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    Cinebiografia de Tim Maia vai focar três momentos da vida do mestre do soul

    Por Heitor Augusto
    20/02/2010

    Podem chamar o síndico, porque Tim Maia vem aí. Não é nenhuma coletânea, show em tributo, reprise de especial na televisão ou algo do gênero. É a vez de o cinema abrir espaço para o gênio soul.

    Antonia Pellegrino (Bruna Surfistinha - O Doce Veneno do Escorpião) acaba de terminar o primeiro tratamento do roteiro do filme, baseado no livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, do escritor (e amigo que deu uma força para Tim estourar em 1970) Nelson Motta. A direção é de Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny).

    O intervalo de vida escolhido é entre 1954 e 1983, ou seja, em linhas gerais: o período como entregador de marmita, o início com o grupo Os Tijucanos do Ritmo, a relação com Roberto Carlos, Jorge Ben Jor e Erasmo Carlos, a ida aos Estados Unidos, o soul, a volta ao Brasil, os singles frustrados, os primeiros quatro álbuns arrebatadores, a filosofia Racional, a desilusão e o retorno ao cenário e sua marca de cantor muito popular nos anos 80. Ufa!

    “O livro é uma base de consulta. Não ajuda para montar a estrutura, mas para visualizar algumas cenas”, explicou a roteirista ao Cineclick. Entre trama, subtramas, personagens condensados e a missão de abarcar 29 anos em duas horas, Antonia ressalta que, no primeiro tratamento do roteiro, o esqueleto prioriza três grandes momentos.

    “O primeiro é do quatro garotos da Tijuca: Tim, Erasmo, Roberto e Jorge Ben”, que tinham como ponto de encontro o Bar do Divino, na Tijuca, “longe de Copacabana, numa época sem túnel Rebouças e longe”, lembra a roteirista. “O segundo momento é a mudança, em termos de som, trazida pela ida aos Estados Unidos”, que ficaria clara nos primeiros LPs. “O terceiro é o momento Racional”.

    A conversão de Tim ao Universo em Desencanto e a obrigação de seus amigos e colegas de banda a “ler o livro”, fase tão mítica quanto o sumiço de Cartola nos anos 50, resultou nos dois álbuns Tim Maia Racional Vol. 1 e Tim Maia Racional Vol. 2, lançados em 1974 e 75, e um terceiro, que circula online. Discos favoritos de muita gente, entre as quais a própria roteirista do filme.

    “É o que eu mais gosto. As músicas são brilhantes, dois álbuns completamente loucos e um mico, do ponto de vista comercial. E depois que ele abandonou, baniu esse momento e perdeu o chão”.

    Quem seria o ator ideal?

    Ainda não está decidido oficialmente quem vai interpretar Tim Maia depois dos trinta. Mas, se depender de Nelson Motta, autor do livro Vale Tudo, que dá base ao filme, há uma possibilidade: “Talvez o Serjão Loroza pudesse fazer bem. Já para o Tim mais jovem vai ter que ser num casting dificílimo”, opinou Motta ao Cineclick.

    O Tim dos 30 anos é aquele dos anos 70, responsável não apenas pela fase Racional, mas por quatro dos melhores álbuns da história da MPB, lançados entre 1970 e 73. Lá estão canções como Eu Amo Você, Primavera, Azul da Cor do Mar, Você, Idade, O Canário do Reino, Where is My Other Half?, O que me Importa, Gostava Tanto de Você, Preciso Ser Amado...

    Se dependesse de Motta, a estética do filme, produzido por Rodrigo Teixeira, da RT Features, (O Cheiro do Ralo), seria assim: “Um visual exagerado, uma sequencia vertiginosa de sons e imagens. Tudo no Tim era excessivo, o resultando seria uma torrente de gargalhadas. Ele é um dos nossos maiores comediantes. sua vida é uma stand up comedy permanente. É um Lenny Bruce de 140 quilos”, diz, em referência ao transgressor comediante norte-americano dos anos 50 e 60.

    Se pudesse escolher uma passagem de Vale Tudo que não poderia faltar de jeito nenhum na cinebiografia, o escritor optaria por esta: “Quando o Tim diz que não fuma, não bebe e não cheira – mas às vezes mente um pouquinho”.