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    CANNES 2010: Sem ineditismo, exibição de Robin Hood abre o festival

    Por Ana Martinelli, de Cannes
    12/05/2010

    A sala da primeira sessão da 63ª edição do Festival de Cannes estava cheia, mas nem tanto para o novo filme de Ridley Scott, Robin Hood, um início morno para o festival de grande tradição e, no qual, os longas de abertura costumam causar furor na imprensa.

    Há alguns motivos para isso: o mais óbvio foi a estratégia de lançamento da Universal Pictures. A distribuidora optou por fazer sessões de imprensa antes de Cannes e o filme já estava repercutindo em todo o mundo. O que nos leva ao segundo motivo: a repercussão negativa da visão de Scott (O Gângster) para a lenda do aventureiro que tira dos ricos para dar aos pobres. De fato, a recepção foi para lá de morna, com pouquíssimos aplausos e nenhuma empolgação.

    Construída como um prelúdio, a trama é recheada de clichês e não acrescenta um ponto de vista original em nenhum sentido. O estilo que consagrou o diretor em Gladiador é repetido do começo ao fim. Sem dúvida, as imagens são belíssimas e a produção impecável, mas arrastada pelo encadeamento de sequências em que se o espectador já sabe como serão amarradas e, acreditem, em nenhum momento são uma grata surpresa. Os melhores momentos são entre as batalhas, quando a química entre o herói e Sir Walter Lexton (interpretado pelo veterano Max Von Sydow) acontece; Cate Blachett também contribui bastante e consegue trazer graça à narrativa.

    Há, no entanto, quase nenhum respiro e a música força a barra com sua insistência épica e, ao invés de ajudar o filme, acaba por saturá-lo com se berrasse: “Pretendemos fazer um clássico!”. O longa-metragem é realmente pequeno diante de tanta pretensão. Quanto a seus objetivos, se serão atingidos e reverberarão nas bilheterias, só o público poderá confirmar quando Robin Hood entrar pra valer em cartaz.

    Ridley Scott não compareceu ao festival e a coletiva de imprensa foi encabeçada pelo casal protagonista da trama. O motivo da ausência do diretor seria a não recuperação completa de uma cirurgia no joelho, mas o opinião geral é que ele não viria, de qualquer forma, encarar a berlinda com as críticas negativas que vem acumulando.

    Com o início morno, as atenções se voltam ao primeiro filme da competição principal que será exibido hoje à tarde, On Tour, do ator e diretor francês Mathieu Amalric (Ervas Daninhas). Outro indicativo de que rumo e critérios o festival pretende nesta edição será a aguardada coletiva do júri, presidido pelo cineasta norte-americano Tim Burton (Alice no País das Maravilhas).