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    Cine PE 2014: Festival busca pluralidade e perde identidade

    Sob o mote da multiplicidade, primeira edição internacional do evento não estabeleceu individualidade
    Por Roberto Guerra, enviado especial a Pernambuco
    02/05/2014
    Cine PE

    Com projeção na noite desta quinta-feira (1º) dos filmes Romance Policial, de Jorge Duran, e Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti, o Cine PE – Festival do Audiovisual encerrou as exibições de sua 18ª edição - marcada pela internacionalização das mostras competitivas de longas-metragens. Nesta sexta-feira (2) serão conhecidos os vencedores em cerimônia de premiação no Teatro Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, Recife.

    A ideia de abranger filmes de outros países na seleção não é nova. Era para ter ocorrido em 2011, na 15ª edição. "Pensamos num processo de aproximação com alguns países que mantivessem naquele momento intercâmbio cultural com o Brasil. Mas vislumbramos à época um ano de dificuldades por conta da mudança de governo e adiamos a decisão", diz Alfredo Bertini, diretor do festival.

    A alternância decisiva no perfil do Cine PE ficou para o aniversário de maioridade. Das mostras competitivas de filmes ficcionais e documentais participaram longas argentinos, italianos, portugueses ao lado de trabalhos brasileiros. Era óbvia, naturalmente, uma quebra de identidade num festival que ao longo de 17 anos apresentou somente filmes nacionais. A seleção multinacional, no entanto, careceu de unidade capaz de estabelecer nova cara ao Cine PE.

    Para Bertini, a impressão era esperada dentro de seus objetivos: "A gente quer ser plural porque a cultura é plural. Nossa intenção com a internacionalização é a pluralidade. Eu não quero ser latino-americano ou ibero-americano. Quero filmes de países que tenham um bom relacionamento como o Brasil. Ano que vem posso ter um filme africano na programação que seja interessante ser mostrado", avalia.

    Diversidade é sempre bem-vinda, claro, mas um festival de cinema cria profusão por meio de sua singularidade. As mostras cinematográficas do país, de caráter competitivo ou não, trabalham nichos cinematográficos específicos que garantem identidade - e sem individualidade não há personalidade. O conjunto desses festivais, cada um com sua cara, estabelece a pluralidade.

    A 18ª edição do Cine PE perdeu sua personalidade ao se metamorfosear. O que se viu este ano foi o tradicional festival pernambucano levar à grande tela do Teatro Guararapes produções nacionais inéditas, como sempre fez, com "interferência" de produções internacionais que soaram alienígenas por falta de correlação temática.

    Mudanças são sempre difíceis, geram resistência dos mais conservadores e se constroem aos poucos. A organização que conduziu um festival ininterruptamente ao longo de 18 anos tem capacidade suficiente para resolver problemas ocasionais. Talvez a solução esteja em fazer parte da pluralidade com suas particularidades e não tentar abarcar a multiplicidade do cinema sozinho.