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    Capitão Planeta poderia muito bem ganhar um filme no estilo Marvel; entenda

    Desenho abordava temáticas importantes e foi a primeira produção do gênero a abordar a AIDS
    Por Flávio Pinto
    04/08/2021 - Atualizado há cerca de 2 meses

    Terra, fogo, vento, água, coração!” Qualquer um que foi criança durante os anos 90 sabe o que representa essa frase. É o hino que acionava o Capitão Planeta, um super-herói que atendia o chamado de 5 amigos, vindos de nações diferentes, que lutavam contra vilões ambiciosos que sonhavam com a destruição do planeta a Terra através de sua poluição. Embora estejamos em 2021, ainda temos alguns algozes com intuitos bastante similares, e para piorar, sem nenhum super-herói ao nosso alcance. 

    E aproveitando que estamos passando por tempos tão nefastos, e que Hollywood está surfando em uma maré gigantesca de remakes e reboots, acreditamos que essa gema obscura noventista criada por Robert Larkin III, Barbara Pyle e Ted Turner está mais que bem-vinda para retornar às telinhas — ou telonas —. Acompanhe o texto e entenda a importância do desenho Capitão Planeta, e veja o que poderia ser retratado em uma versão mais atual da produção.

    O desenho

    O intuito da produção era ensinar a criançada sobre consciência ambiental e fazer com que elas carregassem essa mensagem aos seus amigos e familiares. A primeira leva de episódios de Capitão Planeta foi transmitida entre os anos de 1990 e 1992, nos Estados Unidos, pela DIC Entertainment, diretamente para a rede TBS, conhecida pela reprise de programas adultos, como Seinfeld e Friends. No entanto, o desenho ecológico era transmitido no horário diurno para não haver um choque de horários entre o humor politicamente incorreto de Jerry Seinfeld e as lições de sustentabilidade do desenho criado por Ted Turner

    O enredo da atração era basicamente no despertar de Gaia, o espírito da Terra, que sentiu a necessidade de recrutar cinco jovens ao redor do mundo, através de anéis mágicos, para lutarem contra a devastação do planeta. 

    Na África, o jovem Kwame recebeu o anel da terra, que representava a esperança de um mundo melhor. Na América do Sul, Ma-Ti, recebeu o anel do coração, simbolizando a sabedoria dos povos e culturas humanas. Na Ásia, Gi recebeu o anel da água, representando a empatia para com os ecossistemas. Na União Soviética, Linka recebeu o anel do ar, representando a ética e a ciência. E na América, o jovem Joey recebeu o anel do fogo, representando a convivência humana. Juntos, os cincos jovens acionaram as forças de um super-herói que poderia lutas contra as forças dos vilões. Seu nome? Capitão Planeta. 

    Os vilões da atração eram basicamente "chefões" de video-game envelopados com mensagens anti-sustentabilidade, como, por exemplo, o Looten Plunder, que queria desmatar as florestas. Ou o Verminoso Escória, que gostava de disseminar toxicidade por onde passava. Por falar no Verminoso Escória, em um dos episódios da produção, o vilão foi o primeiro porta-voz oficial de uma "fake news" sobre a transmissão do vírus do HIV. 

    No décimo primeiro episódio da terceira temporada, intitulado "A Fórmula do Medo", o vilão convence a população de uma cidade que a AIDS pode ser transmitida através de um simples contato. Com isso, os moradores da cidade se voltam contra um jovem HIV-positivo. O episódio também teve figuração de luxo, com dublagens de Neil Patrick Harris, ainda sem a fama do mulherengo Barney de How I Met Your Mother, e da vencedora do Oscar, Elizabeth Taylor

    Pioneirismo na diversidade

    Além das temáticas supracitadas, o elenco animado era diverso. Tínhamos um jovem africano, uma garota asiática e um menino latino-americano estrelando de iguais para iguais ao lado de outros dois personagens caucasianos. Enquanto muitas animações e grandes estúdios só começaram a aprender sobre "diversidade" nos últimos anos, o desenho já parecia entender, ainda nos anos 90, como era importante representar diferentes raças e fazer com que outras crianças se sentissem vistas através do desenho. 

    Ao todo, Capitão Planeta teve seis temporadas e 113 episódios produzidos. Outros produtos licenciados, como jogos de video-game e histórias em quadrinhos com os personagens também foram produzidos. E um filme, será que Hollywood chegou a esboçar interesse em uma produção com o herói-título? 

    A adaptação vem por aí?

    Foram muitas tentativas de levar o Capitão Planeta para as telonas. A primeira aconteceu em 1996, próximo ao fim da série, quando Boxer e Pyle, os criadores originais da produção, escreveram um roteiro intitulado “Planet”, mas não foi para a frente. 

    Cinco anos depois, em 2001, o roteirista Michael Reaves, responsável por Batman: A Série Animada e Caverna do Dragão, também chegou a mexer no conceito por trás da história, mas, novamente, a história se perdeu com a fusão da Turner, empresa que contava com os direitos originais dos personagens e da história, e da Warner Bros

    Na última década, as tentativas chegaram mais próximas da realidade. Em 2016, de acordo com o The Hollywood Reporter, foi noticiado que o ator, produtor e ativista Leonardo DiCaprio anunciou que produziria uma versão para as telonas com a Paramount, e o projeto seria escrito por  Jono Matt (Sons of Anarchy) e Glen Powell (Estrelas Além do Tempo). No entanto, o projeto segue sem novidades até o momento. Será que ainda podemos sonhar? 

    Capitão Planeta nos dias de hoje: o que poderíamos esperar?

    Mesmo com a possível versão com Leonardo DiCaprio engavetada, por ora, nada custa sonhar, não é mesmo? 

    O que uma versão de Capitão Planeta em 2021, ou 2022, poderia conter? Talvez um vilão com cara de porco que seja contra vacinação em massa, com jeitão de ex-presidente que passa seus dias acionando uma série de inimigos pelas redes sociais? Ou isso é familiar demais para a realidade? 

    Opinião

    É bem fácil entender como Capitão Planeta é um clássico da molecada dos anos 90. Incluo-me na categoria com orgulho. Agora, olhando em retrospecto, vejo que a série fazia algo complicado, mas com muita leveza: o de abordar um tema importante, mas sem soar panfletário. E além de sustentabilidade, foram diversos os aprendizados que consegui extrair por meio de cada um dos anéis de Gaia, como respeito ao próximo, à natureza, responsabilidade, ética, entre outros. 

    Não entendo como uma produção assim ainda não parou nas mãos de um executivo de Hollywood, seja para um remake ou reboot. E mesmo se não for o caso, que seus direitos de exibição pelo menos acabem em algum streaming. Desta forma, uma nova geração vai ser capaz de descobrir essa animação. Acredite, atualmente, precisamos — e bastante — de um super-herói sustentável que nos tire dessa tempestade de problemas ambientais, ou que plante uma sementinha de esperança na humanidade. 

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