BRASÍLIA 2010: Com aplausos e ironia, público pede a volta de Júlio Bressane

27/11/2010 12h48























Quando ganhou o Candango de Melhor Filme do Festival de Brasília em 2007 por Cleópatra, Júlio Bressane foi alvo de vaias na cerimônia de premiação. Mas parece que o aceso público que frequenta as abarrotadas sessões do Cine Brasília está sentindo falta dos filmes do cineasta.

Na sessão noturna de sexta-feira (26/11) tivemos fortes aplausos, projeção catártica, comentários irônicos durante uma exibição e aplausos discretos. As reações mais positivas foram aos dois curtas-metragens exibidos, os documentários Acercadacana e Braxília – isso mesmo, com “x”, opção que é explicada durante o filme.

Inteligente a colocação dos dois filmes na mesma sessão. O primeiro fala de uma luta política na zona da mata de Pernambuco, da história de Maria Francisca que resiste às pressões dos usineiros para abandonar o local e seguir o caminho de outras 15 mil famílias: ser expulsa. Uma mulher inteiramente ligada à sua terra e que não aceita sair de lá.

O segundo reflete, por meio do poeta Nicholas Behr, sobre como encontrar a vivacidade de Brasília. Um homem inteiramente ligado à sua terra de adoção e que, para conseguir sobreviver à cidade de amplas distâncias, prédios iguais e que privilegia carros em detrimento de pedestres, tem de criar um lugar imaginário, Braxília.

Duas maneiras de se confrontar com a vida: a resposta política, no caso de Maria Francisca, e a artística, no caso de Behr. Uma trata de sobrevivência, outra de buscar o prazer possível na vida. A história de resistência de Maria chegou até à plateia do Festival de Brasília porque ela ficou, enquanto a de Behr tornou-se filme por ter saído, mesmo que imaginariamente, usando a poesia para contestar a relação do brasiliense de nascimento ou adoção com Brasília.

O fato é que os dois filmes, além de manterem uma forte conversa entre si, foram de encontro ao que a plateia do Cine Brasília esperava. Aplausos fortes para Acercadacana

A sessão mais quente da mostra competitiva desde o começo do Festival de Brasília, na terça-feira (23/11). Mesmo que o longa-metragem que encerrou as exibições, Os Residentes, produção mineira de Tiago Tata Machado, tenha sido um banho de água congelante tanto na empolgação dos filmes de sexta-feira quanto da exibição do dia anterior, marcada pelo ótimo Transeunte.

Conhecida por ser a plateia mais participativa dos festivais de cinema brasileiros ao lado da do Cine PE, parte do público de Brasília ainda ironizou a sessão com um pedido de “volta Bressane”, em referência ao cineasta mais premiado por aqui com Melhor Filme em 2007 (Cleópatra), 2003 (Filme de Amor), 1997 (Miramar) e 1982 (Tabu).

*Heitor Augusto viajou a convite da organização do evento.


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