BRASÍLIA 2010: Futuro da juventude é destaque em fábula A Alegria

25/11/2010 12h42

























O primeiro filme de quarta-feira (24/11), noite inaugural da Mostra Competitiva do Festival de Brasília, foi o curta amazonense Cachoeira, de Sergio José de Andrade. É o próprio diretor que informa ao público que um filme de seu estado não concorre num Festival de Brasília desde 1970. Misturando documentário e ficção, o curta se inspira em fatos reais para mostrar um grupo de jovens indígenas aculturados que participam de rituais suicidas na região do Rio Negro. Uma boa intenção que se perde em tempos demasiadamente esticados que acabam por diluir o impacto da denúncia que pretende retratar.

Em seguida foi exibida a produção paulista Fábula das Três Avós, de Daniel Turini (Memórias Sentimentais de um Editor de Passos). O curta propõe um clima de sonho e fábula ao contar a história de uma garota que deve escolher entre três – isso mesmo, três – avós para morar. Cada uma com suas estranhíssimas e até divertidas peculiaridades. Mas o roteiro acaba abandonando sua própria proposta inicial, e o filme termina em clima de vazio estranhamento. A garotinha que faz o papel principal, Mariana Emerick, é ótima!

Depois foi a vez do primeiro longa competitivo do Festival, o carioca A Alegria [foto]. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, A Alegria se centraliza em Luiza (Tainá Medina), uma adolescente preocupada com seu primo, que foi baleado e está foragido. Em meio a dúvidas (adolescentes ou não), fábulas sobre o fim do mundo e seu grupo de amigos, ela vive um momento onde cedo ou tarde as reflexões terão de abrir espaço para as ações.

Esta breve (e limitada) sinopse pode dar a impressão que se trata de um filme convencional. Como enganam as sinopses...! A Alegria tem um pé no experimental, evita qualquer tipo de solução fácil, foge dos padrões e, por isso mesmo, incomoda os olhares mais lineares. Esta é a ideia. Afinal, seus diretores Felipe Bragança e Marina Meliande já haviam chamado a atenção pelo inusitado no premiado A Fuga da Mulher Gorila – eleito Melhor Filme da Mostra de Tiradentes, mas ainda inédito comercialmente. Bragança também fez parte da direção coletiva do experimental Desassossego – Filme das Maravilhas.

Neste sentido, A Alegria mescla bons momentos hipnóticos e de forte atração estética, com cenas menos inspiradas que remetem a uma teatralidade passadista. Oscila. Por vezes cheira pretensioso com diálogos e narrações solenes. Por vezes encanta olhares e ouvidos com instigantes soluções narrativas e com um belo rearranjo da 9ª. Sinfonia de Beethoven. Mesmo porque, como já disse Kleber Mendonça na coletiva de seu curta Recife Frio, “em caso de dúvida, use sempre Beethoven”.

Celso Sabadin viajou a Brasília a convite da organização do evento


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