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    Análise: Robocop, Alemão e polícia para quem precisa

    Seria Alex Murphy o suficiente para derrubar um sistema inteiro corrompido?
    Por Cristina Tavelin
    17/04/2014

    Crime organizado. Essa expressão, geralmente associada ao tráfico, não deve ficar restrita a ele. Crime depende de ângulo.

    O ângulo dominante, de quem tem o poder nas mãos, define e sentencia os culpados. Mas a Justiça, que vai muito além da Lei, nem sempre está nas mãos do mais forte. Pequeno problema, não?

    Alguns filmes em cartaz recentemente levam a refletir sobre o tema. No remake de Robocop, Alex Murphy é usado pela corporação Ominicorp para estimular a aceitação de robôs no combate ao crime. Vira uma máquina totalmente manipulável visando gerar lucro para a empresa, que produz os drones.

    Enquanto interessa a um sistema específico, Alex, o herói, será preservado. Quando começa a sair da linha guiado por emoções humanas e tão pouco desejáveis, vira um risco iminente e precisa ser eliminado. Nesse caso, o crime organizado parte da própria corporação que assumiu o papel da segurança no lugar do Estado, numa Detroit distópica.

    O diretor José Padilha já abordou a insensibilidade gerada nesse processo de imposição de força nos dois longas de Tropa de Elite, levando a discussão sobre corrupção e poder a um nível, no mínimo, interessante.

    Voltando literalmente para os dias de hoje e para o Brasil, em Alemão, policiais sobem o morro com o intuito de "pacificá-lo" por meio da instalação de uma UPP e precisam se esconder num porão ao terem suas identidades reveladas. Tornam-se os criminosos aos olhos da comunidade.

    Alemão

    Esses agentes têm lá seus crimes na bagagem, mas ali, novamente, serão heróis na "guerra contra o crime" dentro de um contexto mais amplo. Seus delitos são enquadrados como desvios de conduta pontuais, diferente do nível daqueles "bandidos". Ah, claro, e a morte de um personagem branco de classe média leva a plateia aos prantos, enquanto os negros mortos passam quase despercebidos.

    Nos dois casos, o discurso é o mesmo: as instituições agem pela segurança e pelo bem-estar da sociedade. Segundo as próprias premissas. No caso de Robocop, fica mais evidente a deturpação moral da corporação. Em Alemão, o crime organizado aparece de forma discreta para não queimar nem o filme da polícia nem do governo do Rio de Janeiro.

    Interessante notar que a população, em geral, aparece apática e sem autonomia para pensar ou agir, totalmente manipulável. Seja envolvido pelo discurso da mídia em Detroit ou fugindo pelos becos do morro do Alemão, o povo nunca tem voz ativa. É mero figurante. 

    E aqui há o segundo problema, talvez o mais grave. Quando o crime está do lado de quem tem o poder, qual a saída? O que fazer quando a própria polícia precisa ser pacificada? Seria um Alex Murphy o suficiente para derrubar um sistema inteiro corrompido?  

    Uma consequência desse quadro pode vir nos moldes do último filme da trilogia Batman, O Cavaleiro Das Trevas Ressurge. Tudo segue ordeiro em Gotham City até a revolta surgir do subsolo, numa criação deformada da própria sociedade. E daí, meu amigo, bem e mal são apenas detalhes. A justiça dos oprimidos acaba sendo feita pelos mesmos meios com os quais foi enterrada.

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