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    Carlos Reichenbach volta a Brasília em Avanti Popolo

    Filme traz últimas imagens do cineasta no papel de pai à espera de filho desaparecido
    Por Roberto Guerra, enviado especial a Brasília
    21/09/2013
    Carlos Reichenbach

    A terceira noite da mostra competitiva de longas-metragens de ficção do Festival de Brasília foi marcada pelo discurso emocionado da produtora Sara Silveira ao apresentar Avanti Popolo, filme em que o cineasta Carlos Reichenbach trabalhou como ator pouco antes de sua morte em junho do ano passado.

    Sara relembrou a forte ligação do diretor com o festival, que o sagrou grande vencedor em 1993 com Alma Corsária – Candangos de melhor filme, diretor e roteiro. Dez anos mais tarde Reichenbach receberia o prêmio especial do júri por Garotas do ABC. Em 2010 veio a homenagem pela carreira na 43ª edição do evento.

    A despeito da nostalgia de ver Carlão na tela do Cine Brasília, Avanti Popolo se esforça bastante para suprimir o prazer do reencontro. Chato e irregular o longa traz Reichenbach no papel de um homem apático e amargurado com o desaparecimento do filho que foi para Rússia estudar e nunca mais voltou.

    O senhor Gatti mora numa casa decrépita e sua única companhia é a cadela Baleia. Um dia recebe a visita de seu outro filho, que, por meio de imagens captadas em Super-8 pelo irmão desaparecido, tenta reavivar a memória do pai e tirá-lo da impassibilidade imposta pelos anos de espera em vão.

    Excesso de pretensão

    O filme, no entanto, é mais letárgico e sem rumo que o próprio personagem. A começar pela predominância de seus planos fixos e abertos que não permitem interação do público com os personagens e seus sentimentos. Tudo é visto à distância e é desta maneira, longe do filme, que permanece o espectador ao longo de toda projeção.

    A montagem intercalando as imagens em Super-8 com o momento presente tampouco ajuda a dar dinâmica e coesão à trama, que parece mais com uma colcha de retalhos de referências jogadas a ermo para fazer a alegria fugaz de cinéfilos que conseguem apreendê-las.

    Reichenbach costumava dizer que a qualidade de um filme estava intrinsecamente ligada à sua pretensão e se esta era alcançada. No caso de Avanti Popolo o problema parece ser o excesso delas.