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    Cenas fortes de Hereros Angola perturbam público em Brasília

    Documentário sobre grupo étnico angolano evita sugerir e expõe cruamente rituais de passagem e sacrifício
    Por Roberto Guerra, enviado especial a Brasília
    21/09/2013
    Herero

    Não foram poucas as pessoas que colocaram as mãos sobre os olhos, viraram o rosto e murmuram seu desconforto diante de algumas sequências de Hereros Angola, exibido na noite de sexta-feira (20) no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

    O documentário retrata a etnia Herero, habitantes das terras do sudoeste de Angola, na África. Sérgio Guerra, que assina o filme, captou quase de 400 horas de material bruto in loco que foram transformados em 99 minutos de filme pelas mãos habilidosas do montador Marcelo Luna.

    "E eu tive carta branca de Guerra para montar o filme. Era muito material e eu busquei chegar a algo que tivesse algum sentido, que tivesse clareza de informação", disse Luna, que levou um ano para concluir o trabalho, em entrevista na manhã deste sábado.

    Sobre as cenas fortes, que incluem circuncisão de crianças, extração de dentes de forma rudimentar e sacrifícios de bois a golpes de facões, Luna defendeu a opção de não poupar o público:

    "Esconder seria muito puritanismo. Esse julgamento não cabia a nós. É o que é. É a vida deles. Aquilo tudo é muito ritualizado, sagrado. Sei que é inevitável se chocar, mas nada ali é banalizado. Não mostrar e apenas sugerir o que estava acontecendo não seria justo", avalia o montador.

    O trabalho de Luna é elogiável e também a essência do próprio filme, tanto que o editor também recebe os créditos de roteirista por ter concebido a estrutura narrativa na sala de edição.

    Hereros Angola constrói as peculiaridades desse povo sem pressa e com habilidade insuspeita, fazendo com que o espectador adentre o universo cultural e social dessa população sem a impressão de superficialidade, algo difícil de conseguir dada a limitação temporal de um filme.

    Mesmo o impacto advindo das cenas violenta é atenuado em seguida pela percepção da naturalidade dos fatos extraída das atitudes dos Hereros em relação aos próprios hábitos. Quando nos vemos julgando sua primitividade somos confrontados, por exemplo, com seus hábitos sexuais e de relacionamento modernos.

    Um filme no qual a importância do trabalho do editor se sobressai, mas que infelizmente é prejudicado por uma trilha sonora nada alinhada com o que se vê na tela. E quando trilha chama a atenção e não apenas galvaniza o que é visto na tela, certamente desafinou.