BRASÍLIA 2010: Mostra competitiva termina melancolicamente

30/11/2010 12h04























Terminou na noite de segunda-feira (29/11) a Mostra Competitiva do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Não foi um final feliz. Ainda que o curta de animação O Céu no Andar de Baixo tenha alcançado um certo encanto junto ao público, o longa Vigias e o outro curta, Custo Zero, foram marcos bem pouco louváveis das seleção deste ano, que recebeu várias críticas.

Dirigido por Leonardo Cata Preta, a animação mineira O Céu no Andar de Baixo conta a história de um rapaz que nasceu com uma estranha anomalia no pescoço. Por causa dela, ele só consegue andar ou olhando para cima, ou olhando para baixo. Como olhar para cima só lhe causava problemas, ele decide então passar a vida olhando para baixo, mas tirando fotografias do céu e das nuvens, para compensar.

Ou seja, uma bela e poética alegoria sobre as opções que fazemos na vida. Porém, o filme dilui o impacto de sua elaborada técnica com uma narração excessiva e redundante, como se o diretor não confiasse na narrativa de suas belíssimas imagens. Uma pena. Fica uma sugestão ao diretor: que tal uma nova edição com menos narração? Bom, sugerir não ofende... eu acho.

Já em relação ao curta Custo Zero, de Leonardo Pirovano, não há muito o que sugerir. Repisando o já desgastado tema da violência urbana carioca, o filme se mostra um grande equivoco, sem empatia e de dramaturgia frágil. Bom, esta é uma as vantagens do curta: poder experimentar, poder errar, poder dar a volta por cima num próximo projeto.

O que já fica mais difícil para o longa pernambucano Vigias, de Marcelo Lordello, que pretendeu investigar o trabalho solitário dos vigias noturnos. Pretendeu. A escolha de personagens fracos que renderam depoimentos desinteressantes resultou num filme que tropeça em suas próprias boas intenções e não consegue resultados mais atrativos.

Não foi uma última noite para se lembrar. A opção da curadoria em privilegiar novos diretores com filmes supostamente mais inquietantes e “corajosos” (palavra que virou moda neste festival), não resultou positiva. Os filmes não eram tão jovens quanto seus diretores. Resta agora a cerimônia final de premiação, precedida da exibição de Os Deuses e os Mortos, que Ruy Guerra dirigiu em 1970, quando tinha 39 anos.

*Celso Sabadin viajou a Brasília a convite da organização do evento.


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