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    CANNES 2010: Tournée é homenagem de Mathieu Amalric à nova cena burlesca

    Por Ana Martinelli, de Cannes
    13/05/2010

    Começou a competição pela Palma de Ouro do Festival de Cannes. O francês Tournée, uma comédia dramática recheada de bons diálogos com pitadas de humor negro, é o primeiro longa-metragem a ter sua première.

    A direção é de Mathieu Amalric, rosto conhecido do público como o vilão de 007 – Quantum of Solace, o protagonista de O Escafandro e a Borboleta e em Munique. O ator também se dedica à carreira de diretor há algum tempo. Tournée é seu quarto longa-metragem e o primeiro que o traz à competição principal do Festival de Cannes como diretor. Amalric é frequentador assíduo do festival há dez anos.

    Na coletiva de imprensa, Amalric declarou que o ponto inicial para sua motivação do projeto foi o romance Colette e a descoberta do movimento New Burlesque (novo burlesco) na França e Estados Unidos, por meio de um artigo no jornal francês Liberácion. Durante a entrevista coletiva nesta manhã de quarta-feira (13/5), reforçou a influência do filme O Show Deve Continuar, clássico autobiográfico dirigido por Bob Fosse.

    Mas uma outra referência salta aos olhos na tela. Em vários momentos, mostra-se inspirado na obra do cineasta norte-americano John Cassavettes, com grande liberdade aos atores para desenvolverem livremente as situações. O resultado é uma convincente e natural transformação das dançarinas em atrizes, apesar do contexto de sua turnê pela França ser ficcional.

    A história é bem simples: um produtor francês retorna dos Estados Unidos depois de dez anos longe de seu país com uma trupe de dançarinas burlescas, para fazer shows de striptease. O sonho delas é uma apresentação em Paris. Ele acha que pode ser recebido novamente, mesmo tendo abandonado sua carreira de produtor de TV e deixado muita gente magoada para trás.

    A comédia traz momentos brilhantes, porém Joachim, personagem de Mathieu Amalric, às vezes, soa exagerado. Como diretor, ele se sai muito bem e dá total liberdade às suas estreantes para arriscar. Apesar de querer fugir do documental, como declarou esta manhã, o fato delas interpretarem papéis inspirados em suas vidas reais traz muita verdade ao filme, a câmera adora e as desvelam com beleza. As performances das dançarinas são de encher os olhos.

    Mas nem tudo é festa. O filme traz uma abordagem interessante para os conflitos entre cada um deles, especialmente em relação ao produtor, cujo papel é desestabilizador e caótico na convivência diária, e seu temperamento destrutivo. Algo como um amor desesperado que, em sua tentativa de manter o sentimento, por vezes, o estraga. Mas espera ser aceito mesmo assim e busca redenção na destruição.

    Essencialmente, Tournée celebra a sexualidade feminina com belas mulheres que fogem a todos os estereótipos da indústria cultural. No filme, há uma frase bastante emblemática sobre o que significa o New Burlesque, na boca de uma das dançarinas. Uma resposta feita por mulheres para mulheres. Perguntadas se eram feministas, as atrizes responderam que a frase do filme reflete o que elas pensam na vida real, mas não têm aspirações políticas, celebram a sexualidade e sensualidade de uma mulher. Acima de tudo, gostariam que muitas mulheres não se odiassem por conta dos padrões de beleza impostos.