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    Cineasta brasileiro é tido como inglês na França

    Por Da Redação
    04/03/2001

    O cineasta brasileiro Alberto Cavalcanti teve seus filmes exibidos em Paris. A mostra Typiquement Britsh, que se encerra amanhã, é organizada pelo Centro Pompidou e reúne o melhor do olhar fílmico realizado na Grã-Bretanha através do trabalho de cineastas britânicos e estrangeiros.

    Curiosamente, Cavalcanti, que faleceu em 1982 aos 85 anos, é lembrado pela curadoria da mostra como tendo sido “praticamente inglês”. No Brasil, Cavalcanti e sua obra permanecem praticamente desconhecidos. Um novo projeto – que envolve as mídias cinema, TV e Internet –, objetiva mudar isso, ao estudar e divulgar a herança áudio-visual desse cineasta estranhamente brasileiro.

    Estranhamente brasileiro porque Cavalcanti, carioca de família pernambucana, passou boa parte da sua vida no exterior, onde estudou e trabalhou desde os 15 anos. Seu trabalho no cinema reflete o desenvolvimento dessa arte e indústria, uma vez que Cavalcanti nasceu junto com o próprio cinema. Incorporou as novas tecnologias, o som e a cor, a leveza cada vez maior dos equipamentos, tornou-se referência importante para o cinema documentário feito na Inglaterra, motivo da sua inclusão na mostra do Centro Pompidou.

    Sua passagem pelo Recife no início dos anos 50, onde filmou a ficção com fortes toques de documentário, O Canto do Mar, causou uma tempestade, não apenas por mexer com os costumes de uma cidade provinciana (o fato de Cavalcanti ser homossexual era fator importante na época), mas também pela natureza do enfoque dado pelo cineasta à região Nordeste, particularmente ao Recife e Pernambuco.

    No lançamento do filme, em prestigiada sessão de gala no Cinema São Luiz, espectadores ficaram chocados ao constatar que O Canto do Mar mostrava um país pobre, cheio de mazelas, algo que cineastas deveriam supostamente evitar. Os problemas em torno de Cavalcanti e O Canto do Mar, filme que a TV Cultura tem exibido com certa freqüência ao longo dos anos, foram registrados no premiado documentário Quem Viu o Canto do Mar?, da jornalista Ana Braga, e no livro A Crônica de Cinema no Recife dos Anos 50, da também pernambucana Luciana Araújo, que fez o texto para uma dissertação de mestrado, defendida na Escola de Comunicação e Arte (ECA), da Universidade de São Paulo.