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    Bob Cuspe vira filme e vence festival na França

    Personagem punk do cartunista Angeli é símbolo de resistência
    Por Daniel Reininger
    06/06/2021 - Atualizado há 3 meses

    Bob Cuspe, um dos grandes personagens do cartunista Angeli, vai ganhar uma animação que estreia em Annecy, o maior festival de cinema animado do mundo, sediado na França. Para saber mais dessa obra, conversamos com o diretor Cesar Cabral e também com os compositores Marcio Nigro e André Abujamra.

    Antes de mais nada, é preciso apresentar Bob Cuspe. O personagem criado por Angeli simboliza o "punk da periferia" e foi uma resposta aos excessos dos anos 1980, à hipocrisia e uma forma de resistência. 

    A trama do filme do Bob mostra um conflito entre o personagem e criador, Angeli, que decide se livrar dele. Só que o protagonista não vai se render assim tão fácil, obviamente. Conheça um pouco mais sobre o filme:

    Tirinha Bob CuspeReprodução

    O longa

    Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente é primeiro longa-metragem dirigido pelo animador paulistano Cesar Cabral.

    Produzido em stop motion, técnica em que objetos são filmados quadro a quadro, o longa promete arrancar risadas com uma trama vive digna de Mad Max, com um deserto apocalíptico cheio de perigos, que na verdade é a cabeça do cartunista Angeli. 

    "O filme tem uma pegada de DOC, é uma coisa mais pessoal, porque fiz uma espécie de registro constante com Angeli, mas daí vai para uma coisa bem ficcional. O longa fala muito sobre o momento atual do artista, que revisita seu trabalho e busca novos caminhos, daí o motivo dele querer acabar com Bob Cuspe", revela o cineasta.

    A ideia é capturar a essência do personagem. "Bob Cuspe tem essa coisa do rock'n roll, do universo urbano. É algo muito ligado à cidade de São Paulo e esse é um tema que vivenciei e gosto", conta Cabral. 

    O projeto nasceu a partir de um outro trabalho do animador com o cartunista. "Trabalhei com Angeli pela primeira vez em 2008, no curta da Rê Bordosa. Recentemente, ele comentou comigo: 'Bob Cuspe é um personagem que daria um ótimo longa'. Concordei e falei: 'vamos escrever'.", conta.

    Sem financiamento, o animador mergulhou no projeto revezando com trabalhos do dia-a-dia. "No meio disso tudo, rolou a série Angeli - The Killer, na qual ele divide a cena com muitas de suas criações. Depois disso, o longa mesmo entrou em pré-produção em 2017, quando conseguimos levantar o financiamento necessário", explica o diretor Cesar Cabral.

    Premiado

    No dia do Cinema Brasileiro, veio o anúncio de que o prêmio de Melhor Filmes do Festival Annecy foi para o filme dirigido por Cesar Cabral, que estava concorrendo na Mostra Contrechamp.

    “Receber esse prêmio de Annecy demonstra a maturidade, não só da animação, mas da produção audiovisual brasileira. Estamos levando nossa cultura para o mundo e demonstrando que somos capazes de ir muito longe. O punk Bob Cuspe criado por Angeli, mostra que apesar de tudo resistimos.”, diz o diretor.

    Relevância de Bob Cuspe

    O diretor fala porque faz sentido criar uma animação sobre Bob Cuspe hoje, mesmo sendo um símbolo punk dos anos 80. "Ele representa a juventude. A rebeldia ainda está presente, mesmo que diferente e esse tema vai além do personagem. É uma trama que dialoga bastante com o momento e vai sempre conversar com as novas gerações", conta o diretor.

    Os músicos Marcio Nigro e André Abujamra também comentaram a importância do personagem: "É um clássico da linguagem pop alternativo feito pelo Angeli e clássicos sempre serão importantes", comenta Abujamra. "É Underground, mas um clássico. No filme, ele volta com uma energia modernizada que tem apelo para as novas gerações", completa Nigro.

    Abujamra vai além e explica a importância desse personagem no cenário atual. "Num momento de miséria intelectual e moral, qualquer atitude a favor da cultura simboliza resistência à barbárie. Bob Cuspe neles!", comenta Abujamra.

    O personagem sempre será um símbolo de rebeldia. "Não importa quão difíceis sejam os tempos, a arte sempre será uma forma de identidade e resistência. Não apenas política, mas de existência. E a música vai junto nessa onda que leva uma obra para todos os cantos do planeta", comenta Nigro.

    Música

    A importância da música é gigantesca na trama, como você pode imaginar. Além das composições de Nigro e Abujamra, a narrativa conta com canções famosas dos Titãs, Inocentes, Iggy Pop, Mercenárias, Patif Band, entre outras. "O filme repleto de referência dos anos 80, dos quadrinhos, do punk. Tínhamos um orçamento limitado, mas fomos atrás de muitas músicas, como de Iggy Pop, Titãs, porque o filme tem esse lado rock'n roll", comenta Cabral.

    O longa tem uma forma curiosa de mostrar o suposto fim de Bob. "Existe uma luta entre o Rock e o Pop nesse filme e isso conversa bem sobre como Angeli quer reinventar seus personagens", completa o cineasta.

    Sobre a trilha, o filme deu liberdade a seus compositores. “É muito bom poder trabalhar num filme que dá liberdade criativa e procura um caminho original e não baseado apenas em referências de outros filmes ou artistas. Eu e o Abu gostamos de pirar e o Bob Cuspe nos deu essa oportunidade”, conta Nigro.

    "Eu sempre digo que se você quer entender a importância de uma trilha sonora para um filme é só tirar a música. Esse é o fio condutor das cenas, que te transporta para dentro do filme sem você perceber", comenta Abujamra.

    Elenco

    Além de Milhem Cortaz como Bob Cuspe, o filme tem, em seu elenco de vozes, Paulo Miklos como os Irmãos Kowalski, Grace Gianoukas como Rê Bordosa e André Abujamra como Rhalah Rikota. 

    Estreia

    O longa estreia agora no dia 14 de junho no Festival de Annecy, na França, e depois deve ir para outros eventos mundiais. A ideia é lançar o filme comercialmente em dezembro de 2021 ou começo de 2022, revela o diretor. 

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