Batalha livro x filme: Comparamos clássicos e queremos sua opinião

Qual versão dessas obras é a sua favorita?

07/04/2020 13h00 (Atualizado em 29/10/2020 14h30)

Por Daniel Reininger

Nada melhor do que ler livros e ver filmes para descontrair e relaxar, não é mesmo? E nesse momento, por que não fazer os dois? Inspirados por essa ideia, resolvemos fazer uma batalha de livros e filmes e ver qual versão se sai melhor, de acordo com a opinião da redação do CineclickAlexandre Dias, Daniel Reininger e Thamires Viana, e da Aline T.K.M, do Livro Lab, nossa convidada especial. 

Antes da análise de cada livro, vale apontar que 51% dos votantes da nossa enquete escolheram a trilogia O Senhor dos Anéis como os melhores filmes baseados em livros.

Veja o que temos a dizer sobre algumas obras icônicas:

Duna (1984): Livro é melhor que o filme 

Duna


Alexandre opina: O diretor David Lynch conseguiu transmitir o seu estilo surrealista na adaptação cinematográfica de Duna, no entanto, o escopo do livro é tão épico em vários aspectos, que a sua versão das telonas não conseguiu abranger todos eles. O escritor Frank Herbert discute ecologia, religião e sociologia no meio de uma narrativa futurista e empolgante sobre disputas de casas em um império. Alguns desses debates, assim como determinadas subtramas, acabaram ficando de fora do longa de Lynch.

Aline comenta: Ainda não li nem assisti, mas com certeza o livro e o filme estão na minha lista, como uma boa apreciadora de ficção científica que sou.

Daniel concorda com Alexandre: O livro é um marco da ficção científica. Frank Herbert deixou de focar na tecnologia para abordar a política, moralidade e discutir a própria humanidade e seu ambiente. A história é até mais relevante hoje em dia do que quando Herbert a escreveu e o livro mudou a forma como é feita a ficção científica e alterou seus temas centrais. Sem falar que a história é simplesmente magnífica. Já o filme de David Lynch não captura sua essência.

Thamires concorda com Alexandre: Creio que David Lynch exerce uma função excelente - tanto em roteiro, quanto em direção - na adaptação cinematográfica, mas os elementos presentes no romance de Herbert são insuperáveis.

Público do Instagram do Cineclick concorda com Alexandre: 68% dos usuários que votaram preferem o livro.


Louca Obsessão (1990): Filme é melhor que o livro 

Louca Obsessão


Alexandre opina: Stephen King utilizou da metalinguagem para falar de um autor escrevendo um livro em meio a uma situação opressora. Esse incrível mérito foi transposto por Rob Reiner para as telonas ao extrair daquela história o melhor dela naquela mídia; o diretor utiliza posições de câmera certeiras que movimentam a narrativa. Além disso, as atuações de Kathy Bates como a fã enlouquecida e James Caan (no papel do escritor) são tão intensas e geram uma imagem muito nítida do que King queria passar aos seus leitores.

Aline comenta: Eu amo o filme e acho fenomenal a maneira como a tensão vai se construindo (as atuações têm grande mérito aí), mas ainda não li o livro. Por isso, achei que seria estranho/injusto me posicionar defendendo um ou outro.

Daniel discorda de Alexandre: O livro de Stephen King é muito mais denso e pesado. Embora as atuações de Kathy Bates e James Caan sejam incríveis, o filme não aborda todas as questões psicológicas que fazem do livro algo sufocante e tiram um pouco o impacto da história. 

Thamires discorda de Alexandre: Assim como O Iluminado, creio que Stephen King tem uma forma única de abordar sensações e características de seus personagens que levam o leitor diretamente ao universo de seus romances, sem precisar de elementos visuais. No entanto, não dá para negar que essa é uma ótima adaptação.

Público do Instagram do Cineclick concorda com Alexandre: 68% dos usuários que votaram preferem o filme.


O Iluminado (1980): Filme é melhor que o livro

O Iluminado


Daniel opina: A adaptação de O Iluminado, dirigida pelo incrível Stanley Kubrick, é uma obra-prima. E o livro é um clássico arrepiante. E não é segredo para ninguém que o autor Stephen King odeia a versão cinematográfica por considerar que seu livro não foi representado na tela. Sua reclamação faz sentido, afinal Kubrick mudou consideravelmente o texto original, mas, para mim, está claro que nas mãos do renomado diretor essa trama se tornou algo a mais, algo icônico, atemporal e humano. Talvez as mudanças tenham sido exatamente o que o cinema precisava. Não é a toa que até hoje o filme é um dos favoritos de muita gente.

Alexandre discorda de Daniel: Kubrick tem uma obra-prima do cinema, mas por ter feito algo autoral. O projeto inicial de Stephen King se sustenta de um modo muito diferente do filme, logo, por ser o conteúdo original, é superior a sua adaptação.

Aline discorda de Daniel: Ok, é verdade que não dá para pensar no livro sem visualizar o carpete estampado, o bar, ou mesmo as gêmeas vestidas de azul no corredor, imagens que o filme tratou de gravar na nossa cabeça. Associar um ao outro fica um pouco automático. Contudo, tenho a sensação de que o livro mergulha bem mais na mente de Danny e no poder que ele tem, tornando tudo muito mais aterrorizante.

Thamires discorda de Daniel: É claro que Stanley Kubrick inseriu elementos visuais que deram um tom único e amedrontador ao que Stephen King queria trazer ao público, mas um romance que faz a gente sentir medo de passar para a próxima página é para poucos. Isso faz de O Iluminado um romance completamente assertivo e único.

Público do Instagram do Cineclick concorda com Daniel: 63% dos usuários que votaram preferem o filme.


Trilogia O Senhor Dos Anéis (2001 a 2005): Livros melhores que filmes

O Senhor dos Anéis - O Retorno Do Rei


Daniel opina: Os filmes são incríveis, ganharam Oscar, mas estamos falando de uma das maiores obras literárias do século XX, escrita pelo gênio J.R.R. Tolkien. Os livros aprofundam personagens, apresentam situações marcantes que não couberam nos filmes, expandem o mundo, as culturas, as línguas da Terra Média. E tudo isso com o melhor que a literatura pode proporcionar. Aconselho ler e assistir todos.

Alexandre concorda com Daniel: Os filmes de Peter Jackson são espetaculares, porém o mundo criado por Tolkien funciona na literatura por si só. Um belo exemplo disso é a linguística trabalhada por ele nos povos da Terra Média, algo que só a literatura pode oferecer.

Aline concorda com Daniel: Os filmes têm um visual incrível, fato. Mas, pessoalmente, não sou muito fã deles. Os livros, por outro lado, são ricos em todos os aspectos, trazem descrições exuberantes e bastante detalhadas, e são quase enciclopédicos na abordagem dos povos e de todo o universo no qual se inserem.

Thamires concorda com Daniel: Embora a saga cinematográfica conduza a história de forma fiel, os romances trazem detalhes únicos que potencializam a importância dos mundos e linguagens criadas por Tolkien para o universo abordado na trama.

Público do Instagram do Cineclick discorda de Daniel: 66% dos usuários que votaram preferem os filmes.


Filme: Trainspotting - Sem Limites (1996) : Filme melhor que o Livro 

Trainspotting


Thamires opina: Lançado em 1993 pelo escritor escocês Irvine Welsh, o romance foi adaptado para o cinema três anos depois, em 1996, com direção de Danny Boyle. A história segue o grupo de rebeldes composto por Renton, Sick Boy, Tommy, Spud e Begbie vivendo ressacas e viagens a base de heroína. Ainda que tenha dado origem ao longa, o livro foi pouco explorado pelo público, e um dos motivos tende a ser sua linguagem desconexa e narrada por diversos personagens, o que deixa a leitura um pouco cansativa para alguns. Já o longa elege Renton - personagem de Ewan McGregor - como o principal narrador da trama. Apesar de trazer múltiplas narrativas, o diretor cria uma forma linear de contar a história.

Alexandre concorda com Thamires: Danny Boyle é muito sensorial no seu filme. Cada acontecimento do longa mexe com o espectador, além de ter uma montagem espetacular. É uma adaptação que tem o seu próprio tom!

Aline concorda com Thamires: Gostei muito do livro, da maneira como os personagens são retratados e das reflexões sociais que nós, como leitores, somos encorajados a construir. Já o filme conseguiu transformar o livro em uma obra sensacional, com imagens repletas de personalidade, além de fazer dos personagens centrais verdadeiros ícones de uma época, de um contexto e de um lugar. Ainda, outro mérito do longa é ampliar as reflexões – não importa quem você é ou de onde você vem, o filme consegue estabelecer um diálogo e fazer com que você se identifique com os recados que ele passa acerca da vida e de como se escolhe vivê-la.

Daniel concorda com Thamires: Eu gosto demais do filme, ele marcou quando assisti, já o livro, talvez por ter sido lido depois, não causou o mesmo impacto, até por ser muito confuso e tirar a atenção da história e dos personagens com seu formato caótico. O filme captura com maestria o espírito do grupo, as viagens, as ressacas e consegue tratar de temas pesados e ainda divertir. É um dos meus filmes favoritos.

Público do Instagram do Cineclick concorda com Thamires: 77% dos usuários que votaram preferem o filme.


Uma Dobra No Tempo (2018): Livro é melhor que o filme

Uma Dobra no Tempo


Thamires opina: A série de cinco livros escrita por Madeleine L'Engle se tornou um clássico da fantasia nos EUA e a adaptação do primeiro romance foi feita pelas mãos da Disney. A trama segue três jovens que embarcam em uma viagem extraordinária em busca de um personagem desaparecido. O livro traz elementos e personagens chaves para o bom desenvolvimento da história, enquanto o filme descarta alguns pontos do romance e aborda clichês sobre aceitação e força interior presentes de forma mais amena nas páginas adaptadas.

Alexandre discorda de Thamires: O espírito Disney misturado à história original garante aspectos únicos a sua versãocinematográfica. Um grande exemplo disso é o visual deslumbrante do longa.

Aline comenta: Uma vez comecei a assistir ao filme, mas acabei abandonando antes da metade, não me prendeu. Talvez por isso também me senti desencorajada a ler o livro.

Daniel concorda com Thamires: Tanto o livro quanto o filme sofrem de problemas similares, principalmente na questão narrativa. Embora a magia da Disney, elenco e o belo visual ajudem bastante o filme, ainda é uma obra sonolenta que não consegue me cativar. O livro captura um pouco mais a atenção, com mais tempo para explorar alguns temas relevantes ignorados no cinema e graças à capacidade de incentivar a imaginação do leitor.

Público do Instagram do Cineclick concorda com Thamires: 78% dos usuários que votaram preferem o livro.


O livro (Androides sonham com ovelhas elétricas?) é melhor que o filme Blade Runner - O Caçador De Andróides (1982) 

Blade Runner


Aline opina: Que Ridley Scott fez um trabalho épico, disso não há dúvidas. Blade Runner, de 1982, deleita os nossos olhos recriando à perfeição uma Terra pós-apocalíptica e hostil, onde restaram apenas aqueles que não foram qualificados para partir e viver em uma colônia fora do planeta. O filme tem o mérito de manter o aspecto introspectivo e existencialista da trama, em vez de apenas nos bombardear com cenas de ação. Ainda assim prefiro o livro, por desenvolver várias outras camadas que não estão presentes no filme, como a questão da fé e da alienação, além do desejo de status.

Alexandre discorda de Aline: O diretor de Alien - O Oitavo Passageiro provou que sabe fazer um bom sci-fi com obras impactantes em sua carreira. Com essa adaptação, ele traz o melhor da obra original, mas de modo único. Além disso, é um dos pilares de filmes com futuros distópicos de toda a história do cinema.

Daniel concorda com Aline: O filme é um marco, um dos meus preferidos e extremamente impactante e definiu o visual cyberpunk na cultura pop, mas o livro desenvolve diversas outras camadas da história, aprofunda o universo e os personagens e se torna uma leitura simplesmente obrigatória, ao meu ver. Mas sou suspeito nessa escolha, porque Philip K. Dick é um dos meu autores favoritos e esse livro está entre meus cinco preferidos.

Thamires concorda com Aline: Embora Ridley Scott tenha trazido uma adaptação exemplar para os cinemas, Philip K. Dick criou uma atmosfera perturbadora e única para contar essa história, marcando não só a literatura mas também uma geração com seu romance.

Público do Instagram do Cineclick discorda de Aline: 77% dos usuários que votaram preferem o filme.

 

Me Chame Pelo Seu Nome (2017): Filme é tão bom quanto o livro

ME CHAME PELO SEU NOME

Aline opina: O filme de Luca Guadagnino conseguiu traduzir toda a sensibilidade, o aspecto idílico, a juventude e a sensação de um verão eterno e inesquecível que tornam o livro de André Aciman tão apaixonante. A gente se surpreende ao enxergar na tela o mesmo amor romântico e livre de barreiras que conhecemos no livro, e, ainda por cima, acompanhado por uma trilha sonora perfeita. Vale destacar a cena da conversa de Elio com o pai, igualmente emocionante no livro e no filme. Impossível decidir qual é o melhor: fico com livro e filme na mesma medida!

Alexandre discorda de Aline: A sensibilidade da história é captada pelos atores com maestria e um roteiro bem amarrado. Além disso, as cores, fotografia e posições da câmera ajudam a humanizar uma história magnífica. Características que só o cinema pode oferecer.

Daniel comenta: Não li o livro, mas o filme se tornou um dos meus favoritos, com uma história sensível, personagens bens construídos, uma bela narrativa de crescimento, amor e auto-conhecimento. 

Thamires concorda com Aline: Pra mim é uma das história uma das mais lindas já adaptadas. Acho que a forma com a qual o filme apresenta as incríveis paisagens italianas e aprofunda os personagens se assemelha muito com aquela abordada pelo autor do livro.

Público do Instagram do Cineclick concorda com Aline: Com um incrível empate em 50% para cada obra, fica claro que ambos são incríveis.


E para você, o livro ou o filme é melhor entre essas obras? E quais outros títulos gostaria de colocar na batalha? Comente abaixo com sua opinião.


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