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    CANNES 2010: Ken Loach mostra lado mercenário da Guerra do Iraque

    Por Ana Martinelli, de Cannes
    21/05/2010

    Quarta-feira (20) foi um dia político em Cannes. Talvez tenha sido coincidência que dois filmes da competição pela Palma de Ouro exibidos no mesmo dia falassem sobre a Guerra do Iraque.

    Fair Game sobre os bastidores da política norte-americana e as informações manipuladas que iniciaram a Guerra e Route Irish, de Ken Loach (À Procura de Eric), drama sobre dois amigos de infância que trabalhavam nas forças especiais (mercenárias) em Bagdad. A suspeita de Fergus (Mark Womack) de que a morte de Frankie (John Bishop) não foi um acaso o leva às últimas conseqüências para descobrir o que aconteceu.

    Ao rejeitar a explicação oficial, Fergus se envolve numa sórdida trama de inveja, crueldade e vingança. A primeira pista é a entrega secreta através de uma amiga em comum do celular de Frankie, logo após seu funeral. Mas há outra coisa que move o amigo: a culpa. Quando Frankie estava com problemas financeiras, Fergus o convida a trabalhar com ele no Iraque com a possibilidade de ganhar muito dinheiro. A única coisa que pesa contra é Rachel (Andréa Lowe) que culpa Fergus pela morte do marido.

    O roteiro de Paul Laverty (À Procura de Eric) e a direção de Loach trabalham a história em dois planos. O primeiro das relações pessoais entre Frankie, Fergus e Rachel, especialmente o amor dos dois e o sentimento de perda, mas também o ciúme um do outro, culpa, o ódio. Diante da nova situação fazem uma aliança, mantém a relação de amor e ódio, mas descobrem a amizade e o apoio.

    O segundo plano é o das circunstâncias da guerra, da morte e a busca dos acontecimentos. Há aqui um fator que muda tudo: a ganância pelo dinheiro e poder dos que controlam os mercenários contratados para fazer o que os exércitos são proibidos pela lei internacional dos direitos humanos. Estes homens são o lado mais sujo de um conflito. As duas tramas se alternam e influenciam.

    Em alguns momentos, as sequências se estendem e dão a impressão de arrastar a situação como que levam o espectador para fora do filme, para suas próprias reflexões. Pode-se dizer que tem pequenas “gorduras” no roteiro, ou seja, momentos que poderiam ser suprimidos por não serem essenciais para a trama em si. Mas o ator britânico Mark Womack está tão sensacional na pele do mercenário irlandês que segura até os momentos menos interessantes de Route Irish. Sua atuação é merecedora do prêmio de Melhor Ator e rivaliza com Javier Bardem em Biutiful.

    O desfecho da história deixa dúvida sobre o que eleger como final. Loach opta por continuar e fechar a trama com o final que preparou para Fergus. O desfecho do protagonista é importante, mas adoraria se o filme tivesse acabado nos cinco minutos anteriores, no momento em que Fergus conclui a vingança pela morte de seu melhor amigo. Não posso dizer mais nada para não estragar porque vale a pena ver.