantagem em relação ao livros, principalmente em relação ao último aspecto. Embora as adaptações tenham altos e baixos - e variem de gosto - o formato expandiu a concepção e visão do público sobre uma determinada obra.

Foi o que aconteceu com os livros dessa lista:

Nacionais

Macunaíma (1969)

Macunaíma, um dos grandes romances do Modernismo brasileiro, foi escrito em 1928 por Mário de Andrade. No cinema, a adaptação (direção e roteiro) chegou em 1969, por Joaquim Pedro de Andrade. O personagem principal da obra é Macunaíma, um anti-herói que representa o próprio povo brasileiro.

O Cortiço (1978)

Mesmo que haja similaridades com o romance, especialmente em relação a personagens e situações do enredo, ele não busca ser uma alternativa de conhecer a obra sem a ler. O filme parte do universo de Aluísio Azevedo, mas como forma de criar em seus personagens um misto de reconhecimento e surpresa: reconhecimento, por ver personagens como Rita Baiana, Pombinha ou Albino como moradores do cortiço que se constrói, lembrando de seus papéis no romance; surpresa por vê-los como parte de uma experiência de imersão. Dirigido por Francisco Ramalho Jr.

A Hora Da Estrela (1985)

No filme, a trajetória de Macabéa é contada em estilo realista clássico, simples e direto, sem a intervenção de uma voz narradora ou de comentários exteriores à experiência vivida pela personagem. Dá-se o contrário no livro de origem, escrito por Clarice Lispector, no qual vem em primeiro plano a experiência do narrador da história, que se comunica com o leitor para expressar as angústias inerentes ao processo de criação de uma personagem distante de sua condição social e de sua experiência. Dirigido por Suzana Amaral.

Bruna Surfistinha (2011)

Ao invés de propor uma visão romântica da vida da adolescente de classe média que abandona a família adotiva e os colegas de escola para se atirar na prostituição, como se aquilo fosse um sonho e um pesadelo, o diretor Marcus Baldini prefere seguir por uma linha mais naturalista, esboçando motivos, porém sem forçar conclusões. O que a levou a esse caminho? Quais os motivos da opção tomada? Há prazer ou é apenas sofrimento? Tudo isso e muito mais é exposto na tela, porém sem soluções maniqueístas ou respostas prontas.

Internacionais

A Lista De Schindler (1993)

O filme é inspirado na obra homônima que o escritor Thomas Keneally lançou em 1982. Um dos filmes mais impressionantes sobre o holocausto, ele conta a história real vivida pelo alemão Oskar Schindler, que utilizou a sua fábrica para ajudar judeus a escaparem dos campos de concentração. Dirigido por Steven Spielberg.

O Senhor Dos Anéis (2001-2003)

As obras de J.R.R Tolkien, publicadas entre 1954 e 1955, também foram adaptadas para o cinema. Os filmes (Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) narram a jornada de Frodo, um hobbit que recebe o fardo de destruir um anel mágico antes que caia nas mãos de Sauron, seu antigo detentor e que quer o domínio da Terra Média. Dirigido por Peter Jackson.

Harry Potter (2001-2011)

A popular série de livros da escritora britânica J.K Rowling, publicada entre 1997 e 2007, foi adaptada para o cinema a partir de 2001. Assim como na obra da autora, a trama dos filmes é centrada na figura de Harry Potter, um bruxo que carrega consigo uma grande responsabilidade, além dos demais que dividem o crescimento com ele através dos 8 filmes. Os filmes foram dirigidos por David Yates, Chris Columbus, Alfonso Cuarón e Mike Newell.

Crepúsculo (2008-2012)

Depois do sucesso das adaptações de O Senhor dos Anéis e Harry Potter, foi a vez da febre Crepúsculo aportar nos cinemas. Escrito por Stephenie Meyer entre 2005 e 2008, a "Saga" vampiresca é composta de Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer. A história de amor entre a moça deslocada e o vampiro imaculado se tornou um triângulo amoroso incomum com a adição de um lobisomen apaixonado. Os filmes foram dirigidos por Bill Condon, Chris Weitz, David Slade e Catherine Hardwicke.

De Oldboy a super-heróis: os quadrinhos que viraram filmes

Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência.

O que faz do bloco de imagens uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes.

A mesma preocupação em simular a sensação de movimento por meio da representação cabe ao cinema, que, no entanto, tem outras ferramentas para trabalhar o imaginário do espectador e resolver a questão da organização na narrativa.

Nas HQs, cabe ao leitor a tarefa de completar o espaço em branco que separam os quadros, imaginando, por exemplo, que a partir do desenho do herói saltando de um prédio e da próxima figura, na qual persegue um bandido, seja possível concluir os movimentos de aterrissar no solo, avistar o malfeitor e, aí sim, iniciar a corrida.

Já no cinema, tal participação criativa do espectador é minimizada pelo fato de que a retratação dos movimentos pode ser realizada de maneira completa, seja em um plano sequência ou com recortes que coloquem em evidência um início, meio e fim bem definidos para o entendimento da ação.

Um formato complementa o outro e gerou adaptações icônicas. Estas são algumas delas:

Oldboy (2003)

Oldboy é uma adaptação de um mangá com o mesmo nome, originalmente publicado de 1996 a 1998. Existe uma versão americana de 2013, mas a única razão para lhe colocarem os olhos em cima é se quiserem perceber o que se deve fazer e, neste caso, o que não se deve fazer, numa adaptação.

Priorize o filme sul-coreano, de 2003, que é daqueles filmes que não precisa de sinopse, não precisa de trailer, não precisa de descrições detalhadas, nem de razões para ver. É um filme de adaptação à escuridão e a preparação de um corpo e uma mente para sobreviver à uma pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber o porquê.

Hellboy (2004)

O diabo vermelho de chifres serrados ganhou uma excelente adaptação pelas mãos detalhistas de Guillermo del Toro, em 2004, que escreveu o filme junto com Peter Briggs. O que vemos na tela é uma das melhores histórias de origem de "heróis", juntamente com uma linda aventura cheia de monstros originais, designs fantásticos de produção e uma sensacional atuação de Ron Perlman.

O filme também ganhou duas continuações que, ainda que eficientes, não chegam aos pés do original.

V De Vingança (2005)

Apesar de ter alterado alguns aspectos políticos da trama original da HQ de Alan Moore e David Lloyd, a produção dirigida em 2005 por James McTeigue e roteirizada pelas Irmãs Wachowski foi muito importante para apresentar conceitos políticos como a anarquia. Além disso, Guy Fawkes, soldado inglês que participou da Revolução da Pólvora na Inglaterra do século XVII, virou uma figurinha conhecida para além das aulas de História.

Sin City - A Cidade Do Pecado (2005)

Muitas adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos podem ser capazes de imitar a narrativa do material original, no entanto poucas chegam tão de perto de fazê-lo quanto "Sin City – A Cidade do Pecado" (2005). Co-dirigido pelo criador da série, Frank Miller, o filme é quase uma cena de recriação dos quadrinhos, especificamente do primeiro, terceiro e quarto volumes.

Quase todas as cenas capturadas no filme, tem as HQs quase substituindo o roteiro. Do diálogo aos monólogos internos, Sin City – A Cidade do Pecado é efetivamente a mesma mídia que seu material de origem, apenas traduzida em um meio artístico diferente.

Persépolis (2007)

Persépolis (2007) retrata de forma magnífica a perseguição da guerra do Irã. Em meio a um ambiente perigoso e com muita discriminação contra mulheres, Marjane se descobre e descobre seu amor pela música punk. É uma adaptação da graphic novel homônima que a diretora Marjane Satrapi publicou como forma de registrar sua biografia e denunciar a repressão praticada pelo regime de seu país.

Apesar do contexto histórico, o longa se concentra mais no desenvolvimento subjetivo da personagem e na maneira como ela reage e apreende o mundo e o contexto político ao redor. Outro aspecto que chama a atenção é o formato.

O uso do desenho, tanto em preto e branco quanto em cores, ajuda a dar leveza às situações e realça os momentos divertidos do enredo.

DC - Batman - O Cavaleiro Das Trevas (2008)

"Batman: Cavaleiro das Trevas" (2008) tem como plano central a desconstrução do herói. E nisso o Coringa é totalmente responsável. Ele primeiro deseja a identidade secreta do Batman, depois deseja à morte daquele que sabe essa identidade.

Além disso, ele consegue transformar Harvey Dent, o "cavaleiro de armadura branca" no insano Duas-Caras. Vemos referências aos quadrinhos (Batman #1 (1940), Piada Mortal). As mudanças nos mitos não são absurdas e insuportáveis e o elenco é primoroso.

Os quadrinhos, à princípio, eram um formato estático, impresso. A caricatura do gênero começou a ganhar vida e movimentos com as animações.

Azul É A Cor Mais Quente (2013)

A diferença do título, assim como do nome da protagonista do filme, evidencia a distância do filme de Abdellatif Kechiche (2013) em relação ao romance gráfico de Julie Maroh, de que a obra do diretor franco-tunisiano constitui uma adaptação livre.

Além do distanciamento e da liberdade assumidos por Kechiche em relação à obra adaptada, mesmo nos dois capítulos de sua vida em que consiste o filme, o azul pertence, sobretudo, ao primeiro, quando Adèle conhece Emma, a garota de cabelos azuis, e as duas iniciam sua intensa relação; o segundo mostra a rarefação, a diluição do azul, desde logo, pela mudança da cor dos cabelos de Emma, que prenuncia, de alguma forma, as transformações pelas quais passa sua relação com Adèle.

Marvel - Saga do Infinito (2008-2019)

O MCU fez algo sem precedentes: adaptou toda uma saga para o cinema. Foram mais de 10 anos que desaguaram em Vingadores - Ultimato (2019), o ato final da Saga do Infinito.

A trama é baseada em mais de uma história em quadrinhos da Marvel Comics.

Elas são conhecidas como Trilogia do Infinito e foram publicadas no começo dos anos 1990. A saga engloba Thanos - Em Busca de Poder (Thanos Quest #1 e #2); Desafio Infinito (Infinity Gauntlet, volumes #1 a #6) e, por fim, Guerra Infinita. Cruzada Infinita também costuma ser incluída na saga, dependendo da publicação.

Animações: muito além da fantasia

Live action pode ser definido como produção que envolve pessoas e animais reais. Já a animação, por sua vez, é definida como uma série de imagens em movimento, desenhadas, modeladas ou geradas por computador.

Com o desenvolvimento da tecnologia, as produções audiovisuais passaram a misturar as duas técnicas, a fim de criarem sequências, cenários e seres que não existem no mundo real, ou que são muito difíceis de serem desenvolvidos de maneiras tradicionais.

Porém, o termo está em evidência principalmente graças à Disney, cujos lançamentos mais recentes incluem live actions de algumas de suas obras mais célebres.

Essa nova safra é baseada nas antigas animações, que permitiam aos artistas envolvidos imprimirem sua própria assinatura e estilo nos personagens, algo que está presente na Disney desde a época dos "Nove Anciões", apelido dado ao grupo de animadores que inaugurou as atividades do estúdio em 1932.

Hoje, com "Aladdin", "Mulan", "A Bela e a Fera", "A Pequena Sereia", dentre outros, o desafio é preservar o encantamento das animações enquanto explora as dimensões de um novo formato, recheado de atores querido pelo público - ou de novas estrelas em ascensão.

Mas adaptações do tipo não são novidade de agora. Na lista a seguir, falamos um pouco sobre essa nova onda da Disney e rememoramos outras adaptações que seguiram o mesmo desafio alguns anos atrás. Acompanhe!

Animações da Disney

Malévola (2014-2019)

Malévola foi concebida como a "senhora de todo o mal" e, desde 1959, reinava como a mais cruel e poderosa das vilãs da Disney.

Em 2014, porém, o estúdio decidiu mudar a perspectiva da história. Seu nome podia evocar a crueldade da feiticeira tida como vilã, condenando uma bela princesa ao sono eterno, mas sua verdadeira história não era assim tão maniqueísta.

Estrelado por Angelina Jolie e Elle Fanning, os dois novos longas (2014 e 2019) contam a história pelo olhar da vilã de "A Bela Adormecida" (1959), justificando suas ações.

Cinderela (2015)

Com direção de Kenneth Branagh, a versão live action (2015) da animação de 1950 se manteve fiel ao desenho. Com Lily James no papel principal, Richard Madden como o príncipe encantado, Helena Bonham Carter como a Fada-Madrinha e Cate Blanchett como a Madrasta Má, o longa arrecadou US$ 543 milhões mundialmente.

Na pele da atriz, Cinderela é tão bela, gentil e justa quanto a princesa da animação. O filme apenas redimensiona a sua história, a tornando mais humana em um mundo surreal.

Mogli - O Menino Lobo (2016)

Quando o projeto foi anunciado, muita gente duvidou que Jon Favreau fosse conseguir dar vida aos animais da história de Rudyard Kipling. O resultado final, porém, foi uma surpresa de público (US$ 965 milhões arrecadados mundialmente) e de crítica. O sucesso garantiu um projeto de sequência e fez com que a Disney desse o sinal verde para o remake de um dos seus maiores sucessos na animação: O Rei Leão.

Ao mesmo tempo em que "Mogli - O Menino Lobo" (2016) é um típico filme da Disney com alto índice de fofura, potencializado pela concentrações de filhotes e pequenos animais criados em computação gráfica, a nova adaptação ao cinema do clássico livro de Rudyard Kipling não se furta a lidar com o senso de perigo e o potencial de violência da vida na selva.

Nesse sentido, é um longa que se filia à tradição das melhores animações da chamada era de ouro da Disney, dos anos 1940 a 1950, como Dumbo e Cinderela, que misturavam encantamento com o pavor do isolamento e da perseguição.

A Bela E A Fera (2017)

"A Bela e a Fera" (2017), dirigido por Bill Condon, mantém a estrutura de musical com as canções criadas por Alan Menken para a animação de 1991, além de apresentar novidades.

Estrelado por Emma Watson (Bela), Dan Stevens (Fera), Kevin Kline (Maurice), Ian McKellen (Cogsworth), Gugu Mbatha-Raw (Plumette) e Ewan McGregor (Lumiere), é um longa mais apegado às origens, pensando na expectativa de uma geração que cresceu vendo e revendo a mesma história.

Com 45 minutos a mais, o filme expande a trama e dá consistência aos seus personagens com um elenco certeiro.

Aladdin (2019)

Uma das principais diferenças à obra original, com certeza, é em relação à personalidade da princesa Jasmine. Assim como na animação, a Jasmine do filme de 2019 é prisioneira de sua posição como filha do Sultão e só pode se casar com um príncipe.

Mas além disso, a nova versão da personagem possui aspirações políticas e é mais forte e empoderada, quando comparada com a princesa do desenho. Jasmine sabe o quer e não precisa de príncipe nenhum para ser feliz.

No desenho, a história começa sendo narrada por um comerciante. Já no filme, os roteiristas optaram por colocar o Gênio, agora interpretado por Will Smith, como narrador. Um ponto curioso é que no desenho quem fez a voz do comerciante foi Robin Williams, que também dublou o Gênio.

Outras animações de destaque:

Os Flintstones - I Yabba Dabba Do! (1994)

Estrelado por John Goodman como Fred Flintstone, Rick Moranis como Barney Rubble, Elizabeth Perkins como Wilma Flintstone, e Rosie O'Donnell como Betty Rubble, 'Os Flintstones – O Filme' chegou aos cinemas no dia 27 de maio de 1994. Com uma arrecadação mundial de US$ 341 milhões, a produção saiu lucrando, já que o orçamento foi de US$ 46 milhões – apesar da crítica negativa dos especialistas.

Na história, Fred consegue o cargo de vice-presidente da Pedregulho & Cia, após um teste realizado pelo executivo Cliff Vandercave (Kyle MacLachlan) e sua secretária. Porém o plano é usá-lo como bode expiatório para um grande esquema de fraude. A riqueza dos Flintstones causa o fim da amizade com os Rubbles, mas quando Fred e Wilma são acusados da corrupção causada por Vandercave, são Barney e Betty que correm atrás para salvar os vizinhos.

Scooby-doo (2002)

Scooby-Doo ganhou um live action em 2002 dada sua merecidíssima e imortal fama desde que a primeira animação do hilário e guloso personagem canino e sua turma de investigadores humanos surgiu nas telinhas americanas em 1969. Entra em cena, então, James Gunn em apenas seu terceiro roteiro de longa cinematográfico , muito antes de sequer chegar perto da cadeira de diretor.

O resultado é um esforço sem dúvida cheio de coração e apelo nostálgico, mas que não é muito mais do que um episódio da série animada esticado para 86 minutos, com o agravante de trair a premissa de que as ameaças enfrentadas pela turma do Mystery Inc. nunca é efetivamente sobrenatural.

O filme sem dúvida ganha pontos por caracterizar muito bem os personagens principais e por usar uma exacerbação de suas características pessoais para separar a equipe logo no início, transformando o restante da projeção, que se passa dois anos depois de cada um seguir para seu lado, em uma narrativa que tem como objetivo juntá-los mais uma vez, obviamente.

Garfield, O Filme (2004)

"Garfield", uma das tirinhas mais conhecidas do mundo e que conta as histórias do gato preguiçoso e que ama lasanha, foi adaptada e chegou aos cinemas com atores e tudo mais.

Vivendo a vida que sempre quis, Garfield é incomodado quando seu dono, Jon Arbuckle (Breckin Meyer), decide adotar um cachorro, Odie. Contrariado, ele inicia uma disputa particular com Odie, mas quando esse é sequestrado, Garfield se sente responsável e parte para salvar o cachorro.

Pica-pau (2017)

O filme live action de Pica-Pau, lançado em 2017, pela fama que o personagem tem em solo brasileiro, saiu apenas nos cinemas daqui - para o restante do mundo, o longa saiu diretamente em DVD. A produção conta a história do protagonista procurando confusões com um empresário que deseja derrubar uma árvore, sua própria casa, para construir uma mansão.

Turma da Mônica (2019)

A Turma da Mônica já tem diversos filmes animados, mas em Turma Da Mônica - Laços foi a primeira vez em os personagens criados por Maurício de Souza aparecem representados por atores.

Na trama, Floquinho, o cachorro de Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Ainda há uma continuação prevista para esse ano, 2020, intitulada Turma Da Mônica - Lições.

Se as animações introduziram a tecnologia no mundo das adaptações, um movimento que acontecia em paralelo e a indústria cinematográfica soube aproveitar foi o dos videogames, que cada vez mais ganham enredos e fotografias sofisticadas.

6 videogames que viraram filmes de sucesso

Pelas suas características narrativas (o jogo acontece num tempo-espaço a partir de uma ação), que, ao mesmo tempo, envolvem os elementos da linguagem cinematográfica (som, imagem, movimento, enredo, montagem, personagens, cenários), os games têm se aproximado cada vez mais do Cinema.

Se por um lado as inovações tecnológicas estão possibilitando aos designers criarem jogos com enredos e personagens complexos, aproximando-os da linguagem cinematográfica, na via contrária, a adaptação começará a se tornar cada vez mais natural e orgânica.

Porém, há um caminho já percorrido - e outro a percorrer - com erros e acertos nas adaptações de videogames para o cinema. Mas o futuro é promissor, à medida que ambas as indústrias navegam por águas próximas.

Nessa lista, separamos alguns dos maiores sucessos dessas adaptações:

Mortal Kombat (1995)

Finalmente parecia que os produtores de Hollywood estavam aprendendo com os erros do passado. Mortal Kombat, lançado em 1995, era um filme sobre um torneio de luta mortal, passado em outra dimensão, assim como o game.

Como nem tudo é perfeito, os fãs mais xiitas reclamam da falta de sangue no filme, já que o jogo é um dos mais sanguinolentos de todos os tempos (ou melhor, talvez o primeiro a chamar atenção para uma possível censura no quesito).

Seja como for, Mortal Kombat é até hoje enaltecido como uma das melhores adaptações do subgênero (sem dúvidas uma das mais divertidas e respeitosas aos personagens). Ponto para o diretor Paul W. S. Anderson, que viria a comandar também os filmes da franquia Resident Evil no cinema.

Mas nem tudo são flores, e visando seguir o rastro de sucesso do original, o estúdio não demorou a engatilhar a sequência Mortal Kombat- O Desafio, lançada em 1997.

Sem o brilho do original e investindo em sugar qualquer criatividade implantada no primeiro filme sem dar nada em troca, parte do elenco previu a furada em que ia se meter e pulou do barco antes de ele afundar.

"O Desafio" colocou o prego no caixão da franquia por muitos anos, mas hoje temos uma nova produção prevista para 2021.

Silent Hill (2006)

Tido como uma das melhores adaptações de um game já produzidas no cinema, Silent Hill, mais do que tudo, respeita sua contraparte.

O sucesso deve ser creditado aos envolvidos: o diretor Christophe Gans, o roteirista Roger Avery e o elenco encabeçado por Radha Mitchell, Laurie Holden e Sean Bean.

Na trama, uma mãe perde sua filha numa cidade pra lá de sinistra e embarca numa jornada ao lado de uma policial para recuperá-la. O maior pecado aqui é o uso excessivo de efeitos visuais de computadores, em detrimento a efeitos práticos, que seriam mais assustadores.

O filme foi lançado em 2006 e uma sequência, em 2012, intitulada Silent Hill - Revelação. Confeccionado para usar o mote do 3D, esta não obteve o mesmo sucesso.

Resident Evil (2002-2004-2007-2012-2017)

Podemos dizer que nenhuma outra adaptação de um game para o cinema foi tão bem-sucedida quanto Resident Evil.

É só pensarmos que esta é a franquia do subgênero mais longeva da história. No primeiro filme, Resident Evil - O Hóspede Maldito, lançado em 2002, o espírito do game original é respeitado, com a ação passada toda dentro de um ambiente contido – um grande laboratório no subsolo.

Dois anos depois, a continuação, Resident Evil 2 - Apocalipse, estreava trazendo personagens amados dos games para a trama, como Jill Valentine (Sienna Guillory). A ação também é aumentada, saindo de um único local para atingir as ruas de uma cidade inteira.

Resident Evil 3: A Extinção foi lançado em 2007. Aqui, uma abordagem mais Mad Max foi dada à franquia, centrando a ação no deserto e dando tons mais amarelados para as paletas de cores na fotografia – as cenas são quase todas durante o dia (ao contrário do anterior, todo passado à noite em tons azulados).

Em 2010 chegava Resident Evil 4: Recomeço, o primeiro criado em 3D. A primeira metade, passada numa prisão abandonada, é a melhor parte. Os novos filmes continuam a ser reflexo dos novos games, de certa forma, apresentando velhos e novos personagens conhecidos dos fãs.

Resident Evil 5: Retribuição é uma miscelânea de tudo que já foi apresentado na franquia, recapitulando inclusive o primeiro episódio, para fechar tudo num círculo perfeito.

Anunciado como o último longa, o Resident Evil: O Capítulo Final, lançado em 2017, deixa portas abertas.

Tomb Raider (2001-2003-2018)

Tomb Raider é um marco da geração das primeiras plataformas 3D, uma vez que a personagem podia caminhar em qualquer direção - algo inédito até então.

Além disso, Tomb Raider era representatividade feminina pura, numa época em que não se discutia o tema como hoje.

Criada como uma mistura de Indiana Jones, 007 e Batman, Lara Croft: Tomb Raider, lançado em 2001, foi também o primeiro filme para essa nova geração do gênero e uma intérprete à altura foi convocada: Angelina Jolie.

Na época, o filme fez sucesso e se tornou a aventura recordista de bilheteria protagonizada por uma mulher.

Dois anos depois, Tomb Raider ganhava sua sequência com Lara Croft Tomb Raider: A Origem Da Vida. Jolie estava de volta, mas o diretor Jan De Bont mostrava desgaste após os mal-sucedidos Velocidade Máxima 2 (1997) e A Casa Amaldiçoada (1999).

Entre as escolhas estranhas do cineasta para o projeto, as cenas de ação são todas criadas em câmera lenta e não empolgam. Depois deste, Jolie pulou fora e a franquia foi interrompida momentaneamente.

Quinze anos após a última aventura de Angelina Jolie na pele da arqueóloga exploradora Lara Croft, uma luz é acesa no fim do túnel. A Paramount e Jolie ficam para trás para darem lugar à Warner e Alicia Vikander.

Tomb Raider - A Origem (2018) é uma investida mais realista e humana na mitologia da série, recontando o início da jornada da bilionária britânica.

Assassin's Creed (2016)

Em 2007, a empresa Ubisoft, responsável por grandes franquias no mercado de jogos eletrônicos, lançava aquela que seria sua maior fonte de renda e, também, o seu maior representante frente à concorrência: o aclamado "Assassin's Creed".

Com uma história original e mecânicas inovadoras, o jogo conquistou uma legião de fãs e rendeu milhões para os cofres da empresa francesa.

Com o passar dos anos, os jogos foram aumentando e aprimorando a mitologia da série e muitos derivados começaram a surgir, como quadrinhos, desenhos animados e até livros, que adaptavam as histórias vistas nos jogos.

Não foi surpresa quando uma adaptação cinematográfica surgiu, eventualmente. "Assassin's Creed", dirigido por Justin Kurzel, é uma empreitada corajosa da Ubisoft.

Apesar de não ser um clássico do cinema moderno, estamos diante de um filme que, além de divertir, é fiel ao seu material de origem e traz a essência da saga dos assassinos para as telas, coisa que muitas adaptações não conseguem entregar. Os fãs podem respirar aliviados.

Sonic - O Filme (2020)

Referências musicais e visuais a jogo antigos? Estão lá. Um companheiro humano? Está lá também. O filme do Sonic traz tudo isso e resulta em uma aventura fofa, leve e divertida.

Além de tudo isso, é uma adaptação decente e respeitosa de uma série clássica e querida do universo dos videogames - algo que, como bem sabemos, é bem raro de se ver, especialmente em Hollywood.

Felizmente e finalmente, fica a impressão de que o filme do Sonic consolida uma cartilha básica sobre como adaptar games para a telona com sucesso e agradar fãs antigos sem deixar de lado um novo público.

A arte deve extrapolar o formato!

A arte, seja ela cinematográfica, literária, cartunesca ou audiovisual, em sua essência, tenta aproximar o espectador da história contada, para que ele não apenas observe a vida que essas artes apresentam, mas também possa adentrá-la, efetivamente.

Por isso, mais do que a suspensão da descrença, é preciso suspender o apego a um formato específico. Representar fielmente uma obra em outro meio é impossível e até mesmo o conceito de se manter o "espírito" é considerado algo subjetivo e abstrato.

Seria impossível fazer um filme exatamente igual à obra, porque ninguém pode dizer o que a obra é.

Todos nós, inclusive o autor que se transforma em leitor, temos da obra nossa leitura tirada dela, e não uma verdade incontestável e absoluta.

A arte deve extrapolar o formato. E devemos celebrar isso.


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