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    Cine Ceará é filé embaixo das batatas

    Festival cearense foge do mainstream e aposta na diversidade; público aprova novo local de exibição, mas reclama da violência na capital
    Por Roberto Guerra, de Fortaleza
    09/09/2013
    Cine Ceará

    O diretor espanhol Oskar Alegria, que exibiu na noite deste domingo (8) o documentário de longa-metragem Emak Bakia, integrante da mostra competitiva do 23º Cine Ceará, revelou à imprensa uma história de infância que marcou sua maneira de fazer cinema.

    Quando menino, não gostava de peixe e seu pai escondia o filé de pescada sob uma porção de batatas para enganá-lo. Com o tempo a artimanha deixou de ser necessária e o futuro cineasta passou a apreciar a iguaria. "É desse cinema que gosto, desse que mostra o filé escondido por trás das batatas, que mostra a verdade em pequenas coisas", afirma Alegria.

    É esse cinema-filé, escondido sob as batatas da nada diversa programação do circuito comercial, que o festival cearense leva o público uma vez por ano. Oportunidade única para os cinéfilos da capital cearense tomarem contato com filmes que não teriam a chance de ver em outras circunstâncias, como ressalta o estudante de Letras Reginaldo Maciel:

    "Gosto de cinema de uma maneira geral, mas aqui tenho a oportunidade de ver filmes diferentes, conhecer o jeito de fazer cinema de outros países. É interessante como muda de um lugar para outro", diz Maciel, que aguardava a abertura da sala para as sessões deste domingo acompanhado da namorada.

    Violência urbana

    O estudante aprovou também outra mudança, a de endereço do local das exibições: "O José de Alencar é bonito, mas aquela região fica deserta à noite e é muito perigosa", diz sobre o centenário Theatro José de Alencar, localizado no Centro.

    O problema da violência na cidade também foi citado pelos amigos e estudantes de Artes Cênicas Wellington Carneiro e Regislaine Correia. "Frequento o Dragão do Mar [Centro Cultural localizado em área nobre da cidade] e gostei que o festival veio pra cá porque fica melhor para voltar pra casa, mas a violência tá em todo lugar em Fortaleza", avalia Carneiro.

    "Faz pouco tempo mataram um padre aqui", completa Regislaine, visivelmente contrariada, referindo-se ao assassinato do religioso Elvis Marcelino de Lima em julho deste ano, crime que repercutiu na cidade.

    Fortaleza enfrenta aumento de violência e os moradores já mudam seus hábitos na tentativa de evitar os assaltos também nas áreas valorizadas da cidade. Em dez anos, a taxa de homicídios subiu 80% no Ceará, e quase metade deles aconteceram na capital.

    O 23º Cine Ceará segue até o dia 14, quando serão conhecidos os vencedores desta edição. Para informações sobre a programação, acesse: cineceara.com