Os principais anti-heróis do universo da Marvel, da DC e além!

Anti-heróis da cultura pop

03/09/2020 18h00 (Atualizado em 11/09/2020 17h43)

A raiz de um herói pode ser encontrada na ideia de alguém que se sacrifica, estando disposto a abrir mão de suas próprias necessidades em benefício de outros. É uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar, de forma excepcional, um determinado problema de dimensão épica.

Por sua vez, o vilão é o antagonista da história. Ele normalmente é revolucionário, movido por ideologias, quer a mudança do mundo; é cego, normalmente enxerga sua solução como a única opção viável. Ele é puramente mal: sua natureza fez assim, seu objetivo é causar o mal sem ver as consequências..

Já o anti-herói está em uma área cinzenta entre o vilão e o cara legal. Por isso, há momentos em que é desagradável, mas em outros é extremamente encantador. São as suas qualidades paradoxais que fazem com que se assemelhe às pessoas reais — mais do que qualquer outro personagem da ficção.

É um personagem cheio de nuances - e a evolução dos super-heróis, tanto nos quadrinhos quanto nos cinemas, nos brindou com ótimos anti-heróis.

A seguir, separamos uma lista com os principais anti-heróis dos universos da Marvel, da DC e além:

Bloodshot

O personagem surgiu em 1992 nas páginas de Eternal Warrior, mas ganhou sua própria revista em 1993, se tornando um dos maiores sucessos da Valiant Comics. Após ser brutalmente assassinado ao lado da esposa, o militar Ray Garrison é trazido de volta à vida em um experimento secreto do governo. Aprimorado com nanotecnologia, ele se torna uma máquina super-humana de matar, movido por vingança.

Spawn

Spawn não tem misericórdia de bandido algum e diverte-se mandando suas almas para o inferno. No entanto, ele é prontamente acolhido por um bando de moradores de rua que não se importam com sua aparência e passa a protegê-los como se fossem seus únicos amigos.

Como se não bastasse ter sido transformado em um terrível demônio desfigurado, Spawn descobre que sua ex-esposa se casou com seu melhor amigo. Apesar de seus métodos nada convencionais de combater a maldade, Simmons é um homem de bom coração e já salvou a Terra inúmeras vezes.

Elektra

Elektra foi uma das primeiras mulheres das HQs da Marvel que se caracterizavam como um anti-herói. Sua personalidade perigosa e instável a tornam tanto uma possível aliada como inimiga.

Já lutou várias vezes contra heróis, incluindo seu amor Matt Murdock, mas também os salvou outras tantas vezes. Elektra é explosiva e impulsiva, mas sua essência é mista, variando conforme as situações. Suas aparições normalmente estão relacionadas às histórias do Demolidor.

Mulher-Gato

Seu caminho entre a luz e a escuridão é comparável a sua turbulenta paixão por Batman. Selina Kyle, na visão da DC Comics, era originalmente uma vilã, mas percorreu uma longa jornada de transformação.

Ela não está nem aí para a lei e tem seu próprio código de honra, protegendo os mais fracos, desde que isso não interfira com seus planos. Selina é uma anti-heroína por excelência, sendo típico ver ela fazendo a coisa certa mas com métodos ilegais.

Arlequina

Arlequina surgiu como a "simples" namorada louca do Coringa na Série Animada do Batman, mas a DC Comics percebeu o potencial da personagem e decidiu levá-la para os quadrinhos.

Nas revistas, a personagem ganhou ainda mais profundidade e sua história foi sendo trabalhada de maneira muito convincente.

Foi no Esquadrão Suicida (2016) que a faceta da Arlequina começou a mudar e a rendeu ainda um filme solo: Aves De Rapina - Arlequina E Sua Emancipação Fantabulosa (2020).

Rorschach

O senso de certo e errado em Rorschach, em Watchmen, da DC Comics, é tão forte que se torna a única coisa que importa. A moral do vigilante justifica tudo, mesmo que isso signifique torturar e assassinar de forma insana os criminosos.

Ele se considerava acima da lei, mas acabou dentro da prisão devido aos seus métodos violentos. Mesmo quando o Governo passou a regular as atividades dos super-heróis, Rorschach ignorou e continuou praticando a sua justiça impiedosa.

Wolverine

Personificando uma arma letal sem limites, Logan tem seu passado manchado por guerra e banhos de sangue. Os seus instintos animais, o seu super poder de cura e suas garras fazem dele a perfeita máquina da morte.

Wolverine, entretanto, é altruísta e procura fazer o melhor pelos outros, mesmo que isso o prejudique. A Marvel explorou com frequência os dois lados de Logan: herói e professor dos X-Men, ou o assassino que destrói quem for preciso para manter o mundo um lugar mais seguro.

Justiceiro

Frank Castle não só assassina qualquer criminoso que acha que merece a morte, como ele realmente gosta do ato de matar. Um veterano de guerra cuja família foi assassinada por criminosos, Castle é um homem sem nada a perder.

Depois dessa tragédia, Frank se transforma no Justiceiro da Marvel e decide "limpar" a sua cidade, um fora-da-lei por vez.

Deadpool

Violento, insano, carismático. Deadpool cumpre todos os requisitos de um anti-herói. O mercenário faz o que quer, seja ajudar os vilões ou os heróis e sua regra número 1 é não ter qualquer regra.

Ele tem a capacidade de ser alguém decente e já fez muitas boas ações, mas também se juntou aos vilões quando foi conveniente. A sua imprevisibilidade, irreverência e humor o tornam um personagem cheio de nuances, bem característico de um anti-herói da Marvel. Deadpool faz parte do mundo dos X-Men.

Se você quer saber mais sobre o universo dos super-heróis, os melhores filmes, as grandes super-heroínas, as memoráveis animações, e a trajetória dos principais estúdios para a dominação do gênero em Hollywood, não deixe de conferir nosso artigo "A evolução dos filmes de super-herói no cinema".

Como Deadpool e Wolverine mudaram o cinema

Deadpool causou grande alvoroço no cinema quando estreou em 2016 ao trazer não só importantes elementos essenciais de um bom filme de super-herói, como humor, personagens interessantes e ação, mas também tom adulto, palavrões, violência exagera, muita zueira e a consciência de que esse tipo de filme em si nada mais é do que uma forma de diversão.

Uma das principais razões para o sucesso de Deadpool foi sua classificação para adultos, o que garantiu que palavrões e e muita violência entrassem em cena do começo ao fim. Por isso, a prodição não apenas abalou o status-quo das aventuras de ação estreladas pelos super-heróis, mas foi além e estabeleceu novos precedentes cinematográficos.

Do marketing ao orçamento e às tramas, Deadpool mexeu com a indústria. O filme fez piada com si mesmo por meses, garantindo que a hype nunca acabasse. Sem falar que o filme foi feito com apenas US$ 58 milhões, valor baixo para o gênero e até mesmo outros blockbusters, o que provou que é possível fazer muito mais, com muito menos e ainda se tornar um filme marcante, que todo mundo quer ver. Sem falar que agora as histórias poderiam ser mais centradas nos personagens e menos em heróis salvando o mundo.

E aí entra Logan na história. Seu marketing também foi agressivo, a começar pelo uso perfeito da música Hurt, interpretada por Johnny Cash. O longa é um drama pesado e mostra algo que raramente vemos: O fim da vida de um super-herói. A narrativa foca nas lutas, não exagera no CGI e é um filme de ação feito com muito cudado, mas com menos foco nas habilidades especiais de seus protagonistas e sim em quem eles são como pessoas e como enfrentam as adversidades.

Logan, até mais do que Deadpool, é a antítese do que esperamos de um filme de super-herói. De cara, nenhum dos filmes da Marvel foi tão cinematográfico quanto. A inspiração dos faroestes e road movies foram cruciais, afinal, conforme o trio de protagonistas viaja pelas rodovias dos Estados Unidos, temos uma visão pitoresca do país no futuro e suas interações dão vida à história.

É um contraste os longas da DC e da Marvel. Não só de visial e tom, mas também de desenvolvimento de trama e personagens. E é realista, não do ponto de vista técnico, como Batman - O Cavaleiro Das Trevas, mas do ponto de vista humano. Sem falar que o filme afeta os espectadores psicologicamente, deixando um gosto amargo com o fim da jornada de Hugh Jackman como Wolverine, que morre no final.

Logan nos permite aproveitar todas as características das narrativas de super-heróis: ação, o suspense, o abandono imprudente, fim de uma era, história de origem - em um filme que, em última análise, não parece muito com um longa de quadrinhos como conhecemos, mas sim uma evolução bem-vinda do gênero.

Não há como negar que esses filmes mudaram o cinema e, principalmente, os longas baseados em quadrinhos.


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