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    BRASÍLIA 2010: Documentário mostra contradições de Mário Peixoto, diretor da obra-prima Limite

    Por Heitor Augusto, enviado especial a Brasília
    28/11/2010

    Faltou pouco para O Mar de Mário entrar na competição pelo Candango de Melhor Filme no Festival de Brasília. Na verdade, faltou ser inédito, critério exigido pelo festival para integrar a principal mostra competitiva. Não tem problema: o documentário está aí para apresentar um personagem fundamental do cinema e foi exibido na tarde de sábado (27/11) no evento candango.

    Para quem não liga o nome à pessoa, Mário Peixoto dirigiu Limite, obra-prima de 1931 que provavelmente os mais jovens nunca tiveram a chance de assistir no cinema, apenas na televisão. Os diretores Reinaldo Gontijo (poeta) e Luiz Fernando Suffiati (analista ambiental) contam que O Mar de Mário é resultado de duas visitas nos anos 80 ao cineasta em sua solidão de Angra dos Reis.

    “Logo quando filmamos, fizemos um corte de 40 minutos, mas nós temos oito horas de material”, explica Gontijo, que ainda revela o desejo de compartilhar as imagens com os amantes do cinema e da obra de Mário. “Nós vamos disponibilizar todo o material, na ordem em que foi filmada, online”.

    Difícil compreender onde termina a pessoa, onde começa o personagem e o que constroi o mito. Em 83 anos de vida (1908-1992), Mário Peixoto terminou apenas um filme – Limite –, mas acumula dezenas de roteiros não-filmados. Planejou uma série de seis livros da coleção O Inútil de Cada Um, mas apenas publicou o primeiro, em 1984.

    O Mar de Mário traz o cineasta lendo um o que consideraria a sequência de Limite e uma crítica ao seu filme. “Fizemos um contato prévio e escrevemos um breve roteiro, mas não esperávamos que ele fosse nos receber tão bem. Então, como o VHS permitia, deixamos a câmera ligada o tempo todo”, lembra o codiretor Luiz Fernando Suffiati.



    A principal contradição do Mário Peixoto apresentado pelo filme está na leitura de uma crítica a Limite atribuída a Sergei Eisenstein, mas cuja autoria já foi descoberta: o próprio Mário Peixoto. “Só que na época em que filmamos com ele não sabíamos disso. Quando ele puxou o texto supostamente do Eisenstein, pulamos de alegria”, diz Gontijo. Já Suffiati explica a decisão de, mesmo depois da descoberta da autoria, manter o enigma no filme.

    “Queríamos esquentar o debate em torno da mitologia que Mário criou para si próprio. Não buscávamos esgotar isso, mas fazer as pessoas pensarem sobre a mentira da autoria e da decisão de ampliar Limite”.

    O Mar de Mário é uma mistura de documento em imagem para entender uma pessoa e conteúdo melancólico de um mito cinematográfico, realizador de um filme que já foi eleito diversas vezes, e por variadas listas, o melhor da história do cinema brasileiro. Tanto que um nome muito especial acaba de finalizar a restauração da cópia de Limite: Martin Scorsese!

    Curtas da Mostra Brasília

    Na mesma sessão em que foi projetado O Mar de Mário, o Cine Brasília ficou lotado para dois filmes infantis e um documentário. A animação I-Juca Pirama, baseada no livro homônimo de Gonçalves Dias, inaugurou a projeção. Para Ítalo Cajueiro, codiretor ao lado de Elvis Kléber, os brancos é que colocam o índio em um lugar fixo. “Nós é queremos o índio enquanto símbolo, não como ser humano”.

    A sessão continuou com o infantil Procura-se, no qual crianças pobres e ricas vivem uma aventura digna de O Menino Maluquinho. “A utopia faz bem para as crianças”, afirma o diretor Iberê Carvalho.

    O último curta-metragem da sessão de sábado (27/11) da Mostra Brasília foi Profana Via Sacra, filme de Alison Sbrana sobre o poeta concreto Reynaldo Jardim.

    *Heitor Augusto viajou a convite da organização do evento.