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    CANNES 2010: América Latina é destaque na competição oficial de curtas

    Por Ana Martinelli, de Cannes
    22/05/2010

    A seleção da Competição Oficial de curtas-metragens do 63º Festival de Cannes apresentou neste sábado (22/5) nove filmes, dentre eles quatro latino-americanos: o brasileiro Estação, de Márcia Faria; Blokes, da chilena Marialy Rivas; Rosa, primeiro curta dirigido pela atriz Argentina Monica Laraina; e o cubano Maya de Pedro Pio.

    Com abordagens bem distintas as diretoras mostram bastante sensibilidade para retratar personagens sensíveis em histórias ligadas à descoberta e à solidão.

    Estação é livremente inspirado em fatos reais, Marcia Faria conheceu durante um teste de elenco para a série Alice, exibida na HBO, uma aspirante a atriz que morou durante um tempo na rodoviária do Tietê porque não tinha um lugar para ficar em São Paulo. A diretora opta por imagens e seqüências abertas, com poucos diálogos que buscam através de Inês (Caroline Abras, de Se Nada Mais Der Certo) e do espaço criar uma narrativa de sensações.

    Também com uma protagonista feminina marcante Rosa, de Monica Laraina, retrata o cotidiano de uma mulher sozinha na terceira idade. Filmado de forma bem intimista, nos integra ao universo de Rosa (Norma Argentina) com seus silêncios, suas imperfeições e frustrações. A direção minuciosa e os enquadramentos são delicados combinados à ótima atuação faz o filme crescer. É para ser visto com o coração, os ouvidos e olhos abertos.

    Blokes trabalha a descoberta da homossexualidade na adolescência de um menino chileno. Apaixonado pelo vizinho ele o observa e alimenta um amor platônico. Marialy Rivas faz um excelente trabalho de direção e nos leva a compartilhar o turbilhão silêncio de sentimentos.

    O representante cubano Maya, dirigido por Pedro Pio, traz uma situação de dualidade. O amor e a cumplicidade entre o dono e a cadela Maya é incontestável, porém ele a cria para rinha. As cenas são fortes e por vezes difíceis de assistir, ainda que opte em não mostrar a briga em si.

    Além da forte presença da América Latina, vale destacar duas animações este ano Chienne D’Histoire, com técnica de aquarela o francês Serge Avédikian conta a história de como os cachorros foram levados de Constantinopla em 1910 e deixados à própria numa pequena ilha próxima sem comida ou como escapar para sobreviver. E da Letônia, Swallow a Tod (em tradução livre: Engolir Sapos), uma divertida crônica sobre uma família de intelectuais amáveis que sabiam como “engolir sapos” e, assim, estavam sempre felizes por pior que fosse a situação.

    Com júri presidido pelo cineasta Etom Egoyan (O Preço da Traição), a Palma de Ouro de Melhor Curta-Metragem será anunciada no domingo (23) durante a cerimônia de premiação oficial do Festival de Cannes.