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    CANNES 2001: O bizarro domina Cannes

    Por Da Redação
    15/05/2001

    Gente estranha, com filmes esquisitos. A seleção do Festival de Cannes deste ano esta assim. Totalmente tomada pelo bizarro, pela obsessão e pelo sexo doentio. O pior é que, no geral, tudo muito chato. Foi-se o tempo em que dava para ser criativo sem precisar lançar mão da escatologia, da crueldade ou de transas explicitas.

    No cinema atual, (pelo menos o chamado cinema de arte que alimentam os festivais) parece que para estar na "avant garde" o sujeito precisa de pelo menos um dos elementos citados acima. Uma historia criativa? Não necessariamente. Basta abusar de todo o "pseudismo" que dita a moda entre os modernos. Lar dos "pseudos", Cannes reuniu esse ano uma boa cota do gênero.

    Começou com a francesa Catherine Corsini, que apresentou no sábado o seu claustrofóbico La Repetition. De bom, só a dupla Emmanuelle Beart e Pascale Bussieres que vive na tela uma obsessiva relação de amor e dependência. As duas transam, se estapeiam, brigam, voltam atrás e a gente ali agüentando firme, lutando para não dormir entre uma crise e outra. Crises que vão ficando cada vez pior, nesse jogo de tortura psicológica que chega a lugar algum.

    Outra francesa, Claire Denis apresentou no mesmo dia o esquisitíssimo Trouble Every Day, que bem poderia se chamar "Trouble Every Second". A própria diretora o classifica como "filme de terror". Com razão. Já começa pelo elenco, com a desequilibrada Beatrice Dale. Ela vive uma louca história de amor que culmina em canibalismo. É literalmente comer alguém que se ama.

    E os franceses andam mesmo louquinhos. A estrela Isabelle Huppertt faz os diabos no doentio filme do austriaco Michael Haneke, La Pianiste. Sadomasoquismo, violência e imagens de vídeos pornôs causaram incômodo na seleta platéia da sessão de gala do filme. Risadas nervosas tentavam se sobrepôr ao estranho universo que se via na tela. Isabelle é uma pianista reprimida sexualmente que enlouquece ao se envolver com um de seus alunos. Tem de tudo: ela mutilando o próprio sexo com uma lâmina; vomitando depois de fazer sexo oral no rapaz ou cheirando um lenço sujo de esperma em uma casa de peep-show. Ok, você está chocado. Imagine quem viu isso numa tela enorme e com som dolby digital!

    E a coisa não pára por aí. Todd Solondz, que ganhou a Quinzena em 99 com Felicidade, continua esquisitão. Seu novo filme, Storytelling, é quase uma continuação do anterior. Tem até outra cena ("degoutante", como dizem os franceses) com esperma.

    Para completar, hoje foi a vez do rei do bizarro: David Lynch, que prova ser mais um blefe do mundinho dos modernos. Em Mulholland Drive ele se autoplagia. Ou melhor: recicla idéias e personagens (lembra-se do anão de Twin Peaks?) para contar uma história sem pé nem cabeça com gente morta, mistério e final sem solução. No meio de tudo isso, as duas protagonistas (a ótima Naomi Watts e Laura Elena Harring) se esfregam em torridas cenas de sexo. E o resto é só esquisitice.