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    As Vaginas de Veneza

    Por Da Redação
    01/09/2000

    Segundo dia de festival: 15 longas-metragens apresentados. Três deles com a vagina em primeiro plano. É curioso. Nestes anos todos cobrindo festivais de cinema, dá para dizer que sempre surge uma tendência ou temáticas que se repetem em diversos filmes num mesmo evento. Cannes 98 foi o ano do pênis. Várias produções expunham o sexo masculino na grande tela. Agora é o momento da redescoberta do sexo feminino.

    Nestes dois dias de Veneza já vimos a vagina “política” do divertido Together, de Lukas Moodysson (realizador de Amigas de Colégio/Fucking Amal). A vagina “poética” de Sade, de Benoît Jacquot. E a vagina “ginecológica” de Dr. T e as Mulheres, do veterano Robert Altman.
    Altman, aliás, vai fundo na questão, fazendo uma deliciosa homenagem às mulheres. Ele prova mais uma vez que sabe explorar produções temáticas: a guerra, em M.A.S.H., a música country em Nashville, os bastidores do cinema, em O Jogador, e a moda, em Pret-à-Porter. Neste seu novo filme é a vez das mulheres. E nada melhor que o consultório de um ginecologista para ser o cenário de um mundo feminino à beira da histeria. Richard Gere é o ginecologista bonitão que tem problemas com a mulher, com as filhas, com a amante e com todas as suas pacientes. Não é preciso dizer que nesse caso a vagina e todas suas implicações fazem a festa, do começo ao fim do roteiro.

    Já o novato sueco Lukas Moodysson enfoca o sexo feminino de um outro ângulo. Seu simpático Together está situado em uma casa-comunidade alternativa, do final dos anos 70, onde todo mundo estava meio dividido entre o engajamento político e os prazeres da carne. Era época de liberação sexual, de casamento aberto, de experimentação em todos os sentidos. Nada mais natural do que a atitude de uma das integrantes desta casa-comunidade que considera absolutamente normal ficar sem calcinha enquanto toma café da manhã. É ela também que decide virar lésbica como forma de protesto à dominação masculina. O filme é um ótimo exemplar do politicamente incorreto nestes tempos de tantas regras e normas surgidas da caretice americana.
    No caso de Sade, já comentado nesta coluna, o francês Benoît Jacquot segue uma tendência do cinema de seu país. Produções luxuosas e pretensamente “cabeça” mas com pitadas de erotismo. O Marquês de Sade, que dá nome ao sadismo, é o tema do filme. É ele que traz a vagina à tela, quando inicia uma jovem virgem na arte do sexo.

    Comecem a contar, façam suas apostas! Vamos ver quantas outras vaginas ainda vão pintar aqui em Veneza. Fique plugado na cobertura do 57o. Festival de Cinema de Veneza.