cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    Adaptações no cinema: livros, videogames, quadrinhos e animações

    Livros, videogames, quadrinhos e animações
    Por Da Redação
    25/09/2020 - Atualizado há 4 meses

    Desde seu início, as adaptações sempre estiveram presentes no Cinema. A adaptação de uma obra artística implica em adequá-la para uma nova mídia e para publicação e divulgação junto a um público diferente da original.

    A primeira adaptação de que se tem registro na história do cinema é "Arrosage public", uma HQ muda, de humor simples, ilustrada por Uzès (pseudônimo de Achille Lemot), e publicada na revista Le Chat Noir #182, em 4 de julho de 1885.

    A HQ tem uma premissa bastante simples e se baseia no humor pastelão para construir o chiste de forma completamente visual.

    A história é assim: um homem usa uma mangueira para limpar a rua, até que um menino bloqueia a mangueira. Quando o sujeito corre atrás do menino, a mangueira volta a ganhar pressão e encharca um vendedor numa loja.

    Parece estranho e até simplório demais para os leitores de hoje, mas essa ideia fez sucesso à época e foi copiada por diversos cartunistas e ilustradores na França e na Alemanha.

    Além disso, acabou adaptada para o cinema em três curta-metragens: "L'Arroseur", de Georges Meliès (1896); "L'Arroseur arrosé", de Alice Guy (1897); e "The Bitter Bit", de James Bamforth (1900).

    E, já então, os desafios do gênero eram evidentes - como a necessidade de redefinir seu formato, acrescentar ou remover informações e, efetivamente, adaptar a ideia para uma linguagem nova.

    E algumas das principais fontes de adaptação do Cinema nos mostram justamente isso.

    Intertextualidade: as adaptações literárias e o desafio da linguagem cinematográfica

    Há uma infinidade de abordagens possíveis - por meio de novas mídias, gêneros e suportes - de obras canônicas da literatura.

    As adaptações literárias, porém, dividem seus espectadores. De um lado, temos aqueles que acreditam que o Cinema "corrompe" as obras originais e que "o livro é sempre melhor que o filme". Do outro, aqueles que defendem as apropriações tomadas pelo cinema sobre as artes que lhe precedem.

    Por outro lado, há quem encare de forma positiva o exercício criativo que o Cinema faz para adaptar outros gêneros com as possibilidades estéticas e de criação que lhe são características.

    Nesse sentido, a "fidelidade" da adaptação é menos importante do que a reformulação da ideia, que será trabalhada em um novo formato.

    Exemplos clássicos desses tipos de adaptações são:

    Moby Dick (1956), de John Huston. Baseado no clássico da literatura universal de Herman Melville, publicado originalmente em 1851, o filme é centrado no capitão Ahab, que foi ferido por uma baleia branca. Com uma profunda sede de vingança, ele viaja pelos sete mares à procura do animal.

    Alice no País das Maravilhas, obra de Lewis Carroll, publicada em 1865, é uma das histórias mais consagradas do surrealismo e continua intrigando o público até hoje. 

    Ela conta a história de Alice, que, certo dia, se depara com um coelho apressado e persegue-o até cair em um buraco, que a transporta para um lugar fantástico e onírico.

    O clássico, naturalmente, já foi adaptado várias vezes para o cinema. A primeira delas foi em 1903 - um curta-metragem para o cinema mudo. 

    A mais recente é Alice No País Das Maravilhas (2010), produzida pela Disney e que conta com os atores Mia Wasikowska e Johnny Depp.

    Outro exemplo é Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick, uma das obras mais marcantes da história do Cinema, e filme que não pode faltar na lista de qualquer cinéfilo. 

    Ele é uma adaptação do livro homônimo do autor Anthony Burgess, lançado em 1962, que conta a história de Alex e sua gangue, que espalham o caos em uma Inglaterra futurista marcada pela violência.

    Imagem e expressão: a era dos quadrinhos nas adaptações

    Um movimento um pouco mais à frente, o dos quadrinhos, mudou a forma como interpretar um texto e uma história - principalmente com o conceito de ilustração e das expressões exageradas dos personagens.

    O material base agora é menos abstrato: temos o registro visual da história contada. E o cinema usa esse recurso a seu favor na hora de adaptar mais uma forma de expressão.

    Felizmente, Flash Gordon, Buck Rogers, Mandrake e Fantasma, entre outros personagens, não demoraram muito para chegarem às telonas.Em seguida, um sub gênero de super-heróis que viraram ícones da cultura pop surgiu, como Batman, Capitão América e Superman.O pioneiro, que elevou o padrão de excelência contra o qual outras produções competiram durante várias décadas, foi “Superman - O Filme”, de 1978.  Após esse sucesso, muitas outras adaptações de HQs surgiram nos cinemas, como: Flash Gordon (1980), "Monstro do Pântano" (1982), Supergirl (1984), Conan, O Bárbaro (1982) e Conan, O Destruidor (1984); Howard: O Super-herói (1986), Justiceiro (1989), "As Tartarugas Ninja" (1990), Rocketeer (1991), O Corvo - 1994, O Sombra (1994), O Máskara (1994), "Juiz Dredd" (1995), "Barb Wire" (1996), O Fantasma (1996), Spawn, O Soldado Do Inferno (1997), "Aço" (1997), e muitas outras.

    O filme que oficialmente deu continuidade à era moderna das adaptações, de acordo com os críticos, é “Blade - Caçador de Vampiros'', de 1998. Foi após o sucesso da obra que o gênero se consolidou, tornando esse tipo de filme um dos queridinhos de Hollywood. 

    O primeiro grande fenômeno veio em 2002, com Homem-aranha, depois de uma década de brigas judiciais da Sony para levar o herói à tela grande. O filme foi um estouro e rendeu mais duas sequências.

    Em 2008, lançou o divisor de águas Homem De Ferro - e acertou na mosca: Robert Downey Jr. seria o protagonista. Poucas vezes, intérprete e personagem casaram de forma tão perfeita. "Homem de Ferro" foi um sucesso, fortaleceu a marca e foi a deixa para a Marvel começar seu universo compartilhado, conhecido como MCU (Marvel Cinematic Universe). A ideia é que os heróis habitam o mesmo mundo e, eventualmente, cruzam os caminhos.

    Surgiram então filmes como O Incrível Hulk (2008); Homem De Ferro 2 (2010); Thor (2011) e Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), que desaguaram no antológico Os Vingadores - The Avengers (2012).

    O sucesso de "Vingadores", junto à Disney, nova proprietária, abriu caminhos nunca antes trilhados para a Casa das Ideias. Veio Homem De Ferro 3 (2013), Thor: O Mundo Sombrio (2013) e Capitão América: O Soldado Invernal (2014) - todos foram além das bilheterias de seus antecessores.

    Os US$ 780 milhões faturados pelos desconhecidos Guardiões Da Galáxia (2014) e o inesperado Homem-formiga (2015) provaram a força da marca. A essa altura, a Marvel já havia estabelecido uma rede intrincada de filmes e personagens, que funcionavam de maneira independente, mas complementar entre si.

    A partir daí, veio só porrada: Vingadores: Era De Ultron (2015); Capitão América: Guerra Civil (2016); Doutor Estranho (2016); Guardiões Da Galáxia Vol. 2 (2017); Homem-aranha: De Volta Ao Lar (2017); Thor: Ragnarok (2017); Pantera Negra (2018); Vingadores: Guerra Infinita (2018); Homem-formiga E A Vespa (2018); Capitã Marvel (2019); Vingadores - Ultimato (2019); e Homem-aranha: Longe De Casa (2019).

    A DC também resolveu investir em seu próprio universo de filmes de super-heróis, mas a competição já estava desnivelada: lançou "Homem de Aço" (2013); Batman Vs Superman: A Origem Da Justiça (2016); Esquadrão Suicida (2016); Mulher-maravilha (2017); Liga Da Justiça (2017); Aquaman (2018): Shazam! (2019); e Aves De Rapina - Arlequina E Sua Emancipação Fantabulosa (2020).

    Todos eles eram adaptações de quadrinhos, repaginados para serem acessados por um novo público.

    Quer conhecer mais sobre a história dos super-heróis nas telonas? Não deixe de conferir nosso artigo sobre a evolução do gênero.

    Novas manifestações: repaginação das animações da Disney e a interatividade dos videogames

    A Disney viu sua "era de ouro” no final dos anos 1980, quando lançou A Pequena Sereia (1989), que rapidamente virou um fenômeno global. 

    Depois, vieram A Bela E A Fera (1991), Aladdin (1992) e O Rei Leão (1994), consagrando o gênero e o estúdio e dando fim a um longo período de produções infrutíferas da Disney.

    30 anos depois, a bola da vez é uma metalinguagem dessas produções. Uma repaginação dos clássicos, com ares modernos e que apelam para a nostalgia de quem cresceu acompanhando essas animações - tudo com muita tecnologia.

    Nesse contexto, muito se fala sobre um movimento de "live actions", mas nem todas as adaptações se encaixam nessa terminologia.

    Na verdade, live action é a definição usada para filmes nos quais os personagens são vividos por atores reais. Eles podem ser filmados em conjunto com animações 2D ou por produções computadorizadas, usando a tecnologia CGI, mas mesmo os filmes que não usam esses recursos são chamados live action.

    Logo, no caso da Disney, algumas adaptações - como Aladdin (2019) e Mulan (2020) - se encaixam nessa definição. Outras, como O Rei Leão (2019) são apenas animações mais realistas.

    De todo modo, a adaptação de animações para live action é um formato que já foi muito explorado pelo cinema - mas sempre controverso. Os games, por exemplo, viram muitas adaptações polêmicas ganharem as telonas.

    Super Mario Bros (1993) é oficialmente o primeiro videogame a ser adaptado para o Cinema. A escolha faz todo o sentido, já que o jogo é um dos games mais queridos e famosos de todos os tempos.

    O estúdio lançou o filme no meio do competitivo verão norte-americano, apostando forte no sucesso da produção. 

    Porém, foi um fracasso: o filme seguiu na completa contramão do formato alegre do game, optando por uma atmosfera bem mais sombria e apocalíptica, que afastou os fãs, público e crítica.

    Depois disso, apareceram filmes dos mais diversos, como: Street Fighter - A Última Batalha (1994); Double Dragon (1994); Mortal Kombat e Mortal Kombat- O Desafio (1995 e 1997); Wing Commander - A Batalha Final (1999); Lara Croft: Tomb Raider e Lara Croft Tomb Raider: A Origem Da Vida (2001 e 2003); Resident Evil - O Hóspede Maldito (2002, 2004, 2007, 2008, 2010, 2012, 2017); Doom - A Porta Do Inferno (2005); "Silent Hill" (2006); Hitman - Assassino 47 (2007); Max Payne (2008); Tekken (2009); Need For Speed (2014); Warcraft - O Primeiro Encontro De Dois Mundos (2016); Assassin's Creed (2016); Pokémon: Detetive Pikachu (2019); e Sonic - O Filme (2020).

    Alguns foram altamente criticados, outros foram prestigiados por público e crítica. Todos, porém, representam um passo ousado pela expansão desse segmento.

    Como você pode ver, a história das adaptações é riquíssima e merece um capítulo separado para cada uma delas.

    Por isso, organizamos uma viagem pelas adaptações mais buscadas pelo público e montamos este guia definitivo das adaptações para o cinema! Confira:

    Livros nacionais e internacionais que viraram filmes de sucesso

    Quando o cinema surgiu, os primeiros passos foram dados seguindo um modelo convencional de começo, meio e fim, da literatura romântica (isto é, do Romantismo) do século anterior.

    Assim como nestes livros, seu objetivo, a princípio, era ser três coisas ao mesmo tempo: ficção (ou seja, uma reconstrução da realidade), narrativa (a contação de uma história) e representação (refletir elementos da vida real e se aproximar da realidade tanto quanto possível).

    Adaptar livros para filmes foi um passo natural, portanto.

    Mas o Cinema tinha uma vantagem em relação ao livros, principalmente em relação ao último aspecto. Embora as adaptações tenham altos e baixos - e variem de gosto - o formato expandiu a concepção e visão do público sobre uma determinada obra.

    Foi o que aconteceu com os livros dessa lista:

    Nacionais

    Macunaíma (1969)

    Macunaíma, um dos grandes romances do Modernismo brasileiro, foi escrito em 1928 por Mário de Andrade. No cinema, a adaptação (direção e roteiro) chegou em 1969, por Joaquim Pedro de Andrade. O personagem principal da obra é Macunaíma, um anti-herói que representa o próprio povo brasileiro.

    O Cortiço (1978)

    Embora se aproxime bastante do romance de Aluísio de Azevedo, ele não busca ser uma adaptação fidedigna do livro. O filme parte de seu universo, trazendo personagens como Rita Baiana, Pombinha e Albino, mas explora uma imersão singular, se valendo das vantagens da linguagem cinematográfica para explorar elementos que não se traduziriam tão bem na obra escrita. Dirigido por Francisco Ramalho Jr.

    A Hora Da Estrela (1985)

    No filme, a história de Macabéa é contada de forma mais imersiva do que no livro, focando sobretudo em sua protagonista, sem interferências do narrador. Na obra de Clarice, o narrador é figura central, constantemente “invadindo” a história. Nesse sentido, o filme oferece uma perspectiva diferente para os fãs do romance, se diferenciando da fonte original sem, contudo, se distanciar dos principais fatores que consagraram a obra. Dirigido por Suzana Amaral. Dirigido por Suzana Amaral.

    Bruna Surfistinha (2011)

    O diretor Marcus Baldini preferiu explorar uma linha que não condena nem exalta as escolhas de sua protagonista, deixando para o público tirar suas próprias conclusões. O resultado é um filme mais naturalista, que não assume compromisso em oferecer respostas, mas sim em fazer perguntas. Bem diferente do livro escrito por Bruna Surfistinha, que, por se tratar de uma autobiografia, é naturalmente mais parcial.

    Internacionais

    A Lista De Schindler (1993)

    O filme é inspirado na obra homônima que o escritor Thomas Keneally lançou em 1982. Um dos filmes mais impressionantes sobre o holocausto, ele conta a história real vivida pelo alemão Oskar Schindler, que utilizou a sua fábrica para ajudar judeus a escaparem dos campos de concentração. Dirigido por Steven Spielberg.

    O Senhor Dos Anéis (2001-2003)

    As obras de J.R.R Tolkien, publicadas entre 1954 e 1955, também foram adaptadas para o cinema. Os filmes (Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) narram a jornada de Frodo, um hobbit que recebe o fardo de destruir um anel mágico antes que caia nas mãos de Sauron, seu antigo detentor e que quer o domínio da Terra Média. Dirigido por Peter Jackson.

    Harry Potter (2001-2011)

    A popular série de livros da escritora britânica J.K Rowling, publicada entre 1997 e 2007, foi adaptada para o cinema a partir de 2001. Assim como na obra da autora, a trama dos filmes é centrada na figura de Harry Potter, um bruxo que carrega consigo uma grande responsabilidade, além dos demais que dividem o crescimento com ele através dos 8 filmes. Os filmes foram dirigidos por David Yates, Chris Columbus, Alfonso Cuarón e Mike Newell.

    Crepúsculo (2008-2012)

    Depois do sucesso de O Senhor dos Anéis e Harry Potter, adaptações de best-sellers fantásticos, foi a vez da febre Crepúsculo tomar as telonas. A saga foi escrita por Stephenie Meyer entre 2005 e 2008 e conta com um total de quatro livros, narrados sob a perspectiva de Bella, a protagonista. Em 2020, um quinto livro foi lançado, e reconta a história da saga sob o olhar de Edward, o vampiro por quem Bella se apaixona. Os filmes foram dirigidos por Bill Condon, Chris Weitz, David Slade e Catherine Hardwicke.

    De Oldboy a super-heróis: os quadrinhos que viraram filmes

    Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência.

    O que faz do bloco de imagens uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes.

    A mesma preocupação em simular a sensação de movimento por meio da representação cabe ao cinema, que, no entanto, tem outras ferramentas para trabalhar o imaginário do espectador e resolver a questão da organização na narrativa.

    Nas HQs, cabe ao leitor a tarefa de completar o espaço em branco que separam os quadros, imaginando, por exemplo, que a partir do desenho do herói saltando de um prédio e da próxima figura, na qual persegue um bandido, seja possível concluir os movimentos de aterrissar no solo, avistar o malfeitor e, aí sim, iniciar a corrida.

    Já no cinema, tal participação criativa do espectador é minimizada pelo fato de que a retratação dos movimentos pode ser realizada de maneira completa, seja em um plano sequência ou com recortes que coloquem em evidência um início, meio e fim bem definidos para o entendimento da ação.

    Um formato complementa o outro e gerou adaptações icônicas. Estas são algumas delas:

    Oldboy (2003)

    Oldboy é adaptado do mangá homônimo, publicado de 1996 a 1998 no Japão. 

    Existem duas adaptações: uma norte-americana, lançada em 2013 - um fiasco entre o público e a crítica - e uma sul-coreana, de 2003, consagrada como um dos melhores filmes de todos os tempos, sempre presente nas listas de cinéfilos mundo afora.

    A versão sul-coreana foi dirigida por Park Chan-wook e integra sua “Trilogia da Vingança”, que foca na preparação do corpo e da mente para reivindicar, por meio de muita violência, algo sagrado que foi tomado de seus protagonistas: sua integridade.

    Hellboy (2004)

    O icônico diabo vermelho de chifres serrados ganhou, em 2004, uma adaptação pelo olhar minucioso de Guillermo del Toro, que escreveu o filme ao lado de Peter Briggs. 

    O resultado é uma das melhores jornadas do herói do Cinema, valorizada pela atuação excepcional de Ron Perlman e pelo trabalho detalhista do design de produção.

    O filme também ganhou duas continuações que, ainda que eficientes, não chegam aos pés do original.

    V De Vingança (2005)

    Adaptado da HQ de Alan Moore e David Lloyd, o filme precisou adaptar diversos aspectos da trama original para caber em um longa-metragem único, mas nem por isso deixou a desejar.

    O sucesso da obra não foi surpresa, já que foi roteirizada pelas Irmãs Wachowski e dirigida por James McTeigue.

    Sin City - A Cidade Do Pecado (2005)

    “Sin City - A Cidade do Pecado” (2005) é um dos únicos filmes que realmente chegam perto da HQ original.O filme foi co-dirigido pelo criador da série, Frank Miller, e é fiel ao primeiro, terceiro e quarto volumes da série.

    Aliás, quase todas as cenas do filme são diretamente baseadas nas HQs, que funcionam quase como substituição do roteiro e storyboard para o longa.

    Persépolis (2007)

    Persépolis (2007) retrata de forma magnífica a perseguição da guerra do Irã. Em meio a um ambiente perigoso e com muita discriminação contra mulheres, Marjane se descobre e descobre seu amor pela música punk. É uma adaptação da graphic novel de mesmo nome, publicada pela diretora do longa, Marjane Satrapi.

    O objetivo da obra - em ambos os formatos - é denunciar a repressão praticada pelo regime autoritário do Irã, bem como registrar sua história pessoal.

    O filme explora o uso dos traços do quadrinho e da variação de cores - trazendo cenas ora em preto e branco, ora coloridas, para realçar as diferentes nuances da trajetória de sua protagonista.

    DC - Batman - O Cavaleiro Das Trevas (2008)

    Batman: Cavaleiro das Trevas (2008) foca em desconstruir seu herói por meio da figura de seu antagonista - o Coringa - inovando por trazer um tom mais sombrio e introspectivo, sem perder os elementos clássicos dos filmes de super-heróis, com bastante ação e momentos de tirar o fôlego.

    Além disso, o filme traz referências diretas dos quadrinhos, como Batman #1 e A Piada Mortal. 

    Os quadrinhos, à princípio, eram um formato estático, impresso. A caricatura do gênero começou a ganhar vida e movimentos com as animações.

    Azul É A Cor Mais Quente (2013)

    As mudanças no título (que ficou La Vie d’Adèle, em francês) e no nome da protagonista do filme tentam deixar claro que a obra de Abdellatif Kechiche (2013) é uma adaptação livre do romance gráfico de Julie Maroh, Azul É A Cor Mais Quente.

    Cercado de controvérsias, o longa se apoia na exploração e na diluição da cor azul para construir a trajetória emocional de Adèle ao longo de sua relação com Emma. Porém, se os quadrinhos se beneficiam do olhar feminino de sua autora, o filme foi acusado de ser “fetichista”, especialmente após as polêmicas em torno das gravações das cenas de sexo protagonizadas pelas jovens atrizes principais.

    Marvel - Saga do Infinito (2008-2019)

    O MCU fez algo sem precedentes: adaptou toda uma saga para o cinema. Foram mais de 10 anos que desaguaram em Vingadores - Ultimato (2019), o ato final da Saga do Infinito.

    A trama é baseada em mais de uma história em quadrinhos da Marvel Comics.

    Elas fazem parte da Trilogia do Infinito, publicadas no começo dos anos 90, composta por Thanos - Em Busca de Poder, Desafio Infinito e Guerra Infinita. Cruzada Infinita às vezes é incluída na saga, dependendo da publicação.

    Animações: muito além da fantasia

    Live action pode ser definido como produção que envolve pessoas e animais reais. Já a animação, por sua vez, é definida como uma série de imagens em movimento, desenhadas, modeladas ou geradas por computador.

    Com o desenvolvimento da tecnologia, as produções audiovisuais passaram a misturar as duas técnicas, a fim de criarem sequências, cenários e seres que não existem no mundo real, ou que são muito difíceis de serem desenvolvidos de maneiras tradicionais.

    Porém, o termo está em evidência principalmente graças à Disney, cujos lançamentos mais recentes incluem live actions de algumas de suas obras mais célebres.

    Essa nova safra é baseada nas antigas animações, que permitiam aos artistas envolvidos imprimirem sua própria assinatura e estilo nos personagens, algo que está presente na Disney desde a época dos "Nove Anciões", apelido dado ao grupo de animadores que inaugurou as atividades do estúdio em 1932.

    Hoje, com "Aladdin", "Mulan", "A Bela e a Fera", "A Pequena Sereia", dentre outros, o desafio é preservar o encantamento das animações enquanto explora as dimensões de um novo formato, recheado de atores querido pelo público - ou de novas estrelas em ascensão.

    Mas adaptações do tipo não são novidade de agora. Na lista a seguir, falamos um pouco sobre essa nova onda da Disney e rememoramos outras adaptações que seguiram o mesmo desafio alguns anos atrás. Acompanhe!

    Animações da Disney

    Malévola (2014-2019)

    Malévola foi concebida como a "senhora de todo o mal" e, desde 1959, reinava como a mais cruel e poderosa das vilãs da Disney.

    Em 2014, porém, o estúdio decidiu mudar a perspectiva da história. Seu nome podia evocar a crueldade da feiticeira tida como vilã, condenando uma bela princesa ao sono eterno, mas sua verdadeira história não era assim tão maniqueísta.

    Estrelado por Angelina Jolie e Elle Fanning, os dois novos longas (2014 e 2019) contam a história pelo olhar da vilã de "A Bela Adormecida" (1959), justificando suas ações.

    Cinderela (2015)

    Dirigido por Kenneth Branagh, a versão live action da animação de 1950 procurou ser o mais fiel possível ao desenho. A detentora do papel principal foi Lily James. O filme ainda traz Richard Madden,de Game of Thrones, como o príncipe encantado, Helena Bonham Carter, de Harry Potter, como a Fada-Madrinha, e Cate Blanchett como a Madrasta. 

    O longa lucrou 543 milhões de dólares mundialmente.

    Na pele da atriz, Cinderela é tão bela, gentil e justa quanto a princesa da animação. O filme apenas redimensiona a sua história, a tornando mais humana em um mundo surreal.

    Mogli - O Menino Lobo (2016)

    Quando o projeto foi anunciado, tendo Jon Favreau como seu diretor, muita gente duvidou que os personagens de Rudyard Kipling conseguiriam ganhar vida.

    Porém, o filme arrecadou 965 milhões de dólares mundialmente e foi um sucesso de crítica, conseguindo equilibrar magistralmente a fofura característica da obra original com um tom mais “maduro”, trazendo os perigos reais da selva e adotando uma paleta mais sombria do que a do desenho.

    Isso garantiu sinal verde por parte da Disney para o remake de um de seus clássicos: O Rei Leão.

    A Bela E A Fera (2017)

    A Bela e a Fera (2017), de Bill Condon, traz algumas novidades para este clássico da Disney, sem, contudo, abandonar o que fez da obra uma das queridinhas do público, como as canções criadas para a animação de 1991.

    O filme traz Emma Watson, Dan Stevens, Ian McKellen,Kevin Kline, Gugu Mbatha-Raw e Ewan McGregor nos papéis principais e conta com o talento de seu elenco para explorar novas facetas dos clássicos personagens.

    Agradando a geração que cresceu com a animação da Disney, o filme foi um sucesso entre o público e também agradou os críticos.

    Aladdin (2019)

    Se na obra original Jasmine se restringia ao papel de par romântico do herói da trama, nesta adaptação ela tem aspirações políticas e é mais empoderada do que sua versão original - uma guinada interessante dos roteiristas do filme.

    A versão live action também se aproveita do talento até então pouco conhecido de Mena Massoud para conceder a Aladdin uma abordagem mais tridimensional e, de certa forma, mais amadurecida de suas motivações e desafios.

    A nova versão também apostou em estrelas para explorar diferenciais desses personagens tão queridos pelo público, trazendo Will Smith para interpretar o Gênio e Guy Ritchie para dirigir o filme.

    Outras animações de destaque:

    Os Flintstones - I Yabba Dabba Do! (1994)

    A trama conta a ascensão de Fred Flintstone a vice-presidente da Pedregulho & Cia, após um teste realizado pelo executivo Cliff Vandercave e sua secretária. O que Fred não sabe é que tudo não passa de um plano para mascarar um grande esquema de fraude. Por conta da riqueza repentina, a amizade entre o casal e Barney e Betty fica abalada, mas quando Fred e Wilma são acusados de corrupção, são os Rubbles que fazem de tudo para salvar os vizinhos.

    Com estrelas como John Goodman, Rick Moranis, Elizabeth Perkins e Rosie O'Donnell, o filme chegou aos cinemas em maio de 1994 e arrecadou 341 milhões de dólares ao redor do mundo.

    Porém, a crítica não recebeu o filme tão calorosamente.

    Scooby-doo (2002)

    Scooby-Doo é um dos desenhos animados mais famosos do mundo.

    Não tinha como a fama nas telinhas dar em outra: em 2002, Scooby e sua turma ganharam um live action, sendo interpretados por atores que até hoje surpreendem por sua semelhança com os personagens, como Linda Cardellini, que interpretou Velma, Freddie Prinze Jr., que interpretou Fred, e Sarah Michelle Gellar, que interpretou Daphne.

    O longa também investiu em uma animação surpreendente para a época a fim de dar vida ao cachorro mais medroso (e guloso) da televisão. O resultado foi um filme muito bem recebido pelo público, que inspirou uma continuação: Scooby-Doo 2: Monstros à Solta.

    Garfield, O Filme (2004)

    "Garfield", uma das tirinhas mais conhecidas do mundo e que conta as histórias do gato preguiçoso e que ama lasanha, foi adaptada e chegou aos cinemas com atores e tudo mais.

    Vivendo a vida que sempre quis, Garfield é incomodado quando seu dono, Jon Arbuckle (Breckin Meyer), decide adotar um cachorro, Odie. Contrariado, ele inicia uma disputa particular com Odie, mas quando esse é sequestrado, Garfield se sente responsável e parte para salvar o cachorro.

    Pica-pau (2017)

    O filme live action de Pica-Pau, lançado em 2017, pela fama que o personagem tem em solo brasileiro, saiu apenas nos cinemas daqui - para o restante do mundo, o longa saiu diretamente em DVD. A produção conta a história do protagonista procurando confusões com um empresário que deseja derrubar uma árvore, sua própria casa, para construir uma mansão.

    Turma da Mônica (2019)

    A Turma da Mônica já tem diversos filmes animados, mas em Turma Da Mônica - Laços foi a primeira vez em os personagens criados por Maurício de Souza aparecem representados por atores.

    Na trama, Floquinho, o cachorro de Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Ainda há uma continuação prevista para esse ano, 2020, intitulada Turma Da Mônica - Lições.

    Se as animações introduziram a tecnologia no mundo das adaptações, um movimento que acontecia em paralelo e a indústria cinematográfica soube aproveitar foi o dos videogames, que cada vez mais ganham enredos e fotografias sofisticadas.

    6 videogames que viraram filmes de sucesso

    Não à toa, vemos cada vez mais games recebendo adaptações cinematográficas. Isso se deve porque possuem características de narrativa, linguagem e imagem muito parecidas.Logo, é de se esperar que, com o desenvolvimento tecnológico, que possibilita jogos cada vez mais realistas, a adaptação dos games para o Cinema seja um passo cada vez mais natural e orgânico.

    Porém, há um caminho já percorrido - e outro a percorrer - com erros e acertos nas adaptações de videogames para o cinema. Mas o futuro é promissor, à medida que ambas as indústrias navegam por águas próximas.

    Nessa lista, separamos alguns dos maiores sucessos dessas adaptações:

    Mortal Kombat (1995)

    Lançado em 1995, Mortal Kombat seguia a proposta do game, apresentando um torneio de luta mortal, passado em outra dimensão, e respeitando a caracterização altamente peculiar de seus personagens.

    Porém, apesar desse cuidado, muitos fãs reclamaram sobretudo da falta de sangue no filme, já que o jogo é reconhecido por ser um dos mais violentos de todos os tempos.

    Por outro lado, o esforço do diretor Paul W. S. Anderson, que também comandou os filmes da franquia Resident Evil, ganhou reconhecimento e Mortal Kombat, hoje, é tido como uma das melhores adaptações de videogame já feitas.

    Diante desse sucesso, o estúdio responsável pelo filme logo encomendou a sequência Mortal Kombat- O Desafio, que foi lançada em 1997. No entanto, sem ter muito mais o que explorar, o longa foi um fiasco e muitos dos atores do primeiro filme abandonaram a produção antes mesmo de ela começar.

    "O Desafio" colocou o prego no caixão da franquia por muitos anos, mas hoje temos uma nova produção prevista para 2021.

    Silent Hill (2006)

    Pelos mesmos motivos que Mortal Kombat, Silent Hill é um filme altamente respeitado, em termos de adaptação. Seguindo a premissa dos jogos, o longa reproduz sua atmosfera sombria e altamente assustadora, elevando ainda mais o terror característico dos games.

    Os responsáveis pelo sucesso são o diretor Christophe Gans, o roteirista Roger Avery e, claro, o elenco protagonizado por Radha Mitchell, Laurie Holden e Sean Bean.

    O filme foi lançado em 2006 e uma sequência, em 2012, intitulada Silent Hill - Revelação - que não teve tanto sucesso quanto o primeiro, pois trazia uma mudança importante de formato, buscando explorar a tecnologia 3D sem muita razão aparente.

    Resident Evil (2002-2004-2007-2012-2017)

    Em termos cinematográficos e de bilheteria, a adaptação mais bem-sucedida de um game para o cinema foi a da saga Resident Evil.

    Isso se deve, em grande parte, à estreia da franquia. No primeiro filme, Resident Evil - O Hóspede Maldito, lançado em 2002, o formato do game é respeitado e a ação se concentra em um único espaço - um laboratório subterrâneo -, dando margem para que a relação entre os personagens se desenvolva e seja mais um elemento de tensão.

    Já a continuação, Resident Evil 2 - Apocalipse, trazia personagens amados dos games para a trama, como Jill Valentine. 

    O terceiro filme da franquia, Resident Evil 3: A Extinção foi lançado em 2007 e leva a ação para o deserto, explorando um terror menos tradicional, já que o filme se passa todo durante o dia.

    Resident Evil 4: Recomeço retorna parcialmente às origens, concentrando a primeira metade do filme em uma prisão abandonada. Além disso, a produção explora a tecnologia 3D como diferencial.

    Resident Evil 5: Retribuição recapitula todos os filmes da franquia para amarrá-los em uma única história, muito a exemplo dos games, que constantemente trazem intersecções.

    Por fim, Resident Evil: O Capítulo Final, lançado em 2017, encerra a franquia sem, contudo, o mesmo furor dos primeiros filmes, mas deixa as portas abertas para novas histórias serem exploradas.

    Tomb Raider (2001-2003-2018)

    Tomb Raider é um marco para os games 3D, uma vez que a personagem podia caminhar em qualquer direção, algo inédito à época de seu lançamento (1996).

    Além disso, Tomb Raider trazia uma mulher como protagonista, outro elemento inédito, sobretudo nos games de aventura.

    Não tardou para o Cinema enxergar uma oportunidade na história de Lara Croft.

    Lançado em 2001, Lara Croft: Tomb Raider, era uma mistura de Indiana Jones e 007 e trazia Angelina Jolie no papel principal, reivindicando um patamar no gênero. Na época, o filme fez sucesso e se tornou a aventura protagonizada por uma mulher com a maior bilheteria até então. 

    Dois anos depois, Tomb Raider ganhou uma sequência: Lara Croft Tomb Raider: A Origem Da Vida. O filme, porém, não foi bem-sucedido.

    Quinze anos depois, surge Alicia Vikander como a intérprete de uma das heroínas mais famosas dos games. Tomb Raider - A Origem (2018) traz uma abordagem mais realista e humanizada de sua protagonista, inspirado no jogo lançado em 2013, e concede à franquia um frescor bem-vindo, inclusive entre os fãs da saga.

    Tomb Raider - A Origem (2018) é uma investida mais realista e humana na mitologia da série, recontando o início da jornada da bilionária britânica.

    Assassin's Creed (2016)

    Em 2007, a Ubisoft, uma das gigantes do mundo dos games, lançou o aclamado Assassin's Creed. 

    Pouco tempo depois, graças à sua trama original, baseada em fatos históricos, e às mecânicas inovadoras, como o “mergulho” que seu protagonista dá do alto de icônicas construções ao redor da Europa, o jogo virou uma das principais franquias de videogame e uma fonte de renda aparentemente inesgotável para a empresa.

    Logo, não foi surpresa quando uma adaptação cinematográfica surgiu. Dirigido por Justin Kurzel e protagonizado por Michael Fassbender, o filme não foi um sucesso estrondoso, mas também não foi um fracasso. Os fãs da saga ficaram felizes com a homenagem, que respeita a estrutura do jogo e não abre dos elementos que fizeram de Assassin 's Creed um clássico quase que instantâneo.

    Sonic - O Filme (2020)

    Embora tenha sofrido muito backlash a princípio, por conta da descaracterização do personagem queridinho dos games, que ganhou contornos muito mais “humanos” do que o esperado, o filme caiu nas graças do público depois que seus produtores tomaram a decisão de refazer o filme aproximando-o do Sonic, o porco-espinho mais famoso do mundo.

    A atitude não só salvou o filme de perder completamente seu público: serviu como prova do compromisso que o Cinema tem quando o assunto é adaptar obras marcantes de outras linguagens.

    O longa ainda traz Jim Carrey como o grande vilão Robotnik e uma trilha sonora de arrebentar, outros pontos a favor da produção.

    A arte deve extrapolar o formato!

    A arte, seja ela cinematográfica, literária, cartunesca ou audiovisual, em sua essência, tenta aproximar o espectador da história contada, para que ele não apenas observe a vida que essas artes apresentam, mas também possa adentrá-la, efetivamente.

    Por isso, mais do que a suspensão da descrença, é preciso suspender o apego a um formato específico. Representar fielmente uma obra em outro meio é impossível e até mesmo o conceito de se manter o "espírito" é considerado algo subjetivo e abstrato.

    A arte deve extrapolar o formato. E devemos celebrar isso.