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    Cinema nacional independente: Novíssimo Cinema Brasileiro

    O movimento mote é a flexibilidade e o dinamismo, apoiado nas redes da internet. Esse é o "Novíssimo Cinema Brasileiro"
    Por Da Redação
    19/06/2020 - Atualizado há 17 dias

    A participação cada vez maior de filmes independentes em festivais mundo afora nos mostra que tem espaço, sim, para produções menos tradicionais, cujo potencial é claramente perceptível. O cinema nacional, hoje, possui filmes com propostas estéticas significativamente diferentes entre si, que surgem em diversos contextos e regiões do país.

    Não formam um bloco de filmes com a mesma cara, mas, apesar dessas diferenças, ainda é possível traçar alguns sinais em comum. Para identificar alguns desses sinais, é preciso recuar um pouco no tempo, para descobrir as origens desse movimento de renovação.

    Como já foi dito, no início dos anos 1990, o cinema brasileiro passou por uma abrupta descontinuidade. O presidente Fernando Collor, através de um único decreto, extinguiu as principais instituições públicas responsáveis pelo apoio à sétima arte em solo nacional. Sem o amparo estatal, o mercado local foi completamente dominado pelo produto estrangeiro.

    Somente com a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual - promulgadas definitivamente apenas com Itamar Franco - as atividades foram sendo retomadas e tornaram-se a base do apoio público à produção do cinema nacional. Não obstante, a captação de recursos para cineastas iniciantes ou projetos com pouco apelo comercial era compreensivelmente mais demorada, o que retardou o trabalho de muitos diretores hoje consagrados, como Kléber Mendonça Filho e Eduardo Nunes.

    Eles - e vários outros - apenas conseguiram tirar seus filmes do papel graças a um edital bastante específico do Ministério da Cultura, voltado a filmes de baixo orçamento.

    Se por um lado as leis de incentivo auxiliaram no que chamamos de “retomada do cinema nacional”, por outro lado, elas eram incapazes de viabilizar projetos que não chamavam a atenção de investidores privados, nem se enquadravam nos parâmetros dos editais públicos.

    No início do novo século, entra um fator determinante e que muda o jogo: a tecnologia digital. Isso despertava novas possibilidades, mostrando um novo modo de produção, abandonando a dependência de um certo modelo de financiamento e apontando a necessidade de uma nova forma de circulação dessas obras.

    Além disso, favorecendo as produções de caráter menos convencional, surgiam festivais no Brasil que iam contramão da lógica de circulação tradicional, ao mesmo tempo em que uma geração na crítica cinematográfica que se engajou, sobretudo, na curadoria, abrindo caminho para um cinema brasileiro mais ousado e menos conhecido.

    Com isso, o fazer cinematográfico que prezava pelo processo, e não necessariamente pelo produto final, ganhou mais visibilidade.

    Diferentemente das bases de um cinema industrial, voltado para os segmentos de mercado tradicionais, surgia um cinema pós-industrial, cujo mote é a flexibilidade e o dinamismo, apoiado nas redes da internet. Esse é o "Novíssimo Cinema Brasileiro".

    Como expoentes desse movimento, podemos citar:

    - "Acidente" (2006), de Pablo Lobato e Cao Guimarães;
    - "Sábado à Noite" (2007), de Ivo Lopes Araújo;
    - "Meu Nome É Dindi" (2008), de Bruno Safadi;
    - "Pacific" (2009), de Marcelo Pedroso;
    - "Um Lugar Ao Sol (2009)", de Gabriel Mascaro;
    - "A Casa De Sandro" (2009), de Gustavo Beck;
    - "Estrada Para Ythaca" (2010), de Ricardo Pretti, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, e Guto Parente;
    - "Avenida Brasília Formosa" (2010), de Gabriel Mascaro;
    - "Os Monstros" (2011), de Guto Parente, Luiz Pretti e Pedro Diógenes;
    - "No Lugar Errado" (2011), de Luiz e Ricardo Pretti e Pedro Diógenes;
    - "A Fuga Da Mulher-gorila" (2011), de Felipe Bragança e Marina Meliande;
    - "O Céu Sobre Os Ombros" (2011), de Sérgio Borges;
    - "Mãe E Filha" (2011), de Petrus Cariry;
    - "Chantal Akerman, De Cá" (2011), de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira;
    - "O Som Ao Redor" (2012), "Aquarius" (2016) e "Bacurau" (2019), de Kleber Mendonça Filho

    Todos com grande repercussão crítica nacional e com participação em importantes festivais internacionais, como Cannes, Locarno e Rotterdam.